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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Quero ser grande: o que falta para o pequeno empreendedor crescer?

Divulgação
Mesmo com o crescimento no número de pequenas empresas no Brasil, seis em cada des pequenos negócios fecham as portas em cinco anos. Especialista aponta as dificuldades emocionais que atrapalham o empreendedor a subir de fase no game dos negócios


O Brasil bateu recorde no número de pessoas que se tornaram empreendedoras. Dados do Sebrae mostram que foram 4,6 milhões de novos pequenos negócios entre janeiro e novembro de 2025, uma alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, o melhor desempenho da série histórica. Os pequenos negócios representaram 97% das empresas abertas no país em 2025. Entre elas, 77% são microempreendedores individuais (MEI), 19% são microempresas (ME) e 4% são empresas de pequeno porte (EPP).

Mas, enquanto nascem novos negócios, parte importante deles morre. E são justamente os pequenos negócios os que mais sucumbem. Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontou que, entre as empresas empregadoras brasileiras, uma a cada seis pequenas empresas empregadoras (que têm de um a 9 funcionários) não passam dos cinco anos de existência.

Em Goiás, 9 em cada 10 empresas de Goiás são pequenos negócios, o que mostra a alta representatividade deste grupo, aponta o Sebrae. Sobre a sobrevivência dos PN, após 5 anos da abertura, 66% das empresas permanecem ativas. No caso dos MEIs, esse índice é menor: 43% permanecem ativos após 5 anos de existência. Para as MEs é 71%; para EPPs, é 85%. A média de idade dos pequenos negócios goianos é de 5 anos e meio.

O consultor em gestão e em desenvolvimento humano de Goiânia, Rubens Berredo, destaca que os primeiros anos de um negócio são mais desafiadores para o empreendedor, que precisa se sustentar não apenas na coragem e disposição para o trabalho, mas tendo também outros atributos como disciplina, constância e capacidade de adaptação. 

Autor do livro Liderança como Estilo de Vida (Editora Kelps, 231 páginas), Rubens tem mais de quatro décadas de atuação corporativa, sendo boa parte dedicados à consultoria e mentoria a empresários e gestores, em que pode perceber as dificuldades emocionais que estavam por trás da gestão diária das empresas, que tiveram influência na corrosão dos resultados objetivos do negócio.

Ele aponta que a maioria dos pequenos negócios não fecham apenas por desafios financeiros ou problemas conjunturais, mas também porque existe uma deficiência na liderança, que leva a uma dificuldade na tomada de decisões difíceis, na organização de prioridades, controle das emoções, formar pessoas e manter direção em meio ao caos.

 “A ausência de liderança transforma problemas comuns em crises fatais. O maior risco de um pequeno negócio não é apenas o mercado, como também a falta de desenvolvimento do próprio empreendedor”, afirma o gestor.

Ele lembra que grande parte dos empreendedores brasileiros não começam por vocação, e sim por necessidade. Segundo o Sebrae, mais de 30% da população brasileira abre um negócio por falta de oportunidades. Nesta parcela, há aqueles que entram no negócio preparados para trabalhar, mas não preparados para suportar pressão, instabilidade, desgaste emocional e responsabilidade constante exigidos no mundo dos negócios. “Eles não desistem apenas por falta de dinheiro, mas pelo desgaste emocional de carregar sozinho responsabilidades, pressão, incertezas e frustrações diárias” completa.


*Crescimento é treinamento e constância*

O primeiro passo para o pequeno empreendedor brasileiro não desistir no começo, é investir em treinamento e preparo para conseguir lidar com os desafios do universo empresarial. O gestor pontua que é necessário equilibrar as vendas, finanças, clientes, equipe, processos e emoções ao mesmo tempo, quase sempre com poucos recursos. E isso não depende de fatores externos, isso depende do equilíbrio emocional e do autocontrole do empreendedor, além da decisão interna de liderar. 

“Empreender exige muito mais do que uma boa ideia. Exige maturidade para decidir, resistência para continuar, inteligência para aprender rápido e humildade para corrigir erros constantemente”, conclui Rubens Berredo, que considera que, neste início, o objetivo maior não deve ser o lucro unicamente - isso acaba fluindo com o tempo -, mas sim o aprendizado de suportar a pressão. 


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