Preferência exagerada por sabores doces, alterações de humor, dificuldades de concentração e impacto na saúde estão entre os efeitos do açúcar em excesso na infância. Com rotina, diálogo e exemplo, é possível mudar esse cenário sem radicalismos
O açúcar costuma
parecer inofensivo no dia a dia das famílias, mas o consumo frequente na
infância pode provocar efeitos importantes no comportamento, no aprendizado e
na saúde a curto e longo prazo. “Quanto mais açúcar a criança consome, mais o
paladar se adapta ao sabor doce. Isso faz com que alimentos naturais, como
frutas, legumes e preparações caseiras, passem a ser rejeitados”, explica
Renata Riciati nutricionista materno-infantil especialista em seletividade
alimentar e comportamento alimentar infantil.
Entre os riscos
mais comuns associados ao consumo excessivo de açúcar por crianças estão:
-Preferência exagerada por sabores doces,
dificultando uma alimentação equilibrada;
-Aumento do risco
de cáries, inclusive por alimentos que muitos pais não percebem, como
biscoitos, sucos de caixinha e achocolatados;
-Picos de energia seguidos de irritabilidade e
cansaço, causados por oscilações rápidas da glicose no sangue;
-Ganho de peso e
maior risco metabólico, com impacto na saúde futura;
-Prejuízo na
concentração e no aprendizado, especialmente quando o açúcar domina o café da
manhã ou os lanches;
-Substituição de
alimentos nutritivos, reduzindo a ingestão de fibras, vitaminas, minerais e
proteínas essenciais ao crescimento.
“O açúcar não traz
nutrientes importantes para o desenvolvimento infantil. Quando ele ocupa espaço
na alimentação, acaba empurrando para fora alimentos que realmente nutrem”,
destaca a especialista.
Criança
“viciada” em doce: o que fazer na prática?
Segundo Renata
Riciati, o termo vício não deve ser usado no sentido clínico, mas sim como um
hábito alimentar aprendido, que pode e deve ser ajustado.
“Lidar com uma
criança que consome muitos doces exige equilíbrio, rotina e paciência. Punição
e proibição total costumam ter o efeito contrário”, orienta.
Veja algumas
estratégias eficazes:
1-Evite
proibir completamente
A restrição extrema aumenta o desejo. O ideal é combinar momentos específicos
para o consumo, como finais de semana, sempre com porções pequenas.
2-Crie uma
rotina alimentar estruturada
Crianças que pulam refeições tendem a buscar açúcar. Horários regulares e
lanches com proteínas e fibras ajudam a reduzir à vontade por doce.
3-Ofereça
alternativas naturalmente doces
Frutas como banana, manga e uva, além de preparações caseiras com menos açúcar,
ajudam na transição do paladar.
4-Converse,
sem brigas
Explicações simples funcionam melhor do que discursos longos. Evite usar doces
como recompensa ou castigo.
5-Cuide do
ambiente
Doces fora da vista reduzem o consumo automático. O exemplo dos adultos é
determinante.
6-Sono e
emoções também influenciam
Falta de sono, ansiedade e estresse aumentam a busca por açúcar como conforto
emocional.
7-Procure
ajuda profissional quando necessário
Se a criança aceita apenas alimentos doces, apresenta ganho de peso excessivo,
cáries frequentes ou crises emocionais ligadas à comida, é importante buscar
orientação especializada.
“Açúcar não precisa ser totalmente proibido, mas deve ser exceção, não rotina. A base da alimentação infantil precisa ser construída com alimentos de verdade, rotina previsível e um ambiente acolhedor”, finaliza Renata.
Renata Riciati - nutricionista materno-infantil e especialista em saúde da família, com mais de 20 anos de experiência em comportamento alimentar infantil, seletividade alimentar e terapia nutricional para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH. Formada pela Universidade Anhembi Morumbi, possui pós-graduação em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo e ampla atuação em consultório, escolas e projetos voltados à educação alimentar. Ao longo da carreira, acumulou experiências em instituições como o Instituto da Criança – HCFMUSP, GR Serviços de Alimentação e Prefeitura de São Paulo, além de comandar a RR Nutri, onde atende famílias, gestantes, bebês e crianças, oferecendo acompanhamento nutricional, consultoria escolar e consultoria corporativa. Renata também desenvolve projetos como o curso “Só Mais Uma Colherada”, criado em parceria com a jornalista Karina Godoy (TV Globo), e grupos online de orientação alimentar.
Sua atuação se destaca pelo olhar integral, acolhedor e individualizado, com foco em transformar a relação das famílias com a comida, promovendo refeições mais leves, nutritivas e prazerosas.
Instagram: renatariciati_nutri
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