Com jogos, encontros em casa, festas nas ruas e comemorações com fogos, tutores devem se preparar com antecedência para reduzir medo e ansiedade em cães
A Copa do Mundo de 2026 promete mobilizar
torcedores em diferentes momentos do dia, com reuniões em casa, festas nas ruas
e comemorações que, muitas vezes, vêm acompanhadas de fogos de artifício,
buzinas, gritos e outros estímulos sonoros intensos. Para os humanos, esse
clima costuma ser sinônimo de alegria e celebração. Para muitos pets, no
entanto, o período pode representar medo, estresse e alterações importantes de
comportamento.
Os cães têm uma audição mais sensível, por isso,
podem reagir de forma intensa a barulhos repentinos e estridentes. Tremores,
tentativa de fuga, salivação excessiva, vocalização, busca por esconderijos,
falta de apetite e agitação são alguns dos sinais que podem aparecer em
situações de estresse acústico. Em casos mais graves, o animal pode se machucar
ao tentar escapar ou desenvolver respostas de medo cada vez mais frequentes.
“O medo dos cães diante de barulhos estridentes,
como fogos de artifício, é um dos problemas comportamentais mais relatados
pelos tutores. Ele interfere não apenas no bem-estar animal, mas também na
rotina de toda a família, que muitas vezes não sabe como agir nesses momentos”,
relata Marina Tiba, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab
Saúde Animal.
Segundo a especialista, a preparação deve começar
antes dos jogos e das datas de maior movimentação. A ideia é criar uma
verdadeira força-tarefa para tornar o ambiente mais previsível, seguro e
confortável para o pet. Essa estratégia pode envolver manejo ambiental, rotina
adequada, acompanhamento do tutor e, quando indicado, o uso de suplementos
específicos.
“Suplementos com ativos como Passiflora, Valeriana
e Triptofano podem auxiliar na prevenção de respostas comportamentais ao
estresse decorrente de estímulos perturbadores. Mas é importante lembrar que o
uso deve seguir a recomendação do médico-veterinário e respeitar o período
indicado pelo fabricante. Em geral, esse tipo de cuidado precisa começar com
antecedência para oferecer o efeito esperado”, explica Marina.
Diferentemente de fármacos psicoativos, que podem
ser indicados em situações específicas para animais com medo intenso, os
suplementos fazem parte de uma estratégia de suporte ao bem-estar. Ainda assim,
a médica-veterinária reforça que nenhum produto deve substituir a avaliação
profissional, especialmente em cães idosos, com doenças pré-existentes, em uso
de medicamentos ou com histórico de ansiedade severa.
“A suplementação é apenas um dos pilares. O mais
importante é entender que o pet precisa de previsibilidade, segurança e
acolhimento. O tutor deve se antecipar aos momentos de maior barulho e preparar
a casa para reduzir os estímulos que podem assustar o animal”, afirma.
Confira algumas medidas que podem ajudar os cães
durante os jogos e comemorações da Copa:
Segurança vem em primeiro lugar
Em dias de jogos importantes, mantenha portas,
portões e janelas bem fechados. Muitas fugas acontecem justamente quando o cão
se assusta com fogos, buzinas ou gritos repentinos. Todos da casa devem estar
atentos ao entrar ou sair. O uso de plaquinha de identificação atualizada é
indispensável.
Mantenha o pet em um ambiente
familiar
Para cães que têm medo de barulho, o melhor lugar costuma ser dentro de casa, em um espaço conhecido e protegido. Fechar janelas, cortinas e persianas ajuda a reduzir tanto os sons externos quanto os estímulos visuais, como clarões de fogos ou movimentação intensa na rua.
Crie um cantinho seguro
Escolha um cômodo mais silencioso da casa e coloque
ali a caminha, cobertas, brinquedos e objetos familiares do pet. Se o cão já
estiver acostumado com a caixa de transporte, ela também pode ser usada como
refúgio. O ideal é permitir que o animal escolha ficar nesse espaço, sem
forçá-lo.
Esteja por perto
A presença do tutor pode fazer diferença. Fale com
o pet em tom calmo, evite broncas e não force interações. Alguns cães preferem
contato físico, enquanto outros querem apenas se esconder. Respeitar esse
comportamento é fundamental.
Abafe os ruídos externos
Música ambiente, televisão ou ruído branco podem
ajudar a mascarar sons vindos da rua. Em alguns casos, protetores auriculares
próprios para cães ou algodão podem ser utilizados, desde que o animal já
esteja acostumado e aceite esse tipo de manejo sem desconforto.
Gaste energia antes dos jogos
Quando possível, leve o cão para passear antes do
início das partidas e das comemorações. Atividades físicas e brincadeiras
ajudam a reduzir a energia acumulada e podem favorecer um comportamento mais
tranquilo depois. O passeio, porém, deve acontecer em horários seguros, antes
do aumento do barulho nas ruas.
Use a alimentação como aliada
Petiscos, sachês, brinquedos recheáveis e
mordedores podem ajudar a distrair o pet durante momentos de barulho. Se o cão
não quiser comer, não force. A recusa pode ser apenas uma resposta ao medo, e o
alimento pode ser oferecido novamente em outro momento.
Invista em distrações
positivas
Brinquedos, comandos simples e brincadeiras
conhecidas podem ajudar alguns cães a desviar o foco dos sons externos. O tutor
deve agir com naturalidade e tranquilidade, sem demonstrar ansiedade diante dos
fogos ou da reação do animal.
Acolha o pet quando ele não
quiser brincar ou comer
Em situações de medo intenso, alguns cães não
respondem a petiscos nem a brinquedos. Nesses casos, massagens suaves,
proximidade física ou simplesmente permanecer no mesmo ambiente podem ajudar,
desde que o contato seja algo que o animal já aprecie.
Evite deixar o cão sozinho
Se houver previsão de fogos ou comemorações
intensas, o ideal é que o pet não fique sozinho em casa. Caso a família precise
sair, é importante avaliar alternativas seguras, como a companhia de alguém de
confiança ou a permanência do animal em um ambiente preparado previamente.
Para Marina, o cuidado com os pets durante a Copa
deve fazer parte do planejamento das famílias, assim como a organização para
assistir aos jogos. “Durante períodos de maior agitação, a combinação de
orientação veterinária, manejo ambiental e acolhimento pode contribuir para o
bem-estar do pet e de toda a família. Quanto antes o tutor se prepara, maiores são
as chances de atravessar esses momentos com mais tranquilidade”, finaliza.
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