A doença afeta o sangue e a medula óssea e pode comprometer a imunidade, a coagulação e o transporte de oxigênio no organismo
Estima-se que
mais de 12 mil novos casos de leucemia sejam diagnosticados por ano no Brasil,
segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Mesmo assim, o câncer do
sangue ainda gera dúvidas na população, o que pode atrasar a busca por
avaliação médica diante dos primeiros sintomas.
A leucemia é um
grupo de cânceres que têm origem na medula óssea, responsável pela produção das
células sanguíneas. Nessa condição, células anormais passam a se multiplicar de
maneira desordenada e substituem as células saudáveis, prejudicando funções
essenciais do organismo, como a defesa contra infecções, o transporte de
oxigênio e a coagulação.
Cada pessoa pode
apresentar a doença de forma diferente, variando conforme o tipo e a velocidade
de evolução.
Conheça
os sinais
“O quadro
costuma se confundir com outras doenças, principalmente infecções. Os pacientes
podem apresentar febre, astenia, fraqueza intensa e cansaço importante e,
muitas vezes, surgem sinais de sangramento, como gengivorragia, hematomas
espontâneos e petéquias, que são pequenos pontos vermelhos na pele,
especialmente nas pernas. Nas crianças, a dor óssea costuma ser o principal
sinal”, explica Roberto Luiz Silva, médico hematologista e responsável técnico
pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do Instituto Brasileiro de
Controle do Câncer – IBCC Oncologia.
Astenia é o
termo médico para uma sensação persistente de fraqueza ou falta de energia no
corpo inteiro, como sensação de corpo pesado, pouca força muscular, dificuldade
para realizar atividades simples e desânimo físico mesmo após descanso.
Tipos
de leucemia
As leucemias são
classificadas de acordo com a velocidade de evolução, podendo ser agudas ou
crônicas e, conforme o tipo de célula afetada, podem ser chamadas de leucemia
linfoide ou mieloide. Os principais tipos são a leucemia mieloide aguda (LMA),
leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfoblástica aguda (LLA) e leucemia
linfocítica crônica (LLC).
“As formas
agudas costumam evoluir rapidamente e exigem tratamento imediato, enquanto as
crônicas tendem a apresentar progressão mais lenta e, em alguns casos, podem
permanecer controladas por longos períodos”, explica o hematologista.
Fatores
de risco
O risco de
desenvolver leucemia aumenta com o avanço da idade, com exceção da leucemia
linfoblástica aguda, que ocorre com mais frequência em crianças. Entre os
fatores de risco estão o tabagismo, especialmente associado à leucemia mieloide
aguda e à leucemia linfocítica crônica.
Algumas condições
genéticas e hereditárias também elevam o risco, como a Síndrome de Down, a
anemia de Fanconi, a síndrome de Li-Fraumeni e o histórico familiar de
leucemia, dependendo do tipo da enfermidade.
Diagnóstico
e tratamento
O diagnóstico da
leucemia envolve exames laboratoriais, como o hemograma, exames específicos da
medula óssea, testes imunológicos e análises genéticas que ajudam a definir o
tipo da doença e a melhor estratégia terapêutica.
“No IBCC
Oncologia, realizamos também exames moleculares para leucemia, que são testes
avançados que analisam o DNA ou RNA das células sanguíneas ou da medula óssea
para identificar mutações genéticas, fusões gênicas ou alterações cromossômicas
específicas. Eles são fundamentais para o diagnóstico preciso, a definição do
prognóstico e o monitoramento da resposta ao tratamento, incluindo a detecção
de doença residual mínima”, explica o Dr. Roberto Luiz Silva.
O tratamento
varia conforme o tipo de leucemia, o estágio da doença e as características
clínicas do paciente. Pode incluir Quimioterapia, Terapias-alvo, Imunoterapia
e, em situações específicas, o Transplante de Medula Óssea, especialmente
quando há alto risco, falha no tratamento convencional ou recaída da doença.
Quando
o Transplante de Medula Óssea é indicado
O Transplante de
Medula Óssea tem papel fundamental, principalmente em alguns tipos de leucemias
agudas. O procedimento permite substituir a medula doente por células saudáveis
e capazes de restabelecer a produção normal do sangue.
“O transplante é
uma etapa decisiva para muitos pacientes, sobretudo quando a leucemia apresenta
comportamento agressivo ou não responde adequadamente às terapias iniciais,
como a Quimioterapia e as Terapias-alvo. Ele oferece a possibilidade de
reconstrução do sistema hematológico e chance real de cura”, explica o médico.
Os
tipos de transplante
O especialista
do IBCC Oncologia também destaca que existem quatro tipos de transplantes de
medula óssea. O primeiro, chamado autólogo, é realizado com células do próprio
paciente. Há também o alogênico, com células de doador compatível, o
haploidêntico, quando o doador apresenta compatibilidade parcial e, por fim, o
singênico, indicado em casos de gêmeos idênticos.
Como
se tornar um doador de medula óssea
Apesar dos
avanços nos tratamentos, a compatibilidade genética entre doador e receptor
ainda é rara. Por isso, o aumento do número de pessoas cadastradas no Registro
Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) é essencial para
ampliar as chances de transplante.
Para se tornar
um doador de medula óssea é preciso atender alguns critérios. Podem se
cadastrar pessoas entre 18 e 35 anos e em bom estado de saúde. O processo é
simples e começa com a coleta de uma amostra de sangue para análise genética.
“O maior desafio
não é o procedimento em si, mas encontrar um doador compatível. Cada novo
cadastro representa esperança para milhares de pacientes que aguardam por um
transplante”, reforça o médico do IBCC Oncologia.
O Redome reúne
mais de 5,9 milhões de cadastros ativos, sendo um dos maiores registros do tipo
no mundo, com milhares de coletas de células-tronco realizadas anualmente e
número crescente de doadores e receptores que potencializa as chances de
transplante para pacientes com leucemia e outras doenças hematológicas graves.
Informar-se,
compartilhar conhecimento e considerar o cadastro como doador são atitudes
simples que podem salvar vidas.
O Instituto
Brasileiro de Controle do Câncer - IBCC Oncologia, é um hospital de referência
em Oncologia e em pessoas com câncer. Atua para a conscientização, o
diagnóstico e o tratamento do câncer de forma humanizada, com soluções
completas e tecnologia avançada. Para saber mais, acesse: https://www.ibcc.org.br/ .
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