Pesquisar no Blog

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Muito além da torcida: Copa do Mundo reforça a importância de proteger a audição infantil

Especialista da ABORL-CCF explica porquê protetores auriculares são aliados das crianças em ambientes ruidosos e orienta sobre os principais cuidados com os ouvidos

 

Além de bons jogos e gols bonitos, a Copa do Mundo também tem mostrado a preocupação de pais e responsáveis com os ouvidos das crianças. Em um dos jogos foi possível ver a pequena Mavie, filha do jogador, Neymar Jr., com um protetor auricular, parecido com um “fone de ouvido”. A medida é importante, mas a chamada proteção auditiva deve vir acompanhada de outros cuidados para preservar a saúde dos ouvidos desde os primeiros anos de vida. 

Segundo o otorrinolaringologista e otologista, Dr. Fernando Balsalobre, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a infância é uma fase decisiva para o desenvolvimento da audição e da linguagem, sendo que proteger os ouvidos das crianças não significa apenas evitar sons muito altos, mas também prevenir infecções, evitar traumas e estimular hábitos saudáveis de escuta para reduzir o risco de perda auditiva ao longo da vida. “A preocupação é ainda maior porque a exposição frequente a sons intensos pode causar danos permanentes às células da audição, especialmente quando ocorre por longos períodos ou em volumes elevados.”

 

Principais problemas

O uso de fones de ouvido é um dos principais pontos de atenção, por envolver a questão do volume e o tempo de exposição e, dentre as doenças e alterações mais frequentes, o especialista cita as otites (infecções de ouvido), bastante comuns na infância e que podem provocar dor, febre, irritabilidade e redução temporária da audição; o acúmulo excessivo de cerume, que pode causar sensação de ouvido tampado, desconforto e diminuição da audição; a perda auditiva induzida por ruído, que está relacionada à exposição prolongada a sons intensos, como música alta em fones de ouvido, shows e eventos esportivos, e a perfuração do tímpano, que pode ocorrer por traumas, objetos introduzidos no ouvido ou infecções graves. “É importante que os pais e responsáveis fiquem atentos às mudanças de comportamento que podem indicar problemas auditivos, como aumento excessivo do volume da televisão; dificuldade para entender conversas; atraso na fala; necessidade constante de repetir perguntas e queixas de zumbido ou dor nos ouvidos”, ressalta, ao comentar que quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores serão as chances de tratamento eficaz e de evitar impactos no desenvolvimento da linguagem, da aprendizagem e da socialização. "A proteção auditiva começa na infância. O uso de protetores auriculares em ambientes muito ruidosos, como jogos da Copa do Mundo, é uma excelente medida preventiva. Da mesma forma, é importante ensinar desde cedo o uso responsável dos fones de ouvido e incentivar hábitos que preservem a audição durante toda a vida."

 

Cuidados essenciais

O otorrinolaringologista e otologista afirma que hábitos simples ajudam a preservar a audição infantil, como a utilização de protetores auriculares adequados ao tamanho da criança; evitar que ela permaneça próxima a caixas de som; controlar o volume dos fones de ouvido, deixando-o, preferencialmente, abaixo de 60% da capacidade máxima do aparelho; limitar o tempo de uso dos fones, fazendo pausas regulares durante a utilização, e nunca introduzir cotonetes ou outros objetos dentro do canal auditivo. “Manter a vacinação em dia é importante, pois algumas doenças infecciosas podem comprometer a audição, assim como procurar um especialista sempre que houver dor persistente, secreção, perda auditiva, zumbido ou dificuldade para ouvir”, finaliza.

 

Dr. Fernando Balsalobre - CRM-SP 150700 - RQE: 68586
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados