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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Dependência emocional: quais as terapias recomendadas para reconhecer e superar padrões de relacionamentos agressivos

  

Especialista aponta como a psicoterapia, a rede de apoio e os recursos legais podem ajudar romper ciclos e recuperar autonomia nos relacionamentos. 


A dependência emocional é um padrão relacional que compromete a autoestima, a autonomia e a saúde mental, atingindo homens e mulheres, mas com efeitos sociais distintos no Brasil. Para compreender melhor o tema, o professor Fernando Diogo Padovan, Mestre em Avaliação Psicológica e Saúde Mental e professor do Curso de Psicologia da Faculdade Santa Marcelina, aponta caminhos possíveis para o enfrentamento dessa condição. 

“Clinicamente, a dependência emocional ocorre quando o valor pessoal, a tomada de decisões e a regulação emocional ficam excessivamente condicionados ao parceiro. Não é um diagnóstico formal, mas um padrão ligado a estilos de apego inseguros, especialmente o ansioso, marcado por medo de abandono, necessidade constante de validação e dificuldade de impor limites”, explica Padovan. 

Segundo o professor, nas relações abusivas esse padrão pode se manifestar em checagens repetidas, dificuldade de ficar só, hipervigilância aos sinais do parceiro, tolerância a desrespeitos e sensação de não existir fora da relação. No Brasil, onde os índices de violência contra a mulher seguem alarmantes, os feminicídios cresceram 19% em 2024 e a central ligue 180 já registrou 86 mil denúncias em 2025, a dependência emocional pode ser um fator que dificulta a ruptura de vínculos nocivos. 


Sinais de alerta 

Entre os principais indícios de que uma mulher pode estar vivendo uma relação marcada pela dependência emocional estão o isolamento social progressivo, medo de terminar o relacionamento, controle do tempo e das rotinas pelo parceiro, oscilação emocional entre idealização e desvalia, além da tolerância a agressões psicológicas e físicas. 


Caminhos para a superação 

Padovan destaca que a psicoterapia é fundamental, mas deve vir acompanhada de outras estratégias: 

  • Terapia individual (como Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia do Esquema e abordagens focadas em apego) para reconstrução da autoestima e regulação emocional; 
  • Psicoeducação sobre ciclos de abuso e padrões de dependência; 
  • Terapia de casais, quando há segurança, para reestruturar padrões de comunicação; 
  • Planos de segurança e rede de proteção em situações de risco, com apoio da Lei Maria da Penha, medidas protetivas, DEAMs (Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher) e centrais de denúncia como o Ligue 180 e 190; 
  • Rede de apoio formada por família, amigos, grupos de suporte e autonomia financeira; 
  • Cuidado com o corpo e a rotina, como sono regular, prática de atividade física e atenção ao consumo de álcool e drogas. 

“Superar a dependência emocional não é um processo rápido, mas é possível. Psicoterapia, rede de apoio e, quando necessário, recursos legais formam um tripé essencial para reconstruir a autonomia e evitar recaídas em padrões relacionais tóxicos”, conclui Padovan. 

 

Faculdade Santa Marcelina


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