Controle de agrotóxicos e contaminantes é estratégico para proteger a saúde do consumidor e a imagem do agro brasileiro
A segurança dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro passa
por um processo rigoroso de fiscalização que começa ainda no campo. Produtos
amplamente consumidos no país, como feijão, soja, lentilha, ervilha e amendoim,
estão entre os itens monitorados para controle de resíduos de agrotóxicos e
outros contaminantes.
No Brasil, o acompanhamento ocorre por meio do Plano Nacional de
Controle de Resíduos e Contaminantes — PNCRC Vegetal — coordenado pelo
Ministério da Agricultura e Pecuária. O programa realiza coleta sistemática de
amostras em diferentes regiões do país, análises laboratoriais e ações de
fiscalização e orientação ao produtor para garantir a conformidade sanitária
dos alimentos.
Nesse processo, os Auditores Fiscais Federais Agropecuários atuam
desde a fiscalização de insumos até o acompanhamento da produção e da colheita,
com o objetivo de evitar que irregularidades cheguem ao consumidor.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais
Federais Agropecuários — Anffa Sindical —, Janus Pablo Macedo, a fiscalização
técnica é um pilar da segurança alimentar. “O controle de resíduos não é apenas
uma exigência regulatória. Ele reduz riscos sanitários, ambientais e econômicos
associados ao uso inadequado de defensivos agrícolas”, afirma.
O auditor fiscal federal agropecuário Oscar Rosa destaca que o
desafio é proporcional à dimensão do setor agrícola brasileiro. “O Brasil é um
país continental, com grande produção agrícola e uso significativo de
agrotóxicos. Por isso, os planos nacionais de monitoramento são fundamentais
para garantir a segurança e a qualidade dos alimentos”, explica. Ele ressalta
que os riscos não se restringem ao excesso de defensivos. “Há situações como o
desrespeito ao período de carência antes da colheita, uso inadequado de produtos
e até contaminantes decorrentes de armazenamento incorreto, como micotoxinas,
que podem trazer impactos importantes à saúde.”
Além da proteção ao consumidor, o monitoramento influencia
diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro. Irregularidades podem
gerar barreiras comerciais e questionamentos sanitários em mercados
internacionais cada vez mais exigentes.
Para os especialistas, alimento saudável não é apenas nutritivo.
Precisa ser seguro — e essa segurança depende de fiscalização técnica contínua
ao longo de toda a cadeia produtiva.
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