Especialistas
explicam como os produtos atuam nos fios, quais resultados podem ser esperados
e como testes de eficácia garantem o que está descrito no rótulo
Aproximadamente 20% dos brasileiros estão perdendo
os cabelos. O dado é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que aponta
que 42 milhões de pessoas no país convivem com algum grau de perda capilar.
Entre as mulheres, a estimativa é menor, mas o tema também está presente.
Por outro lado, as soluções milagrosas para este problema são encontradas em
praticamente todas as prateleiras. Mas até onde os cosméticos podem ajudar?
A queda de cabelo pode ter diferentes causas, como
genética, estresse, alterações hormonais, doenças autoimunes ou processos
inflamatórios. O tipo mais comum é a alopecia androgenética, conhecida
popularmente como calvície, de padrão masculino ou feminino.
Os sinais da calvície costumam se manifestar de
formas diferentes entre homens e mulheres. Nos homens, é comum o surgimento de
entradas e rarefação no topo da cabeça. Já nas mulheres, o afinamento dos fios
tende a ocorrer de forma mais concentrada na parte superior da cabeça. Embora
seja uma condição frequente, o tema ainda é cercado por mitos.
De acordo com a dermatologista Jéssica Starek, da
ALS Beauty & Personal Care, o uso de bonés, toucas ou outros acessórios não
tem ligação com a calvície. O mesmo vale para hábitos como lavagem frequente ou
tratamentos capilares, que muitas vezes são apontados como causa da queda de
cabelo, especialmente entre as mulheres, mas que não têm relação direta com
esse quadro. Na verdade, trata-se de uma condição médica, com influência
genética e hormonal, que precisa ser avaliada corretamente.
“A calvície tem como causa principal a herança
genética e sua frequência aumenta com a idade. Porém, o ritmo de progressão
pode ser influenciado por outros fatores, como estresse, alterações hormonais,
uso de anabolizantes e distúrbios metabólicos, como colesterol elevado e resistência
à insulina, que podem acelerar a perda capilar. O mais importante é diferenciar
os tipos de queda, porque nem toda perda de cabelo está relacionada à alopecia
androgenética, e o diagnóstico correto é o que direciona o tratamento”, explica
a dermatologista.
Nesse contexto, surgem as soluções milagrosas. Com
a variedade de shampoos, tônicos e loções disponíveis, é comum esperar que
esses itens consigam interromper a queda capilar. Na prática, isso nem sempre
acontece.
“Os cosméticos atuam principalmente na melhora da fibra capilar e também das condições do couro cabeludo, que exerce um papel importante na saúde dos fios. Eles podem ajudar a reduzir a quebra, muitas vezes confundida com queda, melhorar a aparência e favorecer um ambiente mais saudável para o crescimento capilar. Ainda assim, não tratam a causa da perda capilar, especialmente nos quadros mais agressivos e comuns entre os homens. Quando existe uma condição clínica, o tratamento é medicamentoso e requer acompanhamento médico”, explica.
O que os cosméticos podem entregar
Os produtos cosméticos têm seu papel na rotina de
cuidados. Eles contribuem para o aumento da resistência, brilho, aparência dos fios
e até recuperação de danos, desde que as expectativas estejam alinhadas às suas
reais possibilidades de atuação.
A especialista da ALS aponta que termos como
“redução da queda” e “fortalecimento” aparecem com frequência nos rótulos, mas
têm um significado específico e devem ser interpretados individualmente.
Segundo ela, é comum que consumidores confundam queda capilar com quebra dos
fios. No dia a dia, a percepção de perda costuma vir de fios encontrados no
banho, na escova ou em toalhas, mas nem sempre isso indica queda desde a raiz.
Em muitos casos, representa quebra ao longo do fio.
Para que esse tipo de benefício seja comunicado de
forma adequada, os produtos precisam passar por testes que avaliam seu
desempenho em condições controladas. Na ALS Beauty & Personal Care, uma das
metodologias utilizadas é a metrologia capilar, que mede propriedades físicas e
estruturais dos fios.
“A metrologia capilar permite avaliar
características como resistência, elasticidade e danos na fibra. Esses testes
ajudam a transformar a percepção de uso em dados objetivos, garantindo que os
benefícios descritos no produto sejam mensuráveis e reproduzíveis”, explica
Tainara Ikissare, coordenadora de metrologia capilar da ALS Beauty &
Personal Care.
Além das análises da fibra capilar, também existem
metodologias específicas para avaliar a queda de cabelo de forma mais
controlada, acompanhando a evolução dos fios ao longo do uso de produtos.
Apesar dos avanços na comprovação de eficácia, as
especialistas reforçam que queda de cabelo não deve ser vista apenas como uma
questão estética. Em muitos casos, pode estar relacionada a condições de saúde
e ter impacto direto na qualidade de vida.
Em alguns tipos de queda capilar, especialmente
quando há influência hormonal ou outras condições do organismo, tratamentos que
atuam de dentro para fora tendem a ter maior impacto. Já os produtos tópicos
atuam principalmente na fibra capilar, ajudando na resistência dos fios e na
redução da quebra, sendo mais indicados como apoio em casos iniciais ou leves.
“O primeiro passo é entender o que está por trás da
queda. Nem todo caso é definitivo, e muitos têm tratamento quando avaliados da
forma adequada. Buscar orientação médica faz toda a diferença”, finaliza
Jéssica.
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