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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Ter um plano B deixou de ser exceção e virou estratégia de carreira, afirma especialista do Infojobs

Movimento conhecido como career cushioning cresce entre profissionais que buscam aumentar a segurança diante das incertezas do mercado de trabalho

 

Atualizar o currículo sem estar procurando emprego, investir em cursos de capacitação, ampliar o networking e acompanhar vagas abertas se tornaram hábitos cada vez mais comuns entre profissionais empregados. 

O comportamento ganhou um nome no mercado internacional: career cushioning. Em tradução livre, o conceito representa a construção de uma rede de proteção profissional para enfrentar possíveis mudanças no emprego ou no cenário econômico. 

A tendência ganhou força nos últimos anos em meio às transformações aceleradas do mercado de trabalho, impulsionadas pela digitalização, pelas novas formas de contratação e pelo avanço da inteligência artificial. 

Para Monize Oliveira, Gerente Sênior de Marketing e Comunicação da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o movimento não deve ser interpretado como falta de comprometimento dos profissionais com as empresas onde trabalham atualmente. 

“O que observamos é uma postura mais estratégica em relação à própria carreira. Os profissionais entenderam que a empregabilidade precisa ser construída continuamente e não apenas quando surge uma necessidade urgente de recolocação”, afirma. 

Segundo a executiva do Infojobs, o conceito de estabilidade passou por uma transformação importante nos últimos anos. Em vez de associar segurança à permanência em uma única empresa, muitos trabalhadores passaram a relacioná-la à capacidade de gerar novas oportunidades. 

Essa mudança explica o aumento da procura por cursos de especialização, certificações, eventos profissionais e iniciativas de networking. O objetivo é manter a competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico. 

Esse cenário também reflete uma exigência crescente das próprias empresas, que cobram dos profissionais reinvenção constante diante das transformações do mercado. Como consequência, os trabalhadores têm ampliado sua visão sobre as possibilidades profissionais, enxergando oportunidades que vão além do emprego atual. 

“Quem investe constantemente em aprendizado, relacionamento e atualização profissional tende a responder melhor às mudanças do mercado. O plano B deixou de ser uma alternativa emergencial e passou a fazer parte da gestão da carreira”, diz. 

A tendência indica uma mudança cultural relevante. “Em vez de reagir apenas quando enfrentam um problema profissional, os trabalhadores estão adotando uma postura preventiva, construindo caminhos alternativos antes mesmo de precisarem deles”, conclui Monize.


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