- 33% dos profissionais da geração Z já têm ou estão
considerando adotar uma atividade paralela para aumentar a segurança financeira
(48%) 
Eliott Reyna
Unsplash
- 65% afirmam que enfrentar longos deslocamentos diários tornaria menos atrativa a busca por empreendedorismo ou por múltiplas fontes de renda
- 43% mudaram de atividade duas ou três vezes nos últimos três anos, com 30% citando a busca por um salário mais alto como principal motivação
- 55% acreditam que a IA irá remodelar as suas carreiras, acelerando a transição para trajetórias profissionais mais diversificadas
Uma nova pesquisa do International Workplace Group (IWG)*, a
maior plataforma global especializada em espaços de trabalho flexíveis, mostra
que os profissionais da geração Z estão repensando as suas carreiras e adotando
trajetórias flexíveis, orientadas por IA e com múltiplas fontes de renda, com o
objetivo de ampliar o potencial de renda no longo prazo.
A IA não representa apenas mais um avanço tecnológico, ela
faz parte de uma das transformações mais profundas na forma como vivemos e
trabalhamos nas últimas décadas. O ritmo dessa transformação é extraordinário,
com atividades inteiras sendo reformuladas em tempo real e novas ocupações
surgindo na mesma velocidade. Como resultado, os profissionais mais jovens
estão cada vez mais se afastando de carreiras lineares tradicionais em favor
das chamadas “carreiras portfólio”, mais ágeis e diversificadas, que combinam
múltiplas funções, atividades paralelas e iniciativas empreendedoras.
A pesquisa do IWG sugere que um novo modelo de carreira está
emergindo, em que o sucesso depende cada vez menos apenas de habilidades
técnicas e cada vez mais de adaptabilidade, visão empreendedora e da capacidade
de acompanhar tecnologias em rápida evolução.
Realizado com profissionais da geração Z no Reino Unido, o
estudo mostra que 33% já possuem ou consideram adotar uma atividade paralela,
enquanto quase metade afirma ser motivada pela necessidade de gerar renda extra
e conquistar maior segurança financeira diante do aumento do custo de vida, da
inflação e das dívidas estudantis.
A ascensão das carreiras portfólio
Em vez de depender de um único empregador ou atividade, a
geração Z está cada vez mais construindo “carreiras portfólio”, combinando
múltiplas fontes de renda para se preparar para um cenário econômico e
tecnológico incerto. Essa mudança está diretamente ligada à crescente
influência da IA, com 55% acreditando que ela irá remodelar as suas carreiras.
Em resposta, jovens profissionais estão desenvolvendo proativamente novas
habilidades e diversificando as suas fontes de renda para se manterem
preparados para as constantes mudanças no mercado de trabalho.
Essa tendência também reflete uma mudança mais ampla no
futuro do trabalho: com a IA assumindo cada vez mais tarefas técnicas e
repetitivas, capacidades humanas como criatividade, colaboração, adaptabilidade
e liderança tornam-se ainda mais valiosas. Nesse contexto, 90% dos líderes de
RH afirmam que não priorizar capacidades humanas representa um risco para a
inovação, enquanto 65% dizem que a IA não consegue replicar a empatia humana e
53% afirmam que a liderança continua sendo algo exclusivamente humano.**
Mobilidade profissional guiada pelo potencial de renda
O potencial de renda continua sendo um fator central na
mobilidade profissional. Entre aqueles que mudaram de atividade nos últimos
três anos, 30% dizem que a principal motivação foi garantir um salário maior e
43% mudaram duas ou três vezes nesse período. No entanto, a geração Z não está
apenas buscando crescimento dentro de estruturas de carreira tradicionais. Em
vez disso, muitos estão adotando o conceito de “career lily pads”, “saltos
estratégicos de carreira” em tradução livre, que envolve transitar
estrategicamente entre atividades, setores e projetos para aumentar o potencial
de ganhos e se preparar melhor para compromissos financeiros como aluguel,
contas e pagamento de empréstimos estudantis.
A geração Z não aceita mais longos deslocamentos diários
Entre os trabalhadores mais jovens, a rotina de longos
deslocamentos já é vista, cada vez mais, como algo ultrapassado. Muitos querem
trabalhar mais perto de casa, em espaços profissionais, com o apoio de
tecnologias que permitam colaborar, fazer networking e desenvolver as suas
carreiras sem passar horas em deslocamento todos os dias. 65% dos profissionais
da geração Z afirmam que a necessidade de enfrentar longos deslocamentos
diários reduziria o interesse em empreender ou buscar fontes adicionais de
renda.
O trabalho híbrido e flexível está permitindo essa mudança
ao oferecer maior controle sobre o próprio tempo. 24% afirmam que o trabalho
híbrido reduz o tempo gasto em deslocamentos, liberando horas que podem ser
direcionadas a projetos pessoais ou à geração de renda extra. Outros 20% dizem
que o modelo híbrido permite testar novos caminhos profissionais sem abandonar
a sua atividade principal, enquanto 21% afirmam que ele possibilita colaborar com
profissionais fora do seu setor principal de atuação.
A tendência de abandonar os longos deslocamentos diários
também ganha força com a próxima geração que ingressará no mercado de trabalho.
Uma pesquisa adicional do IWG mostra que três quartos (75%) da geração alfa
(com idades entre 11 e 17 anos) afirmam que eliminar o tempo desperdiçado em
deslocamentos será um fator fundamental na forma como irão organizar a sua
rotina de trabalho no futuro.***
A busca por trabalhar mais perto de casa vem impulsionando o
crescimento acelerado de espaços profissionais localizados fora dos grandes
centros corporativos. O IWG adicionou mais de 1.100 unidades em 2025 e
registrou a maior receita da sua história, acompanhando o crescimento da
demanda por espaços de trabalho flexíveis em regiões residenciais e cidades
menores.
“A geração Z está entrando no mercado de trabalho num
momento de transformações profundas. Com a IA transformando rapidamente setores
e atividades profissionais, esses jovens estão se adaptando por meio do
desenvolvimento de novas habilidades, da diversificação de fontes de renda e da
criação de carreiras portfólio, que ampliam o seu valor no mercado. Trata-se de
uma geração ambiciosa e trabalhadora e formas mais flexíveis de trabalho estão
ajudando esses profissionais a alcançar um potencial ainda maior. Ao reduzir
longos deslocamentos diários e permitir que as pessoas trabalhem mais perto de
casa, essa flexibilidade oferece aos jovens profissionais a possibilidade de se
qualificar, colaborar e acessar novas oportunidades”, afirma Tiago Alves, CEO
do IWG no Brasil.
Os resultados também dialogam diretamente com mercados como
o Brasil. A pesquisa Gen Z & Millennial 2026, da Deloitte no Brasil, mostra
que os profissionais mais jovens estão priorizando estabilidade financeira e
bem-estar, ao mesmo tempo em que reconhecem cada vez mais a necessidade de se
adaptar às transformações tecnológicas e incorporar ferramentas como a IA nas
suas rotinas profissionais.
International Workplace Group - IWG
*Pesquisa realizada com 1.000 profissionais da geração Z no Reino Unido em fevereiro de 2026 pela Censuswide Research. A Censuswide é credenciada pela Market Research Society (MRS) e a pesquisa seguiu as diretrizes da MRS.
**Pesquisa realizada com 510 profissionais responsáveis por RH e contratação nos Estados Unidos em abril de 2026.
***Pesquisa realizada para o IWG pela Beano Brain, agência especializada em insights sobre crianças e famílias, com 1.000 crianças de 11 a 17 anos e 1.000 pais de crianças de 11 a 17 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos (500 por mercado).
Nenhum comentário:
Postar um comentário