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A presença de dispositivos conectados à internet está intimamente presente na rotina das famílias, seja via televisores, computadores, tablets e, sobretudo, smartphones, que passaram a integrar o cotidiano de crianças e adolescentes em idades cada vez mais precoces. Embora ofereçam recursos educacionais e de comunicação, os aparelhos também trazem riscos quando utilizados de forma excessiva.
O uso prolongado de telas,
especialmente associado a conteúdos altamente estimulantes e redes sociais,
pode contribuir para alterações no sono, dificuldades de atenção, quadros de
hiperatividade, isolamento social, ansiedade e depressão infantil. Em situações
mais graves, há registros de sintomas que se assemelham a transtornos do
espectro autista.
De acordo com Luana Gomez,
psiquiatra infantil do Hospital HSANP, a exposição antes dos dois anos de idade
é particularmente preocupante. “É comum observarmos crianças bem pequenas em
contato frequente com telas, o que não é recomendado. Trata-se de um período
crítico para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e emocional. A
superexposição pode comprometer habilidades essenciais e gerar impactos a curto
e longo prazo”, afirma.
De acordo com o guia sobre usos
de dispositivos digitais para crianças e adolescentes divulgado pela OMS, é
recomendado que uma criança com menos de 12 anos não tenha um aparelho celular
ou tablet próprio, para que seja evitado o uso em excesso nas fases mais
importantes do desenvolvimento cognitivo.
“A dopamina que é liberada pelas
telas, principalmente em vídeos que proporcionam um grande estímulo em um curto
tempo, pode causar um ciclo de dependência pelos aparelhos, a ponto de a
condição ter sido considerada até como uma ‘demência digital’, devido a
possível deterioração causada no sistema cognitivo destas crianças e
adolescentes” complementa a psiquiatra.
As orientações gerais do guia
recomendam que crianças de 2 a 5 anos não ultrapassem uma hora por dia em tempo
de tela; até duas horas para a faixa etária entre 6 e 10 anos e por fim, três
horas para o grupo entre 11 e 17 anos, todos com supervisão necessária feita
pelos responsáveis, para que estas crianças e adolescentes possam ter uma vida
social saudável e ativa fora das telas.
Para a psiquiatra do Hospital
HSANP, a solução não está na proibição absoluta, mas no uso equilibrado e
consciente. “A proibição total do uso de telas não é a solução, e sim, um uso
que não seja excessivo, algo que também vale para os adultos. A tecnologia é
parte integrante da vida contemporânea e o desafio é estabelecer limites claros
e incentivar outras formas de interação e aprendizagem. Quando necessário, a
avaliação especializada é fundamental para evitar que prejuízos emocionais e
cognitivos se prolonguem ao longo da vida”, finaliza Luana Gomez, psiquiatra
infantil do Hospital HSANP.

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