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sexta-feira, 3 de julho de 2026

9 infecções comuns do diabetes e por que elas ocorrem

Pacientes com diabetes são mais suscetíveis a infecções bacterianas e fúngicas

 

Uma das principais preocupações de quem convive com o distúrbio metabólico é a propensão ao desenvolvimento de quadros infecciosos. Normalmente, eles afetam os pulmões, a pele, o trato urinário, entre outras estruturas, e, quando não tratadas corretamente, colocam a vida em risco.


Por que infecções no diabetes ocorrem?

A hiperglicemia é uma das características do distúrbio metabólico e acarreta uma série de complicações, como a vulnerabilidade do corpo a bactérias, fungos e vírus. Além disso, as infecções preocupam porque desencadeiam processos que contribuem para o descontrole glicêmico – o que prejudica o tratamento e potencializa o desenvolvimento de complicações.  

Ou seja, ao mesmo tempo que a elevação ou queda dos níveis de glicose no organismo favorece infecções, os processos infecciosos também alteram e dificultam o controle do diabetes. Pensando nisso, Thaisa Helena de Paula, endocrinologista, do dr.consulta lista abaixo infecções comuns  e por que elas ocorrem.


As infecções associadas ao diabetes



1. Influenza

A gripe é uma das infecções agudas possíveis, conforme explica a Secretária de Saúde do Paraná. Causa febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e na cabeça, mal-estar, prostração e, em alguns casos, vômito, diarreia, rouquidão e olhos avermelhados. A vacinação contra o vírus da influenza é fundamental para a proteção do organismo, especialmente em pessoas com diabetes.

 

2. Tuberculose

A Secretaria de Saúde da Bahia reforça que diabéticos têm de duas a três vezes mais chances de apresentar a patologia do que a população em geral. Os sintomas da tuberculose são: tosse por 3 semanas ou mais, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso, segundo o Ministério da Saúde. Sua principal forma de prevenção é pela vacina BCG – aplicadas, preferencialmente, ao nascer ou em crianças com até 5 anos.

 

3. Pneumonia pneumocócica

Segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm), o risco de infecção dos pulmões em pessoas com diabetes é 50% maior. Assim como outros tipos de pneumonia, a pneumocócica causa febre alta, tosse seca ou com catarro, dificuldade respiratória, dor no tórax e na cabeça. O quadro pode levar à hospitalização do paciente, inclusive em unidades de terapia intensiva.  

Vacinas, como a Conjugada ou a de Polissacarídeos, são destinadas a crianças e idosos acima de 65 anos e adultos imunocomprometidos ou com condições crônicas, respectivamente.

 

4. Infecções urinárias

O trato urinário é comumente afetado pelo distúrbio metabólico, sendo a nefropatia diabética uma das complicações geradas pelo distúrbio metabólico. São frequentes também os casos de infecções na região. Segundo estudo realizado no México, pessoas com diabetes tipo 1 apresentam maior frequência de pielonefrite (infecção nos rins); já o tipo 2 aumenta as chances de cistite bacteriana (infecção causada na bexiga por bactéria).  

De acordo com a Secretaria de Saúde do Ceará, algumas medidas contribuem para a prevenção: não deixar de beber água (o recomendado é de 35mL por quilo de peso da pessoa), urinar sempre que sentir vontade (não segurar o xixi).  

No caso de mulheres, a recomendação da Secretaria de Saúde do Amazonas é que se evite vestir roupas muito apertadas na região genital, urinar após relações sexuais, além de evitar a ducha higiênica e limpar com papel higiênico – fazendo movimentos de frente para trás e nunca ao contrário para evitar o contágio de bactérias na região anal.

 

5. Candidíase

Conforme a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, é comum mulheres com diabetes desenvolverem candidíase – cujos sintomas são: corrimento branco, vermelhidão, dor ao urinar e no ato sexual. A infecção fúngica não se restringe à região genital, aponta o Conselho Federal de Odontologia, sendo observada sua ocorrência na boca também. De acordo com o Ministério da Saúde, a candidíase oral causa placas cremosas e esbranquiçadas na boca (língua, gengivas e demais estruturas), além de aftas. A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais recomenda as seguintes práticas para a prevenção da infecção: 

·  evitar o compartilhamento de talheres e outros objetos que vão à boca;

·  manter uma boa higiene bucal;

·  manter roupas íntimas limpas e secas.


6. Periodontites

A saúde bucal também é prejudicada pelo diabetes. Neste caso, a hiperglicemia não só afeta a resposta imunológica, como também diminui a produção de saliva – o que altera o pH da saliva e prejudica mecanismos naturais de higienização da boca, como aponta a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Consequentemente, é comum que pacientes desenvolvam periodontite – um agravamento da gengivite, que pode ter formação de pus. Para evitar esse tipo de infecção, é importante não só manter a higiene bucal, mas também:

·  cuidar da alimentação, priorizando uma dieta saudável;

·  evitar o tabagismo e o consumo de álcool em excesso;

·  realizar avaliações odontológicas periodicamente.

 

7. Pé diabético

Consiste na presença de úlceras, lesões infecciosas e destruição dos tecidos dos pés. Cerca de um quarto das pessoas com o distúrbio metabólico desenvolvem a condição, informa a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) – e muitos podem ter o membro amputado. Os sintomas variam conforme o tipo de complicação, mas normalmente incluem alteração na temperatura da região (mais quente ou mais frio), na textura da pele, formação de úlceras, entre outros sinais. 

A prevenção do pé diabético envolve os cuidados com a higiene dos pés, usar calçados e meias adequadas e estar sempre atento a possíveis machucados que não cicatrizam.

 

8. Fasciíte necrotizante

De ordem bacteriana e considerada grave, afeta a fáscia (tecido que reveste e une órgãos, vasos sanguíneos, ossos, músculos e fibras nervosas do corpo) em regiões como abdômen, períneo e membros do corpo.  Segundo estudo publicado na Revista Científica da Faculdade de Medicina de Campos, o quadro é marcado por dor intensa, edema (inchaço), rápida progressão, necrose do tecido atingido e resposta ruim a antibióticos.  

A condição causa a destruição rápida e irreversível dos tecidos, o que pode levar à amputação dos membros atingidos ou ao óbito. Por isso, o diagnóstico precoce é a melhor estratégia de condução do caso. 

A bactéria Streptococcus é a principal responsável pela infecção. Não existe vacina para prevenção, informa o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos. Ainda assim, alguns hábitos podem ajudar a evitar o quadro: 

·  lavar as mãos, especialmente após tossir, espirrar e antes de comer ou cozinhar;

·  higienizar, monitorar e proteger feridas com produtos específicos;

·  em casos de infecção, evitar nadar em piscinas, lagos, rios e mares. É importante tratá-la corretamente também (sendo necessário o uso de medicamento prescrito por médico).


9. Síndrome de Fournier

Rara, a condição atinge a fáscia do períneo, tecido que reveste a musculatura da região perineal, área entre o ânus e o pênis – ou a vagina. Pode ocorrer em diferentes faixas de idade, desde a infância até que a pessoa se torne idosa. O paciente pode sentir dor intensa e observar bolhas, escaras, manchas e inchaço na região perineal (podendo se estender para a coxa), informa artigo da Revista de Medicina da Universidade de São Paulo. Em alguns casos, há secreção com odor. 

É tida como uma emergência urológica e sua evolução é extremamente rápida (a cada hora, cerca de 2,54 centímetros da fáscia são comprometidos), segundo estudo publicado no periódico Trauma e Emergência. Pode evoluir para a sepse, choque séptico e óbito em 40% dos casos.

 

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