Mesmo com o crescimento no número de pequenas
empresas no Brasil, seis em cada des pequenos negócios fecham as portas em
cinco anos. Especialista aponta as dificuldades emocionais que atrapalham o
empreendedor a subir de fase no game dos negócios
Divulgação
O
Brasil bateu recorde no número de pessoas que se tornaram empreendedoras. Dados
do Sebrae mostram que foram 4,6 milhões de novos pequenos negócios entre
janeiro e novembro de 2025, uma alta de 19% em relação ao mesmo período do ano
passado, o melhor desempenho da série histórica. Os pequenos negócios
representaram 97% das empresas abertas no país em 2025. Entre elas, 77% são
microempreendedores individuais (MEI), 19% são microempresas (ME) e 4% são
empresas de pequeno porte (EPP).
Mas,
enquanto nascem novos negócios, parte importante deles morre. E são justamente
os pequenos negócios os que mais sucumbem. Um estudo do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontou que, entre as empresas
empregadoras brasileiras, uma a cada seis pequenas empresas empregadoras (que
têm de um a 9 funcionários) não passam dos cinco anos de existência.
Em
Goiás, 9 em cada 10 empresas de Goiás são pequenos negócios, o que mostra a
alta representatividade deste grupo, aponta o Sebrae. Sobre a sobrevivência dos
PN, após 5 anos da abertura, 66% das empresas permanecem ativas. No caso dos
MEIs, esse índice é menor: 43% permanecem ativos após 5 anos de existência.
Para as MEs é 71%; para EPPs, é 85%. A média de idade dos pequenos negócios
goianos é de 5 anos e meio.
O
consultor em gestão e em desenvolvimento humano de Goiânia, Rubens Berredo,
destaca que os primeiros anos de um negócio são mais desafiadores para o
empreendedor, que precisa se sustentar não apenas na coragem e disposição para
o trabalho, mas tendo também outros atributos como disciplina, constância e
capacidade de adaptação.
Autor
do livro Liderança como Estilo de Vida (Editora Kelps, 231 páginas), Rubens tem
mais de quatro décadas de atuação corporativa, sendo boa parte dedicados à
consultoria e mentoria a empresários e gestores, em que pode perceber as
dificuldades emocionais que estavam por trás da gestão diária das empresas, que
tiveram influência na corrosão dos resultados objetivos do negócio.
Ele
aponta que a maioria dos pequenos negócios não fecham apenas por desafios
financeiros ou problemas conjunturais, mas também porque existe uma deficiência
na liderança, que leva a uma dificuldade na tomada de decisões difíceis, na
organização de prioridades, controle das emoções, formar pessoas e manter
direção em meio ao caos.
“A
ausência de liderança transforma problemas comuns em crises fatais. O maior
risco de um pequeno negócio não é apenas o mercado, como também a falta de
desenvolvimento do próprio empreendedor”, afirma o gestor.
Ele
lembra que grande parte dos empreendedores brasileiros não começam por vocação,
e sim por necessidade. Segundo o Sebrae, mais de 30% da população brasileira
abre um negócio por falta de oportunidades. Nesta parcela, há aqueles que
entram no negócio preparados para trabalhar, mas não preparados para suportar
pressão, instabilidade, desgaste emocional e responsabilidade constante
exigidos no mundo dos negócios. “Eles não desistem apenas por falta de
dinheiro, mas pelo desgaste emocional de carregar sozinho responsabilidades,
pressão, incertezas e frustrações diárias” completa.
*Crescimento é treinamento e
constância*
O
primeiro passo para o pequeno empreendedor brasileiro não desistir no começo, é
investir em treinamento e preparo para conseguir lidar com os desafios do
universo empresarial. O gestor pontua que é necessário equilibrar as vendas,
finanças, clientes, equipe, processos e emoções ao mesmo tempo, quase sempre
com poucos recursos. E isso não depende de fatores externos, isso depende do
equilíbrio emocional e do autocontrole do empreendedor, além da decisão interna
de liderar.
“Empreender
exige muito mais do que uma boa ideia. Exige maturidade para decidir,
resistência para continuar, inteligência para aprender rápido e humildade para
corrigir erros constantemente”, conclui Rubens Berredo, que considera que,
neste início, o objetivo maior não deve ser o lucro unicamente - isso acaba
fluindo com o tempo -, mas sim o aprendizado de suportar a pressão.
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