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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Estudo internacional sobre estatinas em pessoas vivendo com HIV é incorporado a diretrizes clínicas de 2026

Sociedade Gaúcha de Infectologia, Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul e Associação Médica do Rio Grande do Sul destacam evidências do REPRIEVE, reforçam a prevenção cardiovascular e recomendam tratamento individualizado 

 

Os resultados do estudo internacional REPRIEVE, que demonstraram redução de 36% na incidência de eventos cardiovasculares em pessoas vivendo com HIV com o uso diário de pitavastatina, foram incorporados às diretrizes clínicas de 2026 da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC). A atualização reforça a importância da prevenção cardiovascular nessa parcela da população e motivou manifestação conjunta da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) e da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) para orientar profissionais da saúde, serviços assistenciais e pessoas vivendo com HIV sobre o tema.

Para o estudo foram considerados aqueles em tratamento antirretroviral e sem indicação clássica prévia de estatina por alto risco cardiovascular. Os achados chamaram a atenção da comunidade médica internacional por apontarem benefício preventivo em um grupo que, em muitos casos, não seria enquadrado nas recomendações tradicionais para o uso desse tipo de medicamento. Em março de 2026, a AHA e o ACC passaram a incluir recomendações específicas para o uso de estatinas nesse perfil de paciente, consolidando o impacto do estudo nas práticas clínicas internacionais.

No contexto do HIV, o risco de doença cardiovascular — e de outras condições associadas ao envelhecimento — é maior e tende a surgir em idades mais precoces do que na população sem o vírus. Essa probabilidade pode estar relacionada a múltiplos fatores, incluindo inflamação crônica, alterações metabólicas, tabagismo, hipertensão, diabetes, alterações lipídicas, histórico familiar, uso de determinados antirretrovirais e tempo de exposição à infecção. Por isso, a prevenção cardiovascular deve fazer parte do acompanhamento clínico regular desses pacientes.


Estatinas a partir dos 40 anos e o rastreamento do HIV na avaliação cardiológica

Com base nas evidências do REPRIEVE, a atualização de março de 2026 das diretrizes da ACC/AHA passou a recomendar a terapia hipolipemiante para a prevenção primária de doença cardiovascular em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) na faixa de 40 a 75 anos, independentemente dos níveis de LDL-colesterol — colocando o HIV ao lado do diabetes e da doença renal crônica como condição que, por si só, justifica considerar o uso de estatina a partir dos 40 anos.

A SGI, a SOCERGS e a AMRIGS destacam que os resultados do estudo e sua incorporação às diretrizes internacionais reforçam tanto a importância de uma avaliação médica dessa população, quanto a necessidade de uso de estatina, considerando idade, perfil cardiovascular, exames laboratoriais, histórico clínico, antirretrovirais em uso, risco de interações medicamentosas, possíveis efeitos adversos e necessidade de seguimento periódico. A escolha do medicamento e da dose deve ser definida de forma individualizada, considerando o perfil de cada paciente e as eventuais interações com a terapia antirretroviral.

As sociedades destacam, ainda, a importância de se considerar o rastreamento do HIV na avaliação cardiológica. Reconhecido há anos como fator agravante de risco cardiovascular e agora incorporado diretamente à decisão sobre o uso de estatinas, o HIV torna o conhecimento do status sorológico parte de uma estratificação de risco adequada. Oferecer o teste de HIV regularmente nesse contexto, associados aos exames de perfil metabólico, amplia o diagnóstico oportuno e assegura que pessoas vivendo com HIV recebam, desde cedo, as medidas de prevenção cardiovascular recomendadas.

Para mais informações, a orientação é procurar acompanhamento com médico infectologista, cardiologista ou serviço de saúde de referência. As recomendações devem sempre ser aplicadas de forma individualizada, conforme a realidade clínica de cada paciente.

A avaliação integrada entre infectologia e cardiologia é especialmente importante em casos de maior complexidade clínica, presença de múltiplos fatores de risco, histórico de eventos cardiovasculares, alterações metabólicas relevantes ou dúvidas sobre interações entre medicamentos. O acompanhamento compartilhado permite definir a melhor estratégia preventiva, com segurança e benefício real para cada paciente.

As sociedades também reforçam que a prevenção cardiovascular não se resume ao uso de medicamentos. Medidas como controle da pressão arterial, manejo adequado do colesterol e da glicemia, cessação do tabagismo, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, adesão ao tratamento antirretroviral e acompanhamento médico contínuo seguem sendo fundamentais.

O avanço do tratamento antirretroviral aumentou de forma significativa a expectativa das pessoas em tratamento. Nesse novo cenário, prevenir doenças cardiovasculares tornou-se parte essencial da atenção em saúde.
  



Dr. Dimas Alexandre Kliemann - Presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia

Dr. André Luís Câmara Galvão - Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul

Dr. Gerson Junqueira Jr. - Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul

 

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