A escassez de profissionais qualificados em TI, infelizmente, é uma realidade triste, mas que já vem há um bom tempo fazendo parte deste mercado. No entanto, em se tratando do ecossistema SAP, estamos falando de um verdadeiro apagão de talentos especializados nessa esfera corporativa. As razões para isso? São várias, desde acessos restritos até a resistência em investir em qualificações.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o Brasil forma pouco mais de 53 mil profissionais de TI por ano, mediante projeções que apontam a necessidade de 150 mil. Ainda de acordo com o estudo, caso o descompasso permaneça, esse déficit pode ultrapassar meio milhão de especialistas até 2029.
Mas não é preciso esperar os próximos anos para identificar os impactos desse desafio estrutural. De acordo com a pesquisa de Escassez de Talentos 2026 da ManpowerGroup, o país registra um índice de 80% de dificuldade na contratação de profissionais qualificados, superando a média global — sendo esse um obstáculo para o crescimento das organizações, especialmente no setor de tecnologia.
A fim de driblar esse cenário, as empresas vêm investindo no desenvolvimento interno da equipe para suprir essa lacuna. Considerando o exemplo do ecossistema SAP, essa é uma importante abordagem, tendo em vista que a multinacional alemã segue anunciando diversas mudanças nos processos, o que reforça a necessidade de constante atualização por parte dos colaboradores para uma aplicação efetiva no dia a dia operacional.
Por sua vez, embora essa pareça a solução para todos os problemas, na prática não é bem assim que acontece. Não é incomum presenciarmos profissionais, considerados seniores, que têm resistência em investir e aceitar passar por um processo de atualização, deixando de lado coisas novas que precisam ser aplicadas. Esse aspecto também é um importante fator que contribui com a escassez de profissionais qualificados neste mercado.
Da mesma forma, existe um problema externo. E não estamos falando apenas dos dados da Brasscom, mas também do acesso restrito ao ecossistema SAP, no qual as consultorias dificilmente dão espaço para alocar profissionais juniores. Ainda, a multinacional alemã é conhecida por disponibilizar vasto conteúdo teórico, enquanto suas provas de certificação são práticas. Sem um ambiente democrático para exercitar o aprendizado, romper a barreira da formação torna-se o ponto mais crítico e urgente para a nova geração de talentos.
No mercado, existem pessoas diversas que abrangem desde iniciantes até aquelas que estão migrando de carreira, e esse público também precisa de oportunidades. Ao invés de abordar apenas a escassez de profissionais como um obstáculo, é preciso ir além e encontrar formas de superar esse desafio.
Investir na capacitação, sem dúvidas, é o principal caminho. Quando falamos isso, abrimos a porta para mais um assunto “polêmico”: a retenção de talentos. Afinal, como garantir que o profissional que receberá treinamentos permanecerá na empresa? Quanto a isso, é crucial destacar que não há como assegurar essa permanência, já que se trata de uma realidade do mercado. Mas, antes de avaliar o custo de “perder”, é essencial pensar no custo de sobrecarregar a equipe e não ter colaboradores devidamente qualificados, treinados e atualizados acerca das instruções de um universo que está em constante mudança.
Para aqueles que querem ingressar nessa carreira, um importante diferencial é buscar por qualificações que unam o teórico e o prático. Ou seja, da mesma forma que é essencial saber colocar o conhecimento em ação, antes de tudo é necessário conhecer a fundo o assunto, principalmente considerando a atual era da IA que vem exigindo, cada vez mais, a utilização de skills estratégicas para potencializar o seu uso.
Atualmente, o mercado vem vivenciando uma grande demanda de projetos SAP impulsionados, principalmente, pela crescente onda de migrações. Ao olhar para esse cenário, ter profissionais qualificados é essencial para suprir a demanda. Quanto a isso, é fundamental que tanto as consultorias quanto parceiros atuem na criação de pontes que proporcionem a entrada e a qualificação de novos talentos. Afinal, o futuro do ecossistema será construído pela coragem de formar as mentes que vão liderar a próxima onda de inovação.
Danilo Oliveira Co-founder da Moovi.
Moovi Education
https://moovi.education/
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