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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Dedo em gatilho é 5 vezes mais prevalente em pessoas com diabetes

Doença é causada por uma inflamação nas estruturas responsáveis pelo movimento de dobrar os dedos das mãos

 

Você já sentiu o dedo “prender” ao dobrar, como se estivesse acionando um gatilho? Essa sensação é bem típica da tenossinovite estenosante dos flexores, popularmente chamada de “dedo em gatilho”.

Segundo estimativas, o dedo em gatilho pode afetar até 2% da população em geral, mas a prevalência costuma ser maior em pessoas com diabetes. Nessa população, por exemplo, até 10% dos pacientes podem desenvolver esse tipo de tenossinovite. Para além do diabetes, o dedo em gatilho é mais comum em mulheres após os 40 anos.



Entenda melhor o dedo em gatilho

Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em Dores Crônicas, Saúde Postural, RPG e Pilates, a tenossinovite estenosante é uma inflamação que afeta a bainha sinovial dos tendões flexores — estruturas responsáveis por dobrar os dedos.
 

“De forma simples, podemos imaginar o tendão como um “elástico” que liga os músculos do antebraço aos ossos dos dedos. Para que o movimento aconteça de maneira suave, esses tendões passam por um “túnel” na palma da mão, chamado bainha do tendão. Ao longo desse trajeto existem estruturas chamadas polias, responsáveis por manter o tendão próximo ao osso”, explica Walkíria.

“Quando ocorre uma inflamação, essa bainha se torna mais espessa e estreita, dificultando o deslizamento do tendão. Com o tempo, pode surgir um pequeno nódulo, o que piora o bloqueio mecânico. O resultado é o clássico estalo — e, em casos mais avançados, o dedo pode, literalmente, travar ao ser flexionado”, complementa a especialista.


Sinais e sintomas do dedo em gatilho

Nos estágios iniciais, a pessoa pode sentir:

  • Dor na base do dedo;
  • Inchaço local;
  • Rigidez matinal;
  • Sensação de travamento ao dobrar e esticar o dedo afetado.

“Em geral, os dedos polegar, médio e o anelar são os mais atingidos por esse tipo de tenossinovite. Há casos mais severos em que o dedo pode até mesmo ficar preso em flexão. Com isso, o paciente vai precisar ajudar com a outra mão para conseguir esticá-lo”, adiciona Walkíria.
Fatores de risco do dedo em gatilho

Embora qualquer pessoa possa desenvolver o dedo em gatilho, há fatores que aumentam o risco, como:

  • Diabetes (risco até 5 vezes maior);
  • Artrite reumatoide;
  • Doenças metabólicas e genéticas, como mucopolissacaridoses;
  • Idade acima de 40 anos;
  • Movimentos repetitivos das mãos.
  •  

Digitação pode causar dedo em gatilho?

Embora o uso excessivo do computador e do celular esteja frequentemente associado às Lesões por Esforços Repetitivos (LER), a literatura científica ainda debate o quanto a digitação isoladamente é responsável pelo problema.

“O que sabemos é que atividades que exigem movimentos repetitivos e força de preensão constante aumentam o estresse mecânico sobre os tendões. Portanto, esses movimentos podem contribuir para um quadro de dedo em gatilho — especialmente quando há fatores predisponentes, como diabetes ou alterações inflamatórias prévias”, alerta Walkíria.

Como funciona o tratamento do dedo em gatilho

Na maioria dos casos, o tratamento do dedo em gatilho é conservador. Entre as abordagens terapêuticas estão medicamentos, fisioterapia e órteses. Em casos mais avançados ou que não respondem ao tratamento conservador, há o tratamento com infiltração de corticoide e, por fim, a cirurgia.

“No tratamento fisioterapêutico do dedo em gatilho, o objetivo é reduzir a inflamação, melhorar o deslizamento do tendão e evitar a progressão para bloqueio mecânico. A escolha dos recursos depende da fase da doença (inflamatória inicial ou com nódulo e travamento)”, comenta Walkíria.

“Em geral, usamos ultrassom, laser de baixa intensidade (ILIB), termoterapia, terapia manual com movimentos que podem ajudar a melhorar o deslizamento do tensão. Também é importante trabalhar no alongamento e no fortalecimento dos músculos das mãos, punhos e braços”, reforça a fisioterapeuta.

Talas podem melhorar sintomas em até 65% dos casos leves a moderados

Primeiramente é crucial alertar a população sobre as órteses, popularmente conhecidas como “talas”. Embora sejam vendidas em farmácias e outros comércios, é preciso ter muito cuidado e evitar usá-las sem orientação de um fisioterapeuta ou médico.

“Na verdade, as órteses para tratar o dedo em gatilho devem ser personalizadas e usadas sob supervisão do fisioterapeuta. O ideal é imobilizar apenas o dedo afetado, mantendo os demais funcionais. Isso permite que o paciente continue suas atividades com menor dor. Portanto, é importante entender que as talas prontas, vendidas em farmácias, nem sempre respeitam a anatomia individual e podem até piorar o quadro”, reforça Walkíria.

Cirurgia pode ser necessária

Quando o tratamento conservador não leva à melhora do quadro e o dedo permanece travado, de forma persistente, a liberação cirúrgica da polia pode ser indicada. O procedimento é simples, realizado com anestesia local e apresenta alta taxa de sucesso, superior a 90% na maioria dos estudos.

Conclusão

“O dedo em gatilho pode ser uma condição bastante dolorida e incapacitante. Sendo assim, a recomendação é ficar atento aos sintomas iniciais, como dor na base do dedo e sensação de estalo. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, menor é o risco de precisar de tratamentos mais invasivos”, finaliza Walkíria.


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