Entenda como
identificar seu padrão de apego e veja dicas práticas para se relacionar de
forma mais segura e estável
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Talvez você já tenha passado por aquele momento da
vida em que deseja muito conhecer alguém, compartilhar intimidade e viver um vínculo
profundo. Até que finalmente se apaixona... e o que era fantasia vira real. Ou
melhor, imperfeito. Mas como lidar com a realidade das frustrações?
Algo se desorganiza quando a paixão surge: deixamos
de investir apenas em nós para dividir com o outro. A pessoa se torna objeto de
desejo, mas também acende um alerta interno. É aí que o nosso estilo de
apego
começa a ficar mais evidente.
No início, isso pode aparecer de forma sutil:
dúvidas sobre a relação, pensamentos excessivos, vontade de se afastar ou a
sensação de estar preso. Em outros momentos, acontece o oposto: você se entrega
rápido demais e tenta garantir a presença a qualquer custo.
Mas o que está por trás disso?
O que faz tantos de nós sabotar o amor antes mesmo que ele tenha a chance de
florescer?
A teoria do apego ajuda a entender como nos
vinculamos e reagimos em relacionamentos. Desenvolvida por John Bowlby, ela mostra que os
vínculos da infância servem como modelo para a forma como nos relacionamos ao
longo da vida.
Existem quatro estilos de apego com características
comuns, mas ninguém se encaixa totalmente em apenas um. O apego é um espectro,
pode mudar com o tempo e costuma aparecer com mais força em situações de medo,
mudança ou conflito.
Com qual deles você mais se
identifica hoje?
Ansioso: pessoas com apego ansioso tendem a se ver de forma negativa e
idealizar o outro. Têm medo intenso de abandono e, por isso, buscam constante
segurança, validação e confirmação de amor. Diante de dúvidas, podem se tornar mais
dependentes, exigentes e preocupadas com a relação.
Dica prática: antes de buscar confirmação, faça uma pausa de 10 minutos e se pergunte: “tenho evidências reais ou é o medo falando?”. Também pratique comunicar suas necessidades de forma direta.
Evitativo: tendem a se ver de forma positiva e a enxergar os outros com mais
desconfiança. Valorizam muito a independência e a autossuficiência emocional,
acreditando que não precisam de um relacionamento para se sentir completas. Por
isso, evitam depender dos outros ou permitir que dependam delas, raramente
buscando apoio ou acolhimento.
Dica prática: compartilhe um sentimento ou pensamento por dia com alguém de
confiança; comece com passos pequenos para treinar a própria vulnerabilidade
sem se sobrecarregar.
Desorganizado: oscilam entre aproximação e afastamento. Desejam intimidade, mas
também sentem medo, o que gera comportamentos confusos, dificuldade em confiar,
instabilidade nas relações e receio de se machucar. Podem agir de forma
ambivalente, buscando o outro e, logo depois, se fechando para se
proteger.
Dica prática: quando sentir vontade de se afastar ou se aproximar impulsivamente,
nomeie a emoção (“estou com medo de...”), respire fundo e espere cinco minutos
antes de agir.
Seguro: os três estilos de apego anteriores (ansioso, evitativo e
desorganizado) são considerados inseguros, pois dificultam a formação e
manutenção de vínculos saudáveis. Em contraste, o apego seguro sente-se confortável com a
intimidade, confia no outro e permite relações mais equilibradas.
Dica prática: mantenha o equilíbrio checando regularmente: “estou sendo claro sobre o
que sinto e preciso?”; pratique validação mútua e combine limites de forma
aberta.
A boa notícia é que o apego não é fixo. Novas
vivências sempre podem transformar esses padrões. As experiências ao longo da
adolescência e vida adulta podem ajudar a modificar e fortalecer os estilos de
apego, mesmo que um lado inseguro tenha sido estabelecido na infância. Também
vale ressaltar que a maturidade nos torna mais seguros e autoconfiantes, e a forma
como vivemos nossos afetos pode migrar de um tipo para o outro. 
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Não devemos ver esse mapa do apego como algo
engessado, mas como um guia para compreender um pouco mais sobre nós mesmos e
aprender a estar com outro de uma forma segura e estável.
Danielle Vieira - psicóloga e psicanalista, pesquisadora
dos afetos e das relações contemporâneas, mestre pela UMinho (PT), fundadora do
IIPB e autora do livro “Amor moderno: o nosso mundo evitativo” (Editora
Labrador).
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