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| Sinergia animal gerado por IA |
Enquanto a Seleção Brasileira busca uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo, a Noruega já é referência mundial em legislação para proteger animais criados para produção de alimentos.
Brasil e Noruega
entram em campo neste domingo, dia 05, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
A expectativa é de um confronto equilibrado, com milhões de brasileiros
torcendo pela classificação da Seleção.
Mas existe outra
disputa entre os dois países que acontece longe dos gramados — e, nessa, a
Noruega já está vários passos à frente.
O Animal
Protection Index (API), considerado uma das principais
referências internacionais na avaliação das políticas públicas de proteção
animal, classifica os países em faixas que vão de A (melhor
desempenho) a G (pior desempenho). Na edição mais recente, a Noruega
recebeu nota B, figurando entre os países com legislação mais
avançada para proteger animais, enquanto o Brasil recebeu nota D, refletindo
a permanência de práticas de confinamento intensivo e a necessidade de avanços
na proteção de animais criados para produção de alimentos.
"Quando
pensamos em Brasil e Noruega, a primeira imagem que vem à cabeça é um jogo de
futebol. Mas existe outro placar que merece atenção: o da proteção aos animais
criados para produção de alimentos. Países como a Noruega demonstram que é
possível produzir com padrões mais elevados de proteção animal sem abrir mão da
competitividade", afirma Cristina Diniz, diretora geral da Sinergia Animal
no Brasil.
Enquanto o Brasil ainda mantém porcas em gaiolas, a Noruega exige criação em grupo
Um dos exemplos
mais claros dessa diferença está na produção de carne suína.
No Brasil, milhões
de porcas passam semanas confinadas em gaiolas individuais tão estreitas que
impedem até mesmo que os animais se virem livremente. Embora diversas empresas
tenham anunciado compromissos para abandonar esse sistema, parte desses
cronogramas foi adiada ou ainda não saiu do papel.
Na Noruega, a realidade
é diferente. A legislação exige que porcas gestantes sejam criadas em grupos,
restringindo o confinamento permanente em gaiolas. A medida busca garantir
liberdade de movimento e permitir comportamentos naturais durante a gestação,
reduzindo problemas físicos e comportamentais associados ao confinamento
extremo.
A Noruega também
decidiu abandonar frangos de crescimento ultrarrápido
Outro exemplo vem
da avicultura.
A indústria
norueguesa anunciou que eliminará, até 2027, as linhagens de frangos de crescimento
ultrarrápido, animais selecionados geneticamente para atingir o peso de abate
em poucas semanas, condição associada a problemas locomotores, cardiovasculares
e outras complicações de saúde.
Enquanto isso,
esse modelo continua predominante no Brasil.
A decisão coloca a
Noruega entre os países que vêm revisando seus sistemas produtivos para reduzir
o sofrimento dos animais e acompanhar uma demanda crescente de consumidores,
investidores e varejistas por práticas mais responsáveis.
O jogo que
continua depois do apito final
Nas últimas
décadas, a proteção aos animais deixou de ser uma pauta restrita às
organizações da sociedade civil. Hoje, ela faz parte das discussões sobre
sustentabilidade, segurança alimentar, transparência e responsabilidade corporativa.
Diversos países
vêm atualizando suas legislações para restringir práticas de confinamento
extremo e incentivar sistemas de criação mais compatíveis com as necessidades
dos animais.
No Brasil, esse
movimento também começou. Empresas anunciaram compromissos para eliminar
gaiolas para galinhas poedeiras e porcas reprodutoras, mas muitos desses
compromissos seguem sem implementação ou tiveram seus prazos prorrogados.
"O Brasil é
uma potência mundial na produção de alimentos. Justamente por isso, também pode
ser uma referência em sistemas de produção que respeitem mais os animais. Os
exemplos internacionais mostram que essa transição não só é possível como já
está acontecendo", afirma Cristina.
No domingo, a
torcida brasileira espera comemorar uma vitória dentro de campo.
Quando o juiz
apitar o fim da partida, permanecerá um desafio ainda maior: fazer com que o
Brasil avance também na forma como trata milhões de animais criados para
produção de alimentos.
Porque esse é um
jogo que continua muito além dos 90 minutos.

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