Casos recentes de famosas reacendem o
debate sobre os riscos do polimetilmetacrilato, banido pelo CFM em junho de
2026
A influenciadora Maíra Cardi publicou esta semana um
vídeo mostrando fragmentos do PMMA saltando do próprio rosto, afirmando que o
material continua provocando reações mais de uma década após a aplicação. Quase
ao mesmo tempo, a repórter da Globo Juliane Massaoka revelava que quase perdeu
o nariz por conta da mesma substância, injetada sem seu consentimento durante
uma rinoplastia realizada quando tinha 17 anos. Em junho de 2026, ela ainda
relatava feridas abertas, antibióticos contínuos e tratamento em câmara
hiperbárica.
Os dois casos têm algo em comum além do produto: nenhuma das duas
sabia, por anos, o que tinha no próprio corpo.
O PMMA (polimetilmetacrilato) está oficialmente proibido para fins
estéticos no Brasil desde 2 de junho de 2026, por meio da Resolução nº
2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina. A decisão veio após décadas de
complicações documentadas e uma série de mortes, incluindo a de Roseli
Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, que faleceu em maio de 2026
após preenchimento nos glúteos em um consultório na zona sul de São Paulo.
Durante muitos anos, o PMMA foi considerado uma opção válida em
situações bastante específicas, desde que utilizado em pequenas quantidades,
com indicação criteriosa e técnica adequada. No entanto, o acompanhamento de
pacientes ao longo do tempo demonstrou que o material pode desencadear
complicações tardias, inclusive quando aplicado corretamente, motivo pelo qual
seu uso estético foi sendo progressivamente abandonado em favor de
preenchedores com perfil de segurança mais favorável.
Para o Dr. Ricardo Votto, Cirurgião Plástico Secretário da
Regional de Santa Catarina da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
e parceiro PinkMed, a proibição era necessária, mas o alerta vai além dela.
"O problema do PMMA é que ele é permanente. E permanente significa que os
riscos também são. Um paciente que aplicou a substância há dez, quinze anos sem
qualquer sintoma pode desenvolver uma reação inflamatória a qualquer
momento."
O que fazer quem tem PMMA no corpo
A proibição levanta uma dúvida legítima para as milhares de
pessoas que realizaram procedimentos com a substância ao longo das últimas
décadas. A primeira orientação é não entrar em pânico.
Quem não apresenta sintomas não precisa buscar a retirada
preventiva sem indicação médica. O acompanhamento periódico com um profissional
qualificado é, nesses casos, a conduta recomendada. Isso porque, como os casos
de Maíra Cardi e Juliane Massaoka ilustram, a remoção do PMMA é um procedimento
de alta complexidade. Por se integrar aos tecidos ao longo do tempo, sua
retirada pode exigir a remoção de estruturas saudáveis ao redor, causando
sequelas estéticas e funcionais muitas vezes mais graves do que a permanência
do produto.
Os sinais que exigem avaliação imediata são dor, inchaço,
endurecimento, vermelhidão, nódulos ou mudanças no contorno da região onde o
PMMA foi aplicado. Também é fundamental informar qualquer profissional de saúde
sobre a presença do produto antes de realizar qualquer procedimento na área.
Um ponto de atenção adicional: quem fez algum procedimento
estético nos últimos vinte anos e não tem certeza do que foi utilizado deve
buscar essa informação ativamente. Como mostrou o caso de Juliane Massaoka, o
PMMA pode ter sido aplicado sem o conhecimento do paciente, e sua presença só é
descoberta anos depois, muitas vezes durante uma cirurgia por outro motivo.
"Pacientes assintomáticos não precisam entrar em pânico. O
acompanhamento com um cirurgião plástico qualificado e a atenção a qualquer
sinal de inflamação são as principais medidas. Identificar um processo
inflamatório no início pode facilitar o tratamento. E, para quem pretende
realizar um procedimento estético, a orientação é sempre perguntar qual produto
será utilizado, verificar se ele possui registro na Anvisa e procurar
profissionais devidamente habilitados", afirma o Dr. Votto.
PinkMed

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