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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Das redes sociais à redação: como transformar o consumo diário de informação em repertório para o Enem

Professor do Senac São Paulo explica por que o diferencial dos candidatos está menos em acumular referências e mais em conectar diferentes áreas do conhecimento para interpretar temas da atualidade


A poucos meses do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos estudantes intensificam a rotina de estudos para revisar conteúdos e resolver simulados. Mas, para João Gabriel Ferraz Vasconcellos, professor da Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas do Ensino Médio Técnico no Senac Lapa Scipião, um dos maiores diferenciais para conquistar um bom desempenho na prova está fora das apostilas. Mais do que memorizar conceitos ou decorar citações, desenvolver repertório sociocultural significa aprender a interpretar acontecimentos da atualidade e estabelecer conexões entre diferentes áreas do conhecimento, habilidade valorizada tanto na redação quanto nas questões interdisciplinares do exame. 

Essa construção pode começar em espaços que já fazem parte da rotina dos estudantes. Filmes, séries, documentários, podcasts, livros, reportagens e até conteúdos produzidos para as redes sociais podem ampliar a capacidade de análise crítica, desde que consumidos de forma consciente. O ponto central, segundo o professor, não é a quantidade de informações acessadas, mas a capacidade de compreender o contexto, identificar diferentes perspectivas sobre um mesmo tema e verificar a credibilidade das fontes. 

"O repertório sociocultural permite que o estudante construa análises mais sofisticadas e se afaste do senso comum. O Enem valoriza quem consegue mobilizar conhecimentos de diferentes áreas para defender seus argumentos. Isso demonstra que ele não apenas memorizou informações, mas compreendeu como elas dialogam entre si e com os desafios da sociedade", explica João Gabriel Ferraz Vasconcellos. 

Na prática, acompanhar assuntos que ocupam o debate público pode ser um bom ponto de partida para esse exercício. Mudanças climáticas, desigualdade social, violência de gênero, inteligência artificial, saúde mental, transformações no mundo do trabalho, geopolítica, crises migratórias e direitos humanos são temas recorrentes no noticiário e que dialogam com as competências cobradas no Enem. Para aprofundar essas discussões, o docente recomenda recorrer a diferentes linguagens. Obras como Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, a pintura Retirantes, de Candido Portinari, produções audiovisuais como Round 6, Black Mirror e O Dilema das Redes, além de podcasts como Xadrez Verbal, Café da Manhã, Fio da Meada e Tempo Quente, ajudam a ampliar o olhar sobre questões sociais, políticas e econômicas.

Para o professor, entretanto, nenhuma dessas referências faz diferença isoladamente. "O repertório não está na citação de um livro, de um filme ou de uma série. Ele está na capacidade de relacionar diferentes linguagens para compreender um problema e construir uma argumentação consistente. É essa habilidade de fazer conexões que transforma o consumo de informação em conhecimento e pode fazer a diferença no desempenho do estudante no Enem", conclui.


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