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| Estudo acompanhou mais de 2,3 mil idosos por oito anos; pesquisadores defendem que teste, aplicado a partir dos 60 anos, pode funcionar como alerta, permitindo intervenções com fisioterapia e mudanças no estilo de vida Freepik |
Quantos segundos você leva para
se levantar cinco vezes de uma cadeira? Um estudo realizado por pesquisadores
da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University
College London, do Reino Unido, mostrou que esse teste simples pode prever a
perda de funcionalidade de pessoas idosas antes que surjam limitações em
atividades cotidianas, como se vestir, tomar banho ou sair de casa.
A pesquisa acompanhou mais de
2,3 mil participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), o estudo
longitudinal de saúde da Inglaterra, por oito anos. Os cientistas compararam
uma bateria de três exames conhecida como Short Physical Performance Battery
(SPPB) – composta por testes de equilíbrio, velocidade de caminhada e força –
com o Teste Sentar e Levantar (CST, na sigla em inglês para Chair Stand
Test), que integra a SPPB.
A análise, que contou com
o apoio da FAPESP, mostrou que idosos que levaram mais de
11,5 segundos para completar o CST apresentaram maior risco de perder a
independência em tarefas do dia a dia.
“O teste mais simples e rápido
foi tão eficaz quanto a bateria completa para prever quem apresentaria
incapacidade em realizar atividades básicas – tomar banho ou ir ao banheiro
sozinho – ou instrumentais da vida diária, como cozinhar, pagar contas e usar transporte
público”, afirma Roberta de Oliveira Máximo, pesquisadora da UFSCar e
autora do estudo publicado no Journal of the American Medical
Directors Association.
A análise refinou a predição
para pessoas idosas altamente funcionais, aqueles sem lentidão ou incapacidades
prévias. Com base nos dados, os cientistas recomendam critérios mais rigorosos,
sugerindo a redução do tempo de corte do CST de 15 para 11,5 segundos e a
pontuação da SPPB de 12 para 10. “Ao aumentar a exigência, ampliamos a
sensibilidade da triagem, o que permite intervenções precoces para evitar a
perda de independência”, explica Máximo.
O teste sentar e levantar já é
recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ferramenta de triagem.
“Nosso estudo reforça que o teste, mesmo aplicado isoladamente, é suficiente
para indicar risco de perda funcional. Idosos que o realizaram em mais de 11,5
segundos apresentaram maior probabilidade de desenvolver limitações ao longo
dos oito anos seguintes”, diz a pesquisadora.
Apesar de simples, o teste
consegue avaliar vários aspectos importantes para a funcionalidade. “Embora
pareça um teste meramente de performance, ele avalia força e massa muscular dos
membros inferiores, equilíbrio, condicionamento cardiorrespiratório e
coordenação. São capacidades que, quando começam a falhar, antecedem a perda de
independência”, afirma Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de
Gerontologia da UFSCar e coordenador do consórcio InterCoLAgeing, que reúne
estudos longitudinais do Reino Unido, México e Brasil.
Os pesquisadores explicam que o
envelhecimento segue uma escada do declínio funcional. Primeiro se perdem
atividades avançadas (participar de atividades de trabalho, lazer ou
culturais), depois as instrumentais (cozinhar, fazer compras, tomar remédio
na hora certa, usar o telefone, gerenciar o próprio dinheiro, usar transporte
público e cuidar da limpeza da casa) e, por fim, as básicas (tomar banho, se
vestir, se alimentar sozinho, ir ao banheiro, caminhar pela casa e manter a
continência). “Nem todo idoso passará por esse processo, temos casos de pessoas
centenárias altamente funcionais, mas quando ocorre o declínio funcional, ele
segue esse roteiro”, completa Alexandre.
Os pesquisadores defendem que o
teste sentar e levantar, aplicado a partir dos 60 anos, pode funcionar como
alerta precoce, permitindo intervenções com exercícios, fisioterapia e mudanças
no estilo de vida. “Em contextos com tempo limitado de consulta, esse teste
pode ser a porta de entrada para avaliações mais detalhadas. Ele ajuda a
identificar idosos saudáveis com risco de perda funcional, facilitando
estratégias preventivas”, conclui Máximo.
O artigo Short physical
performance battery or chair stand: which better predicts disability among
high-functioning older adults? pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1525861025002373.
Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESPhttps://agencia.fapesp.br/avaliacao-fisica-simples-ajuda-a-prever-perda-de-independencia-em-pessoas-idosas/57283

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