Especialista aponta como a psicoterapia, a rede de apoio e os recursos legais podem ajudar romper ciclos e recuperar autonomia nos relacionamentos.
A dependência
emocional é um padrão relacional que compromete a autoestima, a autonomia e a
saúde mental, atingindo homens e mulheres, mas com efeitos sociais distintos no
Brasil. Para compreender melhor o tema, o professor Fernando Diogo Padovan,
Mestre em Avaliação Psicológica e Saúde Mental e professor do Curso
de Psicologia da Faculdade Santa Marcelina, aponta caminhos possíveis para o enfrentamento
dessa condição.
“Clinicamente, a
dependência emocional ocorre quando o valor pessoal, a tomada de decisões e a
regulação emocional ficam excessivamente condicionados ao parceiro. Não é um
diagnóstico formal, mas um padrão ligado a estilos de apego inseguros,
especialmente o ansioso, marcado por medo de abandono, necessidade constante de
validação e dificuldade de impor limites”, explica Padovan.
Segundo o professor,
nas relações abusivas esse padrão pode se manifestar em checagens repetidas,
dificuldade de ficar só, hipervigilância aos sinais do parceiro, tolerância a
desrespeitos e sensação de não existir fora da relação. No Brasil, onde os
índices de violência contra a mulher seguem alarmantes, os feminicídios
cresceram 19% em 2024 e a central ligue 180 já registrou 86 mil denúncias em
2025, a dependência emocional pode ser um fator que dificulta a ruptura de
vínculos nocivos.
Sinais de alerta
Entre os principais
indícios de que uma mulher pode estar vivendo uma relação marcada pela
dependência emocional estão o isolamento social progressivo, medo de
terminar o relacionamento, controle do tempo e das rotinas pelo parceiro,
oscilação emocional entre idealização e desvalia, além da tolerância a
agressões psicológicas e físicas.
Caminhos para a superação
Padovan destaca
que a psicoterapia é fundamental, mas deve vir acompanhada de outras
estratégias:
- Terapia individual (como Terapia
Cognitivo-Comportamental, Terapia do Esquema e abordagens focadas em
apego) para reconstrução da autoestima e regulação emocional;
- Psicoeducação sobre ciclos de abuso e padrões
de dependência;
- Terapia de casais, quando há segurança, para
reestruturar padrões de comunicação;
- Planos de segurança e rede de proteção em
situações de risco, com apoio da Lei Maria da Penha, medidas
protetivas, DEAMs (Delegacias Especializadas de Atendimento à
Mulher) e centrais de denúncia como o Ligue 180 e 190;
- Rede de apoio formada por família, amigos,
grupos de suporte e autonomia financeira;
- Cuidado com o corpo e a rotina, como sono
regular, prática de atividade física e atenção ao consumo de álcool e
drogas.
“Superar a
dependência emocional não é um processo rápido, mas é possível. Psicoterapia,
rede de apoio e, quando necessário, recursos legais formam um tripé essencial
para reconstruir a autonomia e evitar recaídas em padrões relacionais tóxicos”,
conclui Padovan.

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