Movimento conhecido como career cushioning cresce entre profissionais que buscam aumentar a segurança diante das incertezas do mercado de trabalho
Atualizar o currículo sem estar procurando emprego, investir em
cursos de capacitação, ampliar o networking e acompanhar vagas abertas se
tornaram hábitos cada vez mais comuns entre profissionais empregados.
O comportamento ganhou um nome no mercado internacional: career
cushioning. Em tradução livre, o conceito representa a construção de uma rede
de proteção profissional para enfrentar possíveis mudanças no emprego ou no
cenário econômico.
A tendência ganhou força nos últimos anos em meio às
transformações aceleradas do mercado de trabalho, impulsionadas pela
digitalização, pelas novas formas de contratação e pelo avanço da inteligência
artificial.
Para Monize Oliveira, Gerente Sênior de Marketing e Comunicação da
Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o movimento não deve ser interpretado
como falta de comprometimento dos profissionais com as empresas onde trabalham
atualmente.
“O que observamos é uma postura mais estratégica em relação à
própria carreira. Os profissionais entenderam que a empregabilidade precisa ser
construída continuamente e não apenas quando surge uma necessidade urgente de
recolocação”, afirma.
Segundo a executiva do Infojobs, o conceito de estabilidade passou
por uma transformação importante nos últimos anos. Em vez de associar segurança
à permanência em uma única empresa, muitos trabalhadores passaram a
relacioná-la à capacidade de gerar novas oportunidades.
Essa mudança explica o aumento da procura por cursos de
especialização, certificações, eventos profissionais e iniciativas de
networking. O objetivo é manter a competitividade em um mercado cada vez mais
dinâmico.
Esse cenário também reflete uma exigência crescente das próprias
empresas, que cobram dos profissionais reinvenção constante diante das
transformações do mercado. Como consequência, os trabalhadores têm ampliado sua
visão sobre as possibilidades profissionais, enxergando oportunidades que vão
além do emprego atual.
“Quem investe constantemente em aprendizado, relacionamento e
atualização profissional tende a responder melhor às mudanças do mercado. O
plano B deixou de ser uma alternativa emergencial e passou a fazer parte da
gestão da carreira”, diz.
A tendência indica uma mudança cultural relevante. “Em vez de
reagir apenas quando enfrentam um problema profissional, os trabalhadores estão
adotando uma postura preventiva, construindo caminhos alternativos antes mesmo
de precisarem deles”, conclui Monize.
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