Muitos
Somos Raros lança campanha nacional para amplificar o diagnóstico das doenças
raras em qualquer fase da vida
Alida
Mais de 300 milhões de pessoas
no mundo vivem com uma doença rara¹. Apesar disso, ainda persiste o imaginário
coletivo de que “doença rara só é diagnosticada em crianças”. A realidade
mostra o contrário: cerca de 60% dos casos não são diagnosticados na infância²,
e adultos representam aproximadamente 40% dos diagnósticos tardios³, um cenário
que impacta diretamente o manejo clínico, a qualidade de vida e a inclusão
social desses pacientes.
Segundo a Rare Diseases
International, aliança global sem fins lucrativos que representa pacientes
com doenças raras, 30% das doenças raras genéticas têm início fora da
infância⁴. Além disso, o diagnóstico de uma doença rara pode levar de 4 a 8
anos⁵, especialmente entre adultos. Estudos internacionais indicam que até 50%
dos pacientes adultos recebem pelo menos cinco diagnósticos incorretos antes de
chegar ao correto⁶. Enquanto isso, convivem com sintomas persistentes,
incertezas e, muitas vezes, descrédito.
É nesse contexto que a
plataforma Muitos Somos Raros, maior hub de conteúdo e comunicação em doenças
raras do País, conectando médicos e associações de pacientes, lança a campanha
“Doença Rara não tem idade”, marcando o Dia Mundial das Doenças Raras 2026 com
um chamado direto à sociedade e aos profissionais de saúde: doenças raras podem
se manifestar em qualquer fase da vida. Cerca de 8 em cada 10 doenças raras têm
origem genética⁷, muitas delas com manifestação tardia, na adolescência ou na
vida adulta — o que reforça a necessidade de ampliar o olhar clínico para além
da infância. A campanha estreia com um vídeo impactante reunindo pacientes de
diferentes faixas etárias — da criança ao sênior — que dizem, em primeira
pessoa, o nome de sua doença. O objetivo é romper estereótipos e evidenciar que
uma doença rara não escolhe idade.
“Precisamos desconstruir a
ideia de que doenças raras são exclusivamente pediátricas, embora, ao mesmo
tempo, seja importante utilizarmos os recursos que temos para amplificar ainda
mais o diagnóstico na primeira infância”, explica o geneticista Paulo Victor
Zattar Ribeiro, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. “A base
genética de muitas dessas condições permite manifestações tardias, e isso exige
preparo do sistema de saúde para reconhecer sinais também na adolescência e na
vida adulta”, completa.
No campo de algumas doenças
raras, como as pulmonares, o atraso diagnóstico é particularmente crítico. “Em
doenças raras respiratórias, é comum que o paciente adulto seja tratado por
anos apenas pelos sintomas. Cada ano sem diagnóstico adequado representa
progressão da doença e perda de qualidade de vida. Reconhecer a possibilidade
de uma condição rara em qualquer idade é essencial”, destaca o pneumologista
Rodrigo Athanazio, especializado em doenças raras pulmonares do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Sobre a campanha
“Doença Rara não tem idade” é
apenas o início de uma agenda ampliada de mobilização e informação ao longo de
2026, com conteúdos educativos, dados científicos, histórias reais e ações de
conscientização que buscam reduzir o tempo até o diagnóstico e ampliar o acesso
ao cuidado adequado. “Sabemos que a informação é a melhor maneira de ampliar o
diagnóstico e garantir mais acesso aos pacientes”, explica Regiane Monteiro,
diretora do Muitos Somos Raros.
O projeto é apoiado pela Casa
Hunter e conta ainda com diversas associações de pacientes como ABE, ABH,
Abrale, Abraphem, Abrapo, Asbag, Associação Pró-Cura de ELA, Febrararas, INN,
Instituto Amor e Carinho, Instituto Renascimento, Lady Fabry, Raras com Ciência
e SPWBrasil. O Voz das Mães, primeiro canal de conteúdo voltado para mães
atípicas, é parceiro de mídia do projeto. Biomarin, Alnylam, Sanofi, Steincares
e Teva também apoiam a iniciativa. Ao dar voz a pacientes de todas as idades, a
campanha reforça uma mensagem central: doenças raras podem ser estatística, mas
o impacto é humano, contínuo e atravessa toda a vida.
Sobre o Muitos Somos Raros
Desenvolvido pela Tino
Comunicação, o Muitos Somos Raros é a maior plataforma brasileira independente
dedicada às doenças raras e reúne uma das maiores comunidades de pacientes e
familiares do país. O projeto produz conteúdos informativos e de serviço, como
notícias, cobertura de eventos, novidades em tratamentos e atualizações sobre
incorporações no SUS, via Ministério da Saúde, e na Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), por meio dos planos de saúde. A iniciativa tem foco no
suporte à comunidade rara e na geração de informações de utilidade pública que
também alcançam médicos, profissionais de saúde, cuidadores, associações de
pacientes e a sociedade em geral.
Mais informações: Link @muitossomosraros
Referências:
Organização
Mundial da Saúde (OMS) – Rare diseases overview. Disponível em: Link
Ministério
da Saúde – Estimativa de pessoas com doenças raras no Brasil. Disponível em: Link
EURORDIS –
The Voice of Rare Disease Patients in Europe. Dados sobre diagnóstico tardio.
Disponível em: Link
Rare
Diseases International – Factsheet sobre início tardio de doenças genéticas.
Disponível em: Link
EURORDIS –
Diagnostic delay survey. Disponível em: Link
EURORDIS –
Adult rare disease misdiagnosis report. Disponível em: Link
Ministério
da Saúde – Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras.
Disponível em: Link
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