Fadiga intensa, indisposição e falta de concentração podem estar relacionadas à perda de ferro durante a menstruação
Sentir um pouco mais de indisposição durante o período menstrual é
relativamente comum. No entanto, quando o cansaço se torna intenso, frequente e
persiste mesmo após o fim do ciclo, pode ser um sinal de alerta para condições
como deficiência de ferro ou anemia.
A menstruação representa uma perda natural de sangue e,
consequentemente, de ferro, mineral essencial para a produção de hemoglobina,
responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. Em mulheres com fluxo
menstrual intenso ou prolongado, esse impacto pode ser ainda maior.
De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da
Carnot Laboratórios, muitas mulheres normalizam sintomas que merecem
investigação. “Cansaço persistente, falta de energia, dificuldade de
concentração, palidez e queda de cabelo são sinais frequentemente associados
apenas à rotina ou ao período menstrual, mas podem indicar deficiência de
ferro”, explica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% das mulheres
entre 15 e 49 anos no mundo apresentam anemia, sendo a deficiência de ferro a
principal causa. Mulheres em idade reprodutiva estão entre os grupos mais
vulneráveis justamente devido às perdas menstruais recorrentes e ao aumento das
demandas fisiológicas ao longo da vida.
Dados do Ministério da Saúde também apontam a anemia ferropriva
como uma das deficiências nutricionais mais comuns entre mulheres brasileiras,
especialmente em fases como adolescência, idade fértil, gestação e pós-parto.
Além do fluxo intenso, outros fatores podem contribuir para níveis
baixos de ferro, como alimentação inadequada, baixa absorção intestinal, dietas
restritivas e condições ginecológicas que causam sangramento aumentado.
Quando não tratada, a deficiência de ferro pode afetar não apenas
a disposição física, mas também imunidade, desempenho cognitivo e qualidade de
vida. Em casos mais avançados, pode causar falta de ar, palpitações e tonturas
frequentes.
A investigação costuma ser feita por meio de avaliação clínica e
exames laboratoriais, permitindo identificar tanto a deficiência quanto sua
causa. O tratamento varia de acordo com o quadro individual e pode incluir
ajustes alimentares e suplementação sob orientação médica.
A recomendação é observar padrões. Se o cansaço se repete todos os
meses, piora durante ou após a menstruação ou interfere na rotina, vale buscar
avaliação profissional.
Nem todo cansaço menstrual deve ser considerado normal. Ouvir os
sinais do corpo é fundamental para prevenir deficiências nutricionais e
garantir mais qualidade de vida ao longo do ciclo feminino.

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