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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

5 sinais na entrevista que mostram se o emprego vai dar certo — ou virar frustração

Com mais da metade dos brasileiros pensando em mudar de trabalho em 2026, especialistas alertam: o problema não é trocar de emprego, mas sim ignorar o alinhamento entre personalidade e cultura da empresa. 

 

Segundo uma pesquisa global do LinkedIn, 54% dos profissionais brasileiros planejam buscar uma nova oportunidade em 2026. Em um mercado cada vez mais dinâmico, a entrevista deixou de ser apenas um passo para conquistar uma oferta. Ela também é o momento de evitar entrar em um ambiente que não combina com você — e que pode levar à frustração, desmotivação ou até burnout. 

Estudos de décadas sobre personalidade e comportamento no trabalho mostram que as pessoas rendem mais quando estão em contextos que valorizam a forma como pensam, trabalham e se relacionam. Ainda assim, muitos candidatos entram na entrevista focados apenas em impressionar — e acabam deixando de avaliar se a cultura, o estilo de liderança e as expectativas realmente combinam com seus pontos fortes. 

Como explica Ryne Sherman, Chief Science Officer da Hogan Assessments, “um dos erros mais comuns é não entender o que a organização realmente valoriza e como o desempenho será avaliado ao longo do tempo. O sucesso sustentável depende de conhecer suas próprias forças, saber como você é percebido e garantir que isso esteja alinhado com o que o cargo recompensa.” 

A seguir, cinco sinais que ajudam a identificar se a oportunidade tem potencial para dar certo no longo prazo — e não apenas resultar em uma contratação rápida.

 

1. O estilo de liderança combina com você? 

Saber quais são as metas é importante, mas entender como a liderança funciona na prática é essencial. Ambientes muito controladores, com pouca autonomia, podem desgastar rapidamente quem valoriza independência. Por outro lado, organizações excessivamente flexíveis podem ser desafiadoras para quem prefere estrutura e direcionamento claro. 

Dica prática: Pergunte como as decisões são tomadas, como o feedback é dado e quais critérios são usados para avaliar desempenho.

 

2. Reconhecimento importa — mas cada pessoa percebe de um jeito 

Apenas 29% dos brasileiros dizem ter uma relação saudável com o trabalho. A falta de reconhecimento continua sendo uma das principais causas de desengajamento. Muitas empresas falam sobre valorização, mas nem sempre conseguem traduzir isso em ações concretas no dia a dia. 

Dica prática: Observe se a empresa consegue explicar como reconhece bons resultados além de bônus ou promoções.

 

3. Mostre seus pontos fortes com estratégia 

Muita gente tenta “vestir um personagem” na entrevista. O risco é prometer comportamentos que não serão sustentáveis no longo prazo. Entrevistas não são sobre ser outra pessoa, mas sobre destacar aquilo que você faz melhor — e que faz sentido para a vaga. 

Dica prática: Seja transparente sobre seu estilo de trabalho e repare se isso é visto como um diferencial ou como algo fora do esperado para a função.

 

4. Preste atenção no que não está sendo dito 

No Brasil, é comum que empresas suavizem desafios durante o processo seletivo. Respostas vagas sobre carga de trabalho, metas pouco claras ou dificuldade em explicar prioridades podem ser sinais de alerta.

Dica prática: Sempre peça exemplos concretos quando ouvir frases como “o ritmo é intenso” ou “todo mundo faz um pouco de tudo”. 

 

5. A entrevista também é sua 

Aceitar uma oferta sem avaliar se existe compatibilidade cultural aumenta as chances de repetir um ciclo de insatisfação. A entrevista é uma via de mão dupla. Fazer perguntas inteligentes mostra interesse genuíno e maturidade profissional — além de ajudar você a entender se aquele ambiente realmente faz sentido. 

Como reforça Sherman, “uma boa entrevista permite que o candidato apresente suas melhores qualidades e, ao mesmo tempo, tenha clareza sobre expectativas, critérios de desempenho e encaixe geral. O objetivo não é apenas conseguir a vaga, mas entender se ela é certa para você — e se você é a pessoa certa para a organização.” 

Dica prática: Pergunte como o sucesso é medido nos primeiros 6 a 12 meses, quais comportamentos são mais valorizados na equipe e o que diferencia alguém que prospera ali de alguém que não se adapta. 

O alto número de profissionais dispostos a mudar de emprego vai além de uma busca por melhores salários. Ele reflete uma percepção crescente de que alinhamento entre personalidade e cultura organizacional é fundamental para um desempenho consistente e saudável. Avaliar isso desde a entrevista pode ser o que separa um movimento estratégico de mais uma experiência frustrante.


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