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Nem sempre as mudanças provocadas pelo tempo
aparecem primeiro no rosto. Para muitas mulheres, elas surgem de forma mais silenciosa:
uma sensação diferente ao vestir determinadas roupas, a percepção de que a pele
da região íntima perdeu firmeza ou até um desconforto que antes não existia. Embora
pouco comentadas fora dos consultórios, essas transformações fazem parte do
envelhecimento natural do corpo e têm levado cada vez mais mulheres a buscar
alternativas para cuidar da saúde íntima.
Nesse cenário, os bioestimuladores de colágeno vêm
ganhando espaço como uma das principais alternativas de autocuidado. O
procedimento estimula a produção natural de colágeno na região genital,
promovendo melhora gradual da firmeza, da sustentação e da qualidade da pele. O
interesse acompanha uma mudança de comportamento: segundo a Grand View
Research, mulheres entre 30 e 40 anos representam 42,3% da demanda global por
procedimentos de rejuvenescimento íntimo, mostrando que a demanda já não está
restrita às fases mais avançadas do envelhecimento.
"A mulher tem buscado qualidade de vida de
forma integral. Hoje ela entende que a região íntima também envelhece e que
existem recursos para preservar a saúde dos tecidos, sempre com indicação
médica adequada", explica a ginecologista e especialista em cirurgia
íntima Dra. Mariana Macedo.
O que é o rejuvenescimento
íntimo?
O rejuvenescimento íntimo reúne procedimentos que
ajudam a recuperar características da região genital modificadas pelo
envelhecimento, pelas alterações hormonais e pelo pós-parto. Entre as principais
queixas estão a flacidez, a perda de volume e as mudanças na qualidade da pele.
Essas alterações fazem parte da vida de muitas
mulheres. De acordo com o StatPearls/NCBI (2024), entre 40% e 54%
das mulheres após a menopausa convivem com sintomas da Síndrome Geniturinária
da Menopausa (SGM), como ressecamento vaginal, perda de elasticidade e dor
durante as relações sexuais.
Segundo Dra. Mariana, embora os bioestimuladores
não tratem todas essas condições, eles atuam justamente na regeneração dos
tecidos. "Com o passar dos anos, a produção de colágeno diminui
naturalmente. Isso faz com que a pele perca espessura e sustentação. Ao
estimular a formação de novas fibras, conseguimos melhorar a qualidade tecidual
e favorecer uma regeneração gradual da região", afirma.
Como os bioestimuladores
funcionam?
Os bioestimuladores diferem dos preenchedores
porque não promovem volume imediato. Sua função é estimular o organismo a
produzir novas fibras de colágeno, o que fortalece a estrutura da pele ao longo
dos meses e proporciona resultados progressivos e naturais.
"O objetivo não é alterar a anatomia da paciente,
mas recuperar características que foram sendo perdidas ao longo do tempo.
Trabalhamos a qualidade da pele e a sustentação dos tecidos, respeitando a
individualidade de cada mulher", explica a especialista.
O tratamento costuma ser indicado para mulheres que
apresentam flacidez dos grandes lábios, perda de volume relacionada ao
envelhecimento ou alterações após a gestação e a menopausa. Não por acaso,
envelhecimento e pós-parto respondem por 43,9% da demanda global por
tratamentos de rejuvenescimento íntimo, segundo levantamento da Grand View
Research.
A profissional ressalta que, embora a aparência
seja uma das motivações para procurar o procedimento, os benefícios vão além: a
melhora da qualidade da pele proporciona mais conforto no dia a dia, reduz o
incômodo causado pela flacidez e fortalecer a autoestima.
Antes de realizar qualquer procedimento, a
especialista reforça a importância de uma avaliação individualizada. Idade,
alterações hormonais, histórico clínico e características anatômicas precisam
ser considerados para definir a indicação e a técnica mais adequada. "O
rejuvenescimento íntimo não segue uma receita pronta. Cada paciente apresenta
necessidades diferentes, e um bom resultado depende de um planejamento
cuidadoso e de acompanhamento médico especializado", conclui.

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