A
Inteligência Artificial está transformando os mais variados setores da
sociedade, consolidando-se como uma ferramenta estratégica no mundo atual. Na
medicina de precisão não seria diferente.
O exemplo dessa evolução está no diagnóstico do
câncer de tireoide: algoritmos avançados estão sendo utilizados para
filtrar nódulos inofensivos e reduzir drasticamente o número de biópsias
invasivas e desnecessárias1. Este avanço é crucial
diante do cenário previsto para 2026: o Brasil deve registrar 16.450 novos
casos da doença, segundo o INCA2.
Assim, a IA e algoritmos clínicos surgem para sanar
uma das principais dificuldades na detecção do câncer na tireoide que é,
justamente, identificar com precisão a natureza dos nódulos que se desenvolvem
na glândula1. Estima-se que 95% deles sejam benignos3,
mas o temor do câncer ainda gera uma alta taxa de exames invasivos que poderiam
ser evitados, impactando diretamente os custos e a eficiência da saúde pública
e privada.
Câncer
de tireoide é prevalente em mulheres
Vale
lembrar que, do total de novos casos de câncer de tireoide previstos Brasil
para este ano, mais de 13 mil são em mulheres.2
Isso
significa que, em média, a doença é de 3 a 4 vezes mais comum no público
feminino que no masculino2. Um conjunto de fatores biológicos e
hormonais3 explica a prevalência desse tipo de câncer nesse grupo de
pessoas.
Sabe-se,
por exemplo, que a tireoide é um órgão sensível a hormônios sexuais. Estudos
mostram que os tecidos tireoidianos possuem receptores de estrogênio, o que
pode favorecer a proliferação celular e o desenvolvimento tumoral (nem sempre
malignos) em mulheres4. Chama atenção também o fato de que a
detecção de nódulos na tireoide (benignos e malignos) atinge, normalmente,
cerca de 60% das mulheres acima dos 50 anos5.
Nesse
cenário, o principal desafio clínico não é apenas identificar lesões, mas
evitar intervenções desnecessárias, especialmente em pacientes com maior
propensão ao desenvolvimento de nódulos. Nesse contexto, a inteligência
artificial ganha relevância ao apoiar a análise de características suspeitas,
contribuir para a tomada de decisão médica e ajudar a reduzir a realização de
biópsias evitáveis, sobretudo em populações com maior prevalência da condição,
como as mulheres1.
A
Dra. Ana Luiza Maia, Professora Titular e
pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Membro da American
Thyroid Association (ATA) Task Force, está
à disposição para uma entrevista sobre a atual mudança
de paradigma, que coloca a Inteligência Artificial e algoritmos de ecografia
para refinar o diagnóstico do câncer de tireoide.
A
pesquisadora fará uma palestra no International Merck Summit 2026, que
acontece no próximo sábado (11), em Santiago (Chile), um evento que reúne
especialistas internacionais para discutir as principais inovações científicas
em cardiometabolismo e fertilidade. Dra Ana Luiza é a única representante da
América Latina no Task Force para elaboração dos guidelines de nódulos
Tireoidianos da American Thyroid Association (ATA). Ana Luiza é
reconhecida
nacional e internacionalmente por sua contribuição científica em nódulos
tireoidianos e câncer de tireoide.
Durante
a conversa, a Dra. Ana Luiza poderá antecipar informações sobre:
- IA na Prática Clínica: como os algoritmos estão ajudando profissionais de saúde
no diagnóstico do câncer de tireoide ao excluir nódulos de baixo risco com
alta precisão, evitando biópsias por agulha fina (PAAF)4
desnecessárias.
- Eficiência em Saúde: diferenciar
tumores malignos e benignos sem procedimentos desnecessários contribui
para reduzir custos no sistema de saúde.
- Abordagem foca na jornada do paciente: prioriza o diagnóstico e o acompanhamento, reduzindo a
necessidade de procedimentos invasivos e potencialmente dolorosos, sem
comprometer a segurança clínica.
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Referências
- Ni JH, et al. Optimizing thyroid nodule management with
artificial intelligence: multicenter retrospective study on reducing
unnecessary fine needle aspirations. JMIR Med Inform. 2025;13:e71740.
Disponível em: https://doi.org/10.2196/71740.
Acesso em: 1 abr. 2026.
- BRASIL. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa
2026–2028: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2026
. Disponível em: Link. Acesso
em: 1 abr. 2026.
- DERWAEL M, JOSÉ M et al. Role of estrogen in thyroid
cancer. Endocrine-Related Cancer, v. 20, n. 6, p. R273–R283,
2013. Disponível em: https://doi.org/10.1530/ERC-13-0082.
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- Guth S, Theune U, Aberle J, Galach A, Bamberger CM. Very high prevalence of thyroid nodules detected by high frequency (13 MHz) ultrasound examination. Eur J Clin Invest. 2009;39(8):699–706. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1365-2362.2009.02162.x. Acesso em: 1 abr. 2026.
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