Pesquisar no Blog

sábado, 4 de julho de 2026

Você tem medo de voar? Saiba por que seu cérebro pode estar te enganando

 Lito Sousa explica por que acidentes ficam gravados na memória, enquanto milhões de voos seguros passam despercebidos 

 

Basta uma turbulência mais intensa ou a repercussão de um acidente aéreo para que o medo de voar volte a ocupar espaço nas conversas e preocupações dos passageiros. O receio é comum, mas os números mostram uma realidade diferente daquela que muitas pessoas imaginam.

Segundo o relatório mais recente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), divulgado em março de 2026, a aviação comercial realizou 38,7 milhões de voos em todo o mundo em 2025, transportando 4.53 bilhões de pessoas, com apenas 51 acidentes registrados. O índice equivale a 1,32 acidente por milhão de voos, reforçando que o avião continua sendo o meio de transporte mais seguro para percorrer longas distâncias.

Ainda assim, milhares de pessoas enfrentam ansiedade antes de embarcar. Para Lito Sousa, fundador do Lito Group, piloto, mecânico aeronáutico com habilitações nacionais e americanas e especialista internacional em fatores humanos na aviação, essa aflição está menos relacionada aos riscos reais da aviação e mais à forma como o cérebro humano processa informações e situações de incerteza. Com mais de 40 anos de experiência no setor — sendo 36 deles na aviação comercial em uma das maiores companhias aéreas do mundo —, Sousa é considerado um dos pioneiros no Brasil no estudo e na conscientização sobre a aerofobia. 

"Quando entramos em um avião, entregamos o controle da situação para outras pessoas. Para quem já possui um perfil mais ansioso, isso pode gerar desconforto. Além disso, quando um acidente recebe ampla repercussão, é comum que as pessoas passem a acreditar que voar ficou mais perigoso, mesmo que os dados mostrem o contrário", afirma.

De acordo com o especialista, o cérebro tende a dar mais importância aos acontecimentos que provocam medo, preocupação ou forte impacto emocional. Por isso, um único acidente pode permanecer na memória por muito tempo, enquanto milhões de voos realizados diariamente sem qualquer ocorrência passam despercebidos.

"Um acidente recebe cobertura durante vários dias e desperta emoções intensas. Já os pousos e decolagens que acontecem normalmente não viram notícia. Isso cria uma percepção de risco muito maior do que o risco real", explica.


Por que algumas situações dentro do avião causam insegurança?

Além da repercussão de acidentes, muitos passageiros se sentem desconfortáveis por não compreenderem totalmente o funcionamento da aeronave. Sons durante o voo, mudanças na potência dos motores e turbulências estão entre os principais gatilhos para quem tem medo de voar.

"Muitas pessoas interpretam qualquer barulho diferente como sinal de problema. Na prática, esses sons fazem parte da operação normal da aeronave. O mesmo acontece com a turbulência, que pode causar desconforto, mas é uma situação prevista e para a qual pilotos e aviões são preparados", diz Sousa.

Segundo ele, a falta de informação faz com que situações comuns da aviação sejam percebidas como ameaças, aumentando a ansiedade e a sensação de insegurança durante a viagem.


O que pode ajudar a reduzir o medo de voar?

Embora não exista uma solução única, algumas atitudes podem contribuir para tornar a experiência mais tranquila:

  • Buscar informações sobre aviação em fontes confiáveis;
  • Evitar o consumo excessivo de notícias sensacionalistas antes de viajar;
  • Escolher horários de voo que proporcionem mais conforto e descanso;
  • Utilizar técnicas de respiração para controlar a ansiedade;
  • Conversar com profissionais especializados quando o medo começar a impactar a rotina.

"Conhecimento reduz a insegurança. Quando entendemos melhor como funciona a aviação, conseguimos substituir parte da ansiedade por confiança. E, quando o medo interfere na qualidade de vida da pessoa, buscar ajuda profissional pode fazer toda a diferença", afirma.

Para o especialista, sentir medo não deve ser motivo de vergonha. O importante é compreender suas causas e buscar formas de lidar com ele.

"O medo de voar pode limitar oportunidades profissionais, viagens em família e experiências importantes. Com informação, preparo e, quando necessário, acompanhamento especializado, muitas pessoas conseguem superar esse receio e voltar a viajar com tranquilidade."

Esse é um dos motivos que levou o Lito Group a desenvolver um curso voltado a quem tem medo de voar. Nos últimos seis anos, mais de 8 mil alunos já passaram pelo treinamento, que reúne uma abordagem multidisciplinar para ajudar passageiros a compreender melhor o universo da aviação e reduzir a ansiedade relacionada aos voos. Totalmente online e com mais de 40 horas de conteúdo, o programa aborda temas que costumam gerar insegurança entre os passageiros, como turbulência, sistemas e falhas das aeronaves, confiança nos pilotos, meteorologia, voos transoceânicos e protocolos para emergências médicas a bordo. Além de Lito Sousa, participam das aulas pilotos internacionais, meteorologistas, engenheiros aeronáuticos, psicólogos especializados em aerofobia e comissários de voo. 

Em um momento em que o número de passageiros continua crescendo em todo o mundo, especialistas reforçam que compreender os mecanismos da ansiedade é tão importante quanto conhecer os dados sobre segurança. Afinal, embora o medo seja uma reação natural do cérebro, ele nem sempre reflete a realidade dos fatos.

 

Lito Group
Lito Academy


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados