Sociedade Brasileira de Dermatologia explica os riscos e a importância do acompanhamento médico desde a infância
Neste mês marcado pelo Dia Mundial das Doenças Raras, em 28 de fevereiro, a atenção da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) se volta para o nevo congênito gigante, uma condição rara que pode acometer recém-nascidos, trazendo importantes implicações médicas e estéticas.
“Nevo é o termo técnico usado para pinta. Nevo melanocítico é sinônimo de pinta. Congênito é aquela pinta que está presente ao nascimento, e o nevo congênito gigante é uma pinta presente desde o nascimento, mas com um tamanho maior. Conceitualmente, considera-se gigante uma lesão que terá mais de 20 centímetros na vida adulta. O que diferencia essa condição é realmente o tamanho”, explica Dra. Flávia Bittencourt, assessora científica da SBD.
A especialista destaca ainda a raridade da condição. “Os nevos congênitos são lesões muito, muito raras, com incidência que varia de uma lesão a cada 20 mil nascimentos até uma a cada 500 mil, dependendo do tamanho”, diz a médica dermatologista.
Um dos principais pontos de atenção dessas lesões é o risco de complicações médicas, principalmente o desenvolvimento de melanoma, o tipo de câncer de pele mais grave.
“O risco de evolução para melanoma no nevo congênito gigante é baixo, algo em torno de 6% e geralmente ocorre na primeira década de vida, envolvendo células profundas, diferente do nevo pequeno, onde a malignização é algo em torno de 1%, às custas de células superficiais e, em geral, mais tardio por volta da terceira, quarta década de vida. Orientamos os pais a fazerem a palpação da lesão, ver se tem algum nódulo surgindo e, em alguns casos, realizar ultrassonografia”, explica o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.
Dr. Barcaui alerta ainda para outra complicação possível, mas também muito rara, que é a melanose neurocutânea, quando há comprometimento do sistema nervoso central. Cerca de 80% dos pacientes com nevos gigantes apresentam lesões menores, chamadas de satélites. E quanto maior o número de lesões satélites associadas ao nevo gigante, maiores as chances de algum comprometimento neurológico e de melanoma.
Os especialistas lembram que a causa do nevo congênito gigante não está relacionada a fatores genéticos específicos ou a cuidados durante a gestação. “É uma condição aleatória. As famílias querem saber se é algo que podem ter feito ou se poderá ocorrer em outros filhos, mas não há relação com hábitos ou exposições”, explica Dra. Flávia Bittencourt.
“O Dia das Doenças Raras serve para informar e conscientizar a população sobre condições pouco comuns, reforçando a importância do acompanhamento médico e do apoio às famílias afetadas por essas condições”, conclui Dr. Carlos Barcaui.
Para saber mais sobre a saúde da pele, cabelos e unhas acesse as redes sociais @dermatologiasbd e o site www.sbd.org.br. Se informe e encontre um especialista associado à SBD na sua região.
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