Temporada de pipas: brincadeira
tradicional reforça importância de lazer seguro e convivência familiar para
desenvolvimento infantil
Brincadeira com pipas pode envolver acidentes fatais
Pexels
Aldeias Infantis SOS alerta para os riscos do uso
de linhas cortantes e reforça que brincar com segurança é responsabilidade compartilhada
entre famílias, sociedade e Poder Público
Com
a chegada dos meses mais secos e ventosos do ano, somado ao período tradicional
de férias escolares, o céu de muitas cidades volta a ganhar cores com uma das
brincadeiras mais tradicionais da infância: empinar pipa. Presente na cultura
popular há gerações, a atividade é um importante instrumento para o
desenvolvimento físico, emocional e social de crianças e adolescentes, e, por
se tratar de uma brincadeira, é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA).
No
entanto, para que essa tradição continue colorindo os céus do país, é preciso
garantir ambientes seguros e evitar riscos com o uso de materiais proibidos. O
alerta é da Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento
de cuidado do mundo, por meio de serviços de acolhimento de crianças e
adolescentes afastados dos pais por decisão judicial e iniciativas de
fortalecimento familiar.
A Organização chama a atenção para os perigos das linhas cortantes, que colocam em risco não apenas quem participa da brincadeira com pipa, mas também motociclistas, ciclistas, pedestres e demais pessoas que circulam pelas cidades. Segundo o projeto Cerol Não!, 57% dos acidentes registrados envolvendo linhas cortantes no trânsito resultam em mortes, sendo os motociclistas as principais vítimas fatais, representando 27% dos casos.
Além
disso, um levantamento do Projeto Criança Segura, da Aldeias
Infantis SOS, a partir de informações do Tabnet/DataSUS, revela que, entre
janeiro de 2020 e dezembro de 2025, foram registradas mais de 6.700 internações
hospitalares de crianças e adolescentes, de até 14 anos, por acidentes que
podem ter envolvido linhas de pipa.
“O
problema não está na brincadeira em si, que faz parte da cultura brasileira e
contribui para o desenvolvimento infantil. O que coloca vidas em risco é o uso
de materiais cortantes, como o cerol e a linha chilena. Quando uma linha recebe
esse tipo de produto, ela deixa de ser um brinquedo e passa a representar uma
ameaça real para toda a comunidade”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, Ponto
Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS.
Produzido
a partir da mistura de cola com vidro moído, o cerol é proibido em diversas
localidades do país. Já a chamada linha chilena, composta por materiais
altamente abrasivos, possui elevado poder de corte e é alvo de restrições
legais, podendo provocar lesões graves e até fatais.
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| Segundo especialista da Aldeias Infantis SOS, o problema não é a brincadeira em si, mas os materiais cortantes Pexels |
Fortalecimento familiar
Segundo
Sturza, a prevenção passa, antes de tudo, pela informação e pelo fortalecimento
das redes de proteção. “Nem todas as famílias têm acesso às orientações sobre
os riscos do cerol ou dispõem de espaços adequados para essa brincadeira. Por
isso, campanhas educativas, fiscalização e políticas públicas são fundamentais.
Promover informação também é proteger crianças e adolescentes”, destaca.
Por
meio de seus projetos de fortalecimento familiar, a Aldeias Infantis SOS
desenvolve ações de orientação, convivência comunitária, acesso à rede de
proteção e promoção de direitos, contribuindo para que crianças cresçam em
ambientes seguros e acolhedores. Nesse contexto, empinar pipa pode representar
muito mais do que uma diversão: é uma oportunidade para aproximar gerações e
fortalecer laços.
“O
hábito de soltar pipa fortalece vínculos familiares e comunitários. Quando
adultos e crianças compartilham esse momento, a atividade favorece o diálogo, a
confiança e o sentimento de pertencimento, contribuindo para o desenvolvimento
saudável da infância”, reforça Sturza. “Brincar é um direito fundamental e deve
ser incentivado. Preservar tradições como empinar pipa também é importante. O
desafio é garantir que essa experiência ocorra de forma segura, com o
compromisso de toda a sociedade para que a diversão deixe apenas boas lembranças
e nunca coloque vidas em risco”, conclui.
Aldeias Infantis SOS
www.aldeiasinfantis.org.br

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