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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Sua criança é viciada em doces? Especialista dá orientações para diminuir o açúcar na rotina

Preferência exagerada por sabores doces, alterações de humor, dificuldades de concentração e impacto na saúde estão entre os efeitos do açúcar em excesso na infância. Com rotina, diálogo e exemplo, é possível mudar esse cenário sem radicalismos

 

O açúcar costuma parecer inofensivo no dia a dia das famílias, mas o consumo frequente na infância pode provocar efeitos importantes no comportamento, no aprendizado e na saúde a curto e longo prazo. “Quanto mais açúcar a criança consome, mais o paladar se adapta ao sabor doce. Isso faz com que alimentos naturais, como frutas, legumes e preparações caseiras, passem a ser rejeitados”, explica Renata Riciati nutricionista materno-infantil especialista em seletividade alimentar e comportamento alimentar infantil.

Entre os riscos mais comuns associados ao consumo excessivo de açúcar por crianças estão:

-Preferência exagerada por sabores doces, dificultando uma alimentação equilibrada;

-Aumento do risco de cáries, inclusive por alimentos que muitos pais não percebem, como biscoitos, sucos de caixinha e achocolatados;

-Picos de energia seguidos de irritabilidade e cansaço, causados por oscilações rápidas da glicose no sangue;

-Ganho de peso e maior risco metabólico, com impacto na saúde futura;

-Prejuízo na concentração e no aprendizado, especialmente quando o açúcar domina o café da manhã ou os lanches;

-Substituição de alimentos nutritivos, reduzindo a ingestão de fibras, vitaminas, minerais e proteínas essenciais ao crescimento.

“O açúcar não traz nutrientes importantes para o desenvolvimento infantil. Quando ele ocupa espaço na alimentação, acaba empurrando para fora alimentos que realmente nutrem”, destaca a especialista.


Criança “viciada” em doce: o que fazer na prática?

Segundo Renata Riciati, o termo vício não deve ser usado no sentido clínico, mas sim como um hábito alimentar aprendido, que pode e deve ser ajustado.

“Lidar com uma criança que consome muitos doces exige equilíbrio, rotina e paciência. Punição e proibição total costumam ter o efeito contrário”, orienta.

Veja algumas estratégias eficazes:


1-Evite proibir completamente
A restrição extrema aumenta o desejo. O ideal é combinar momentos específicos para o consumo, como finais de semana, sempre com porções pequenas.


2-Crie uma rotina alimentar estruturada
Crianças que pulam refeições tendem a buscar açúcar. Horários regulares e lanches com proteínas e fibras ajudam a reduzir à vontade por doce.


3-Ofereça alternativas naturalmente doces
Frutas como banana, manga e uva, além de preparações caseiras com menos açúcar, ajudam na transição do paladar.


4-Converse, sem brigas
Explicações simples funcionam melhor do que discursos longos. Evite usar doces como recompensa ou castigo.


5-Cuide do ambiente
Doces fora da vista reduzem o consumo automático. O exemplo dos adultos é determinante.


6-Sono e emoções também influenciam
Falta de sono, ansiedade e estresse aumentam a busca por açúcar como conforto emocional.


7-Procure ajuda profissional quando necessário
Se a criança aceita apenas alimentos doces, apresenta ganho de peso excessivo, cáries frequentes ou crises emocionais ligadas à comida, é importante buscar orientação especializada.

“Açúcar não precisa ser totalmente proibido, mas deve ser exceção, não rotina. A base da alimentação infantil precisa ser construída com alimentos de verdade, rotina previsível e um ambiente acolhedor”, finaliza Renata. 



Renata Riciati - nutricionista materno-infantil e especialista em saúde da família, com mais de 20 anos de experiência em comportamento alimentar infantil, seletividade alimentar e terapia nutricional para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH. Formada pela Universidade Anhembi Morumbi, possui pós-graduação em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo e ampla atuação em consultório, escolas e projetos voltados à educação alimentar. Ao longo da carreira, acumulou experiências em instituições como o Instituto da Criança – HCFMUSP, GR Serviços de Alimentação e Prefeitura de São Paulo, além de comandar a RR Nutri, onde atende famílias, gestantes, bebês e crianças, oferecendo acompanhamento nutricional, consultoria escolar e consultoria corporativa. Renata também desenvolve projetos como o curso “Só Mais Uma Colherada”, criado em parceria com a jornalista Karina Godoy (TV Globo), e grupos online de orientação alimentar. 
Sua atuação se destaca pelo olhar integral, acolhedor e individualizado, com foco em transformar a relação das famílias com a comida, promovendo refeições mais leves, nutritivas e prazerosas.
Instagram: renatariciati_nutri
Site: Link

 

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