Especialista explica o que é comum após a aplicação, quando procurar avaliação e por que a escolha do profissional é decisiva para a segurança
A aplicação de toxina botulínica,
conhecida popularmente como botox, está entre os procedimentos estéticos mais
realizados no país. Minimante invasivo e com recuperação rápida, o tratamento
ainda gera dúvidas frequentes entre pacientes, principalmente sobre riscos,
falhas no resultado e possibilidade de reversão.
De acordo com a dermatologista Isabela
Dupin, professora da pós-graduação em Estética e Cosmiatria da Afya Educação
Médica São Paulo, os efeitos adversos mais comuns são leves e temporários. “Os
efeitos mais frequentes são vermelhidão, inchaço, sensibilidade ou pequenos
hematomas no local da aplicação, que costumam durar poucos dias”, explica.
Segundo a especialista, também podem
ocorrer queda temporária da pálpebra ou da sobrancelha e pequenas assimetrias
faciais. “Isso acontece quando o produto se espalha para um músculo próximo ao
local da aplicação. Na maioria dos casos, a melhora ocorre em algumas semanas”,
afirma.
Complicações mais sérias são raras.
Alterações na fala ou na deglutição podem ocorrer em situações específicas,
geralmente associadas a técnica inadequada ou dose incorreta. Eventos graves,
como botulismo, são extremamente incomuns.
Assimetria pode acontecer e tem manejo
Uma dúvida recorrente é se o botox pode
“pegar” em uma parte do rosto e em outra não. Segundo Isabela Dupin, não há
evidências científicas que indiquem eficácia desigual da toxina em diferentes
áreas, mas assimetrias podem ocorrer na prática clínica.
“Cada pessoa tem variações na musculatura
e na força de cada músculo. Além disso, algumas regiões podem responder mais
rapidamente do que outras. Isso pode dar a impressão de que o botox funcionou
de um lado e não do outro”, explica.
Quando há diferença perceptível no
resultado, o manejo é individualizado. Após avaliação, o profissional pode
indicar pequenas doses adicionais para equilibrar a musculatura. “Normalmente
reavaliamos o paciente após cerca de 15 dias, quando o efeito já está
estabelecido. Se necessário, aplicamos pequenas quantidades adicionais nos
pontos específicos para deixar o resultado mais harmonioso”, detalha.
Mesmo quando a correção não é total, o
efeito da toxina é temporário e regride naturalmente ao longo de alguns meses.
É possível reverter o botox?
Outra pergunta comum é se existe forma
de remover a toxina após a aplicação. A resposta é não.
“Não é possível retirar a toxina depois
que ela é aplicada. Ela começa a agir logo após a injeção e não existe um
antídoto que faça o efeito desaparecer imediatamente”, esclarece a
dermatologista.
O próprio organismo é responsável por
metabolizar o produto gradualmente. Em geral, o efeito dura entre três e quatro
meses, período após o qual os músculos recuperam sua função de forma natural.
Caso surja algum resultado indesejado,
como leve queda da pálpebra, o manejo é feito com medidas de suporte. “Em
alguns casos, podemos usar colírios específicos para aliviar o incômodo, mas
eles não removem o botox; apenas ajudam até que o organismo se recupere”, explica.
Para a especialista, a principal medida
de segurança acontece antes mesmo da aplicação. “A escolha de um profissional
habilitado, com conhecimento aprofundado da anatomia facial e uso correto das
doses, é fundamental para reduzir riscos. Também é essencial informar histórico
de saúde e uso de medicamentos durante a consulta”, orienta.
Afya
https://educacaomedica.afya.com.br/

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