Baixa percepção de risco, falta de registro vacinal, consultas rápidas e custo de algumas vacinas ainda dificultam a imunização de mulheres adultas
A vacinação não
deve ser lembrada apenas na infância. Para mulheres acima dos 40 anos, manter o
calendário vacinal atualizado é uma medida importante de prevenção, especialmente
diante do envelhecimento populacional e do aumento do risco de doenças
infecciosas e complicações associadas. O alerta é da Dra.
Cecilia Maria Roteli Martins, ginecologista e membro da Comissão Nacional
Especializada em Vacinas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e
Obstetrícia.
A médica conta que
a mulher adulta precisa incluir a revisão vacinal como parte do cuidado regular
com a saúde. Entre as principais vacinas estão o reforço contra tétano, que
deve ser feito a cada 10 anos; hepatite B, quando o esquema não foi completado
ou quando a mulher não sabe se foi vacinada; tríplice viral, de acordo com o
histórico vacinal e a indicação médica; influenza, que deve ser anual; e
dengue, indicada até os 59 anos (obs: a vacina da dengue inativada produzida
pelo Butantã, que estava sendo administrada para profissionais de saúde, foi
descontinuada temporariamente de acordo com anúncio do Ministério da Saúde em
08/06/2026, veja aqui).
A partir dos 60
anos, a atenção deve ser ampliada. Além da influenza anual e dos reforços
contra tétano e difteria, entram no calendário vacinas como as pneumocócicas,
voltadas à prevenção de pneumonia, e a vacina contra o herpes-zóster. “Na
mulher 40 mais, incluindo a idosa, temos todas essas vacinas como parte de uma
estratégia importante de prevenção”, reforça a especialista.
No caso de
gestantes com 40 anos ou mais, o calendário vacinal é o mesmo indicado para
gestantes de outras idades. A vacina contra coqueluche deve ser aplicada em
cada gestação, a partir de 20 semanas. A vacina contra influenza deve ser feita
durante a gestação, independentemente da idade gestacional. A vacina contra
covid-19 deve ser aplicada em pelo menos uma dose a cada seis meses, já que a
gestante é considerada grupo de risco.
A hepatite B também
deve ser completada ou iniciada quando a gestante não sabe se foi vacinada.
Outra vacina importante é a contra o vírus sincicial respiratório, o VSR,
indicada para prevenir bronquiolite no bebê. “Essas vacinas da gestante, seja
ela antes ou depois dos 40 anos, visam proteger a mãe e favorecer a
transferência de anticorpos para o bebê”, explica Dra. Cecilia.
Uma
das principais barreiras na vacinação de mulheres adultas é a baixa percepção de risco. “A mulher adulta não tem a
mesma noção de risco que costuma ter em relação a uma criança. Ela leva os
filhos para vacinar, mas nem sempre percebe que também precisa ser vacinada”,
afirma a ginecologista.
Outros obstáculos
também interferem na adesão: dificuldade de acesso a serviços preparados para
vacinação de adultos, ausência de registros vacinais, consultas médicas cada
vez mais rápidas, pouco tempo para o profissional revisar o calendário e, em
alguns casos, o custo das vacinas. Na população adulta e idosa, algumas
vacinas, como zóster e vírus sincicial respiratório para adultos, ainda não
estão disponíveis no serviço público. Esse custo pode contribuir para a
hesitação vacinal.
Para a FEBRASGO, o
ginecologista ocupa posição estratégica na atualização vacinal das mulheres,
pois muitas vezes é o médico que acompanha a paciente de forma mais regular ao
longo da vida. “O ginecologista é o clínico da mulher. Por isso, temos a
obrigação de reservar um tempo no início da consulta para atualizar o
calendário vacinal dessa paciente”, orienta Dra. Cecilia.
A especialista
lembra que a vacinação de adultos não protege apenas contra infecções agudas.
Doenças como influenza, herpes-zóster, covid-19 e infecção pelo vírus sincicial
respiratório também podem estar associadas a riscos aumentados de eventos cardiovasculares,
como infarto e acidente vascular cerebral.
Por isso, a
orientação é que a mulher acima dos 40 anos converse com seu ginecologista
sobre seu histórico vacinal e leve, sempre que possível, a carteira de
vacinação para a consulta. Quando o registro não existe ou está incompleto, o
médico pode avaliar a necessidade de atualização.
A FEBRASGO reforça que vacinação é parte do cuidado integral da mulher. A consulta ginecológica deve ser uma oportunidade não apenas para rastrear doenças, mas também para prevenir infecções, reduzir riscos e promover envelhecimento mais saudável.
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher
https://www.febrasgo.org.br/pt/
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial
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