Especialista da ABORL-CCF explica porquê protetores
auriculares são aliados das crianças em ambientes ruidosos e orienta sobre os
principais cuidados com os ouvidos
Além de bons jogos e gols bonitos, a Copa do Mundo também tem mostrado a preocupação de pais e responsáveis com os ouvidos das crianças. Em um dos jogos foi possível ver a pequena Mavie, filha do jogador, Neymar Jr., com um protetor auricular, parecido com um “fone de ouvido”. A medida é importante, mas a chamada proteção auditiva deve vir acompanhada de outros cuidados para preservar a saúde dos ouvidos desde os primeiros anos de vida.
Segundo o
otorrinolaringologista e otologista, Dr. Fernando Balsalobre, membro da
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
(ABORL-CCF), a infância é uma fase decisiva para o desenvolvimento da audição e
da linguagem, sendo que proteger os ouvidos das crianças não significa apenas
evitar sons muito altos, mas também prevenir infecções, evitar traumas e
estimular hábitos saudáveis de escuta para reduzir o risco de perda auditiva ao
longo da vida. “A preocupação é ainda maior porque a exposição frequente a sons
intensos pode causar danos permanentes às células da audição, especialmente
quando ocorre por longos períodos ou em volumes elevados.”
Principais
problemas
O uso de fones de
ouvido é um dos principais pontos de atenção, por envolver a questão do volume
e o tempo de exposição e, dentre as doenças e alterações mais frequentes, o
especialista cita as otites (infecções de ouvido), bastante comuns na infância
e que podem provocar dor, febre, irritabilidade e redução temporária da
audição; o acúmulo excessivo de cerume, que pode causar sensação de ouvido
tampado, desconforto e diminuição da audição; a perda auditiva induzida por
ruído, que está relacionada à exposição prolongada a sons intensos, como música
alta em fones de ouvido, shows e eventos esportivos, e a perfuração do tímpano,
que pode ocorrer por traumas, objetos introduzidos no ouvido ou infecções
graves. “É importante que os pais e responsáveis fiquem atentos às mudanças de
comportamento que podem indicar problemas auditivos, como aumento excessivo do
volume da televisão; dificuldade para entender conversas; atraso na fala;
necessidade constante de repetir perguntas e queixas de zumbido ou dor nos
ouvidos”, ressalta, ao comentar que quanto mais precoce for o diagnóstico,
maiores serão as chances de tratamento eficaz e de evitar impactos no
desenvolvimento da linguagem, da aprendizagem e da socialização. "A
proteção auditiva começa na infância. O uso de protetores auriculares em
ambientes muito ruidosos, como jogos da Copa do Mundo, é uma excelente medida
preventiva. Da mesma forma, é importante ensinar desde cedo o uso responsável
dos fones de ouvido e incentivar hábitos que preservem a audição durante toda a
vida."
Cuidados
essenciais
O
otorrinolaringologista e otologista afirma que hábitos simples ajudam a
preservar a audição infantil, como a utilização de protetores auriculares
adequados ao tamanho da criança; evitar que ela permaneça próxima a caixas de
som; controlar o volume dos fones de ouvido, deixando-o, preferencialmente,
abaixo de 60% da capacidade máxima do aparelho; limitar o tempo de uso dos
fones, fazendo pausas regulares durante a utilização, e nunca introduzir
cotonetes ou outros objetos dentro do canal auditivo. “Manter a vacinação em
dia é importante, pois algumas doenças infecciosas podem comprometer a audição,
assim como procurar um especialista sempre que houver dor persistente,
secreção, perda auditiva, zumbido ou dificuldade para ouvir”, finaliza.
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF
Nenhum comentário:
Postar um comentário