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sábado, 4 de julho de 2026

Meta diz remover 92% da nudez antes de denúncias, mas perfis seguem ativos

Apesar das regras internas da plataforma e das exigências do ECA Digital, vídeos pornográficos seguem circulando no Reels e alcançando até contas simuladas como de menores de idade.

 

Perfis com conteúdo pornográfico continuam ativos no Instagram, acumulando milhões de visualizações e driblando sistemas de moderação da plataforma, apesar das regras internas que proíbem esse tipo de material e de legislações mais rígidas voltadas à proteção de menores. 

Os conteúdos circulam principalmente pelo Reels, área de vídeos curtos impulsionada por algoritmos de recomendação. Em muitos casos, aparecem para usuários que não seguem os perfis, ampliando o alcance mesmo sem interação direta com as contas de origem. 

Além da pornografia explícita, parte das publicações inclui links externos suspeitos, com risco de direcionamento a páginas maliciosas. Testes indicam que alguns desses conteúdos também chegam a contas simuladas como menores de idade, o que contraria normas de proteção infantil — num cenário em que 73% dos menores brasileiros já mantêm perfis ativos em redes sociais, índice que chega a 91% entre adolescentes, segundo levantamento do Projeto Brief com a plataforma Swayable, realizado com 1.800 pais e responsáveis de todo o país. 

A Meta afirma que remove 92% dos conteúdos com nudez antes de denúncias de usuários e que utiliza sistemas automatizados para identificar violações. Em nota, a empresa diz não ter interesse na manutenção de conteúdos que infrinjam suas políticas e reforça o uso de tecnologia para moderação. 

No Brasil, o ECA Digital obriga plataformas a adotarem mecanismos para impedir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos pornográficos. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados afirma que há infração quando medidas razoáveis não são aplicadas de forma eficaz. Ainda assim, o desconhecimento é alto: apenas 36% dos pais já ouviram falar do ECA Digital. 

O impacto emocional já aparece nos lares: 46% dos pais percebem nos filhos problemas ligados ao uso das redes. “Estamos falando de uma geração que cresce em ambientes digitais altamente estimulantes, com pouca mediação e grande capacidade de impactar autoestima, comportamento e relações. O risco não está apenas no conteúdo extremo, mas no uso cotidiano, que pode afetar o desenvolvimento emocional”, diz Karen Scavacini, psicóloga, especialista em saúde mental e fundadora do Instituto Vita Alere.
  


Karen Scavacini - psicóloga e pesquisadora, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundou em 2013 o Instituto Vita Alere, pioneiro em posvenção e saúde mental digital no Brasil. Representa o país na International Association for Suicide Prevention (IASP) e é membro fundadora da ABEPS. Sua atuação combina ambientes digitais, educação emocional e pesquisa aplicada em saúde mental.
 

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