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sábado, 4 de julho de 2026

Shampoos ajudam contra a calvície? Entenda o que é mito e o que é verdade

Especialistas explicam como os produtos atuam nos fios, quais resultados podem ser esperados e como testes de eficácia garantem o que está descrito no rótulo

 

Aproximadamente 20% dos brasileiros estão perdendo os cabelos. O dado é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que aponta que 42 milhões de pessoas no país convivem com algum grau de perda capilar. Entre as mulheres, a estimativa é menor, mas o tema também está presente.

Por outro lado, as soluções milagrosas para este problema são encontradas em praticamente todas as prateleiras. Mas até onde os cosméticos podem ajudar?

A queda de cabelo pode ter diferentes causas, como genética, estresse, alterações hormonais, doenças autoimunes ou processos inflamatórios. O tipo mais comum é a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície, de padrão masculino ou feminino. 

Os sinais da calvície costumam se manifestar de formas diferentes entre homens e mulheres. Nos homens, é comum o surgimento de entradas e rarefação no topo da cabeça. Já nas mulheres, o afinamento dos fios tende a ocorrer de forma mais concentrada na parte superior da cabeça. Embora seja uma condição frequente, o tema ainda é cercado por mitos.

De acordo com a dermatologista Jéssica Starek, da ALS Beauty & Personal Care, o uso de bonés, toucas ou outros acessórios não tem ligação com a calvície. O mesmo vale para hábitos como lavagem frequente ou tratamentos capilares, que muitas vezes são apontados como causa da queda de cabelo, especialmente entre as mulheres, mas que não têm relação direta com esse quadro. Na verdade, trata-se de uma condição médica, com influência genética e hormonal, que precisa ser avaliada corretamente.

“A calvície tem como causa principal a herança genética e sua frequência aumenta com a idade. Porém, o ritmo de progressão pode ser influenciado por outros fatores, como estresse, alterações hormonais, uso de anabolizantes e distúrbios metabólicos, como colesterol elevado e resistência à insulina, que podem acelerar a perda capilar. O mais importante é diferenciar os tipos de queda, porque nem toda perda de cabelo está relacionada à alopecia androgenética, e o diagnóstico correto é o que direciona o tratamento”, explica a dermatologista.

Nesse contexto, surgem as soluções milagrosas. Com a variedade de shampoos, tônicos e loções disponíveis, é comum esperar que esses itens consigam interromper a queda capilar. Na prática, isso nem sempre acontece.

“Os cosméticos atuam principalmente na melhora da fibra capilar e também das condições do couro cabeludo, que exerce um papel importante na saúde dos fios. Eles podem ajudar a reduzir a quebra, muitas vezes confundida com queda, melhorar a aparência e favorecer um ambiente mais saudável para o crescimento capilar. Ainda assim, não tratam a causa da perda capilar, especialmente nos quadros mais agressivos e comuns entre os homens. Quando existe uma condição clínica, o tratamento é medicamentoso e requer acompanhamento médico”, explica.



O que os cosméticos podem entregar

Os produtos cosméticos têm seu papel na rotina de cuidados. Eles contribuem para o aumento da resistência, brilho, aparência dos fios e até recuperação de danos, desde que as expectativas estejam alinhadas às suas reais possibilidades de atuação.

A especialista da ALS aponta que termos como “redução da queda” e “fortalecimento” aparecem com frequência nos rótulos, mas têm um significado específico e devem ser interpretados individualmente. Segundo ela, é comum que consumidores confundam queda capilar com quebra dos fios. No dia a dia, a percepção de perda costuma vir de fios encontrados no banho, na escova ou em toalhas, mas nem sempre isso indica queda desde a raiz. Em muitos casos, representa quebra ao longo do fio.

Para que esse tipo de benefício seja comunicado de forma adequada, os produtos precisam passar por testes que avaliam seu desempenho em condições controladas. Na ALS Beauty & Personal Care, uma das metodologias utilizadas é a metrologia capilar, que mede propriedades físicas e estruturais dos fios.

“A metrologia capilar permite avaliar características como resistência, elasticidade e danos na fibra. Esses testes ajudam a transformar a percepção de uso em dados objetivos, garantindo que os benefícios descritos no produto sejam mensuráveis e reproduzíveis”, explica Tainara Ikissare, coordenadora de metrologia capilar da ALS Beauty & Personal Care.

Além das análises da fibra capilar, também existem metodologias específicas para avaliar a queda de cabelo de forma mais controlada, acompanhando a evolução dos fios ao longo do uso de produtos.

Apesar dos avanços na comprovação de eficácia, as especialistas reforçam que queda de cabelo não deve ser vista apenas como uma questão estética. Em muitos casos, pode estar relacionada a condições de saúde e ter impacto direto na qualidade de vida.

Em alguns tipos de queda capilar, especialmente quando há influência hormonal ou outras condições do organismo, tratamentos que atuam de dentro para fora tendem a ter maior impacto. Já os produtos tópicos atuam principalmente na fibra capilar, ajudando na resistência dos fios e na redução da quebra, sendo mais indicados como apoio em casos iniciais ou leves.

“O primeiro passo é entender o que está por trás da queda. Nem todo caso é definitivo, e muitos têm tratamento quando avaliados da forma adequada. Buscar orientação médica faz toda a diferença”, finaliza Jéssica.

 

ALS Beauty & Personal Care

 

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