Especialista alerta para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento da saúde renal
Quando se fala em diabetes, uma grande parcela da população
associa a doença apenas ao controle da glicose no sangue. No entanto, o impacto
do diabetes vai muito além: a condição pode comprometer diversos órgãos e
sistemas do organismo, afetando vasos sanguíneos, coração, olhos, nervos e, de
forma silenciosa, os rins.
O diabetes é atualmente uma das principais causas da doença
renal crônica (DRC) e da necessidade de diálise no Brasil e no mundo. O
problema é que a lesão renal costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o
que faz com que muitas pessoas descubram a gravidade da situação apenas quando
a função dos rins já está significativamente comprometida.
"Os rins podem sofrer por muitos anos sem apresentar sinais
claros. Muitas vezes, o paciente se sente bem e acredita que está tudo sob
controle, mas a doença renal já está em curso. Quando surgem sintomas,
frequentemente a lesão está em estágio avançado", explica o nefrologista
Bruno Zawadzki, vice-presidente de Serviços Médicos da DaVita Tratamento Renal.
Proteção renal começa muito antes da diálise
Nos últimos anos, o conhecimento sobre o cuidado do paciente com
diabetes avançou significativamente. Hoje, especialistas sabem que a proteção
dos rins deve começar muito antes da necessidade de terapias como a diálise.
De acordo com Bruno Zawadzki, controlar apenas a glicemia não é
suficiente. A prevenção das complicações renais exige uma abordagem integrada,
que inclua o controle da pressão arterial, do colesterol, do peso corporal e do
risco cardiovascular, além do acompanhamento regular da função renal.
"Hoje entendemos que cuidar dos rins significa olhar o
paciente de forma completa. É fundamental monitorar indicadores como a
creatinina, a taxa de filtração glomerular e a presença de albuminúria ou
proteinúria na urina, que podem indicar lesão renal precoce. Quanto antes
identificamos alterações, maiores são as chances de retardar ou até evitar a progressão
da enfermidade", afirma.
Outro avanço importante é o surgimento de medicamentos que, além
de ajudar no controle do diabetes, também oferecem benefícios para a proteção
dos rins e do coração em pacientes selecionados. Entre eles estão os inibidores
de SGLT2, agonistas de GLP-1 e outras estratégias terapêuticas que vêm
transformando o cuidado das pessoas com diabetes.
O que o paciente com diabetes deve fazer para proteger os
rins?
Os profissionais de saúde reforçam que algumas medidas simples
podem reduzir significativamente o risco de complicações renais:
- Realizar testes periódicos de sangue para avaliação da creatinina e
cálculo da taxa de filtração glomerular;
- Fazer exame de urina para pesquisa de albuminúria ou proteinúria;
- Manter o controle adequado da glicemia;
- Controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol;
- Tratar o excesso de peso e a obesidade;
- Não fumar;
- Evitar a automedicação, especialmente com anti-inflamatórios;
- Manter acompanhamento médico regular e multiprofissional.
Informação e prevenção salvam rins
Diante do avanço dos casos, o especialista reforça um alerta:
investir em prevenção é a melhor estratégia para evitar complicações graves.
"O diabetes não deve ser visto apenas como uma doença
relacionada à glicose. Ele pode afetar diversos órgãos ao longo do tempo, e os
rins estão entre os mais vulneráveis. A boa notícia é que hoje temos exames,
tratamentos e estratégias capazes de proteger a função renal. O mais importante
é não esperar os sintomas aparecerem para começar a cuidar da saúde dos
rins", conclui Bruno Zawadzki.
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