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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Diabetes e rins: o risco silencioso que pode levar à diálise

Especialista alerta para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento da saúde renal

 

Quando se fala em diabetes, uma grande parcela da população associa a doença apenas ao controle da glicose no sangue. No entanto, o impacto do diabetes vai muito além: a condição pode comprometer diversos órgãos e sistemas do organismo, afetando vasos sanguíneos, coração, olhos, nervos e, de forma silenciosa, os rins.

O diabetes é atualmente uma das principais causas da doença renal crônica (DRC) e da necessidade de diálise no Brasil e no mundo. O problema é que a lesão renal costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas descubram a gravidade da situação apenas quando a função dos rins já está significativamente comprometida.

"Os rins podem sofrer por muitos anos sem apresentar sinais claros. Muitas vezes, o paciente se sente bem e acredita que está tudo sob controle, mas a doença renal já está em curso. Quando surgem sintomas, frequentemente a lesão está em estágio avançado", explica o nefrologista Bruno Zawadzki, vice-presidente de Serviços Médicos da DaVita Tratamento Renal.


Proteção renal começa muito antes da diálise

Nos últimos anos, o conhecimento sobre o cuidado do paciente com diabetes avançou significativamente. Hoje, especialistas sabem que a proteção dos rins deve começar muito antes da necessidade de terapias como a diálise.

De acordo com Bruno Zawadzki, controlar apenas a glicemia não é suficiente. A prevenção das complicações renais exige uma abordagem integrada, que inclua o controle da pressão arterial, do colesterol, do peso corporal e do risco cardiovascular, além do acompanhamento regular da função renal.

"Hoje entendemos que cuidar dos rins significa olhar o paciente de forma completa. É fundamental monitorar indicadores como a creatinina, a taxa de filtração glomerular e a presença de albuminúria ou proteinúria na urina, que podem indicar lesão renal precoce. Quanto antes identificamos alterações, maiores são as chances de retardar ou até evitar a progressão da enfermidade", afirma.

Outro avanço importante é o surgimento de medicamentos que, além de ajudar no controle do diabetes, também oferecem benefícios para a proteção dos rins e do coração em pacientes selecionados. Entre eles estão os inibidores de SGLT2, agonistas de GLP-1 e outras estratégias terapêuticas que vêm transformando o cuidado das pessoas com diabetes.


O que o paciente com diabetes deve fazer para proteger os rins?

Os profissionais de saúde reforçam que algumas medidas simples podem reduzir significativamente o risco de complicações renais:

  • Realizar testes periódicos de sangue para avaliação da creatinina e cálculo da taxa de filtração glomerular;
  • Fazer exame de urina para pesquisa de albuminúria ou proteinúria;
  • Manter o controle adequado da glicemia;
  • Controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol;
  • Tratar o excesso de peso e a obesidade;
  • Não fumar;
  • Evitar a automedicação, especialmente com anti-inflamatórios;
  • Manter acompanhamento médico regular e multiprofissional.


Informação e prevenção salvam rins

Diante do avanço dos casos, o especialista reforça um alerta: investir em prevenção é a melhor estratégia para evitar complicações graves.

"O diabetes não deve ser visto apenas como uma doença relacionada à glicose. Ele pode afetar diversos órgãos ao longo do tempo, e os rins estão entre os mais vulneráveis. A boa notícia é que hoje temos exames, tratamentos e estratégias capazes de proteger a função renal. O mais importante é não esperar os sintomas aparecerem para começar a cuidar da saúde dos rins", conclui Bruno Zawadzki.

 

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