José Júnior- diretor nacional da Ensina Mais Turma da Mônica, explica sobre a teoria e como incentivar o potencial dos pequenos
Durante o início da fase escolar, é comum perceber
a facilidade dos pequenos em algumas áreas e certa dificuldade em outras. Isso
não significa falta de talento, apenas que cada criança aprende de um jeito e
em um ritmo diferente. A teoria das inteligências múltiplas, proposta por
Howard Gardner, um americano e psicólogo cognitivo e educacional, ajuda a
entender que existem diversas formas de ser inteligente, não apenas nas
habilidades lógica ou verbal.
Pensando nisso, José Júnior, diretor nacional
da Ensina Mais Turma da Mônica, rede referência em apoio escolar e
desenvolvimento infantil que faz parte do Grupo MoveEdu, explica o conceito de
inteligências múltiplas e como estimular esse potencial de maneira prática tanto
em casa quanto na escola.
“De acordo com pesquisas do Project Zero,
grupo da Universidade de Harvard focado em estudos sobre educação, quando o
conteúdo é apresentado de formas variadas, como uma aula de História que
utiliza música ou desenhos, a retenção a longo prazo aumenta
significativamente. Essa é a importância de descobrirmos quais são os
diferentes tipos de inteligência e como aplicá-los no momento do aprendizado”,
comenta José Júnior.
O que são inteligências múltiplas?
A teoria das inteligências múltiplas foi
desenvolvida em 1980, por Howard Gardner. Ele defende que cada indivíduo possui
um tipo diferente de inteligência, não apenas aquelas que são propostas em um
teste de QI. O psicólogo identificou que fatores como percepção musical,
habilidades interpessoais e consciência naturalista também são formas legítimas
de inteligência.
Seguindo esse ponto de vista, cada criança
tem um perfil de aprendizado único. Com isso, ela pode se destacar em uma ou
mais inteligências distintas, e reconhecer essas diferenças é fundamental para
uma educação personalizada e inclusiva, que respeita o ritmo e o estilo de
aprendizado do aluno.
Quais são os tipos de inteligências
múltiplas?
Inteligência lógico matemática: É a facilidade com
raciocínio abstrato, lógica e resolução de problemas. Crianças com esse perfil
costumam demonstrar interesse por quebra-cabeças, cálculos, jogos de estratégia
e ciências.
Inteligência linguística: A inteligência
linguística é a aptidão para usar as palavras de maneira eficaz, como escrever
contos e poemas, ler e expressar com clareza. Para ver o interesse do pequeno
nessa área, basta analisar se a criança gosta de escrever, ler ou se expressa
bem verbalmente.
Inteligência corporal-cinestésica: Refere-se à
capacidade de se expressar por meio do corpo, com movimentos e coordenação
motora. É comum em crianças que gostam de dançar, praticar esportes, atuar e
manipular objetos.
Inteligência naturalista: Está ligada à
sensibilidade e conexão com a natureza. Alunos com essa característica demonstram
interesse por plantas, animais, fenômenos naturais e costumam reconhecer padrões
no meio ambiente.
Inteligência espacial: Se trata da
habilidade de trabalhar com imagens, visualização, design e criatividade
visual. Pode ser percebida nos pequenos que gostam de desenhar, montar
maquetes, criar mapas e imaginar objetos em três dimensões
Inteligência musical: É a sensibilidade
para o ritmo, melodia, som e harmonia. Costuma aparecer em crianças que cantam,
tocam instrumentos ou identificam diferentes ritmos e tonalidades.
Inteligência interpessoal: O aluno que se
destaca em liderança de grupos, conversar, mediar conflitos e perceber emoções
alheias, apresenta uma inteligência interpessoal, que é o talento de entender
outras pessoas, englobando fatores como a comunicação social e a empatia.
Inteligência intrapessoal: Relaciona-se ao
autoconhecimento e à reflexão. Envolve consciência dos próprios sentimentos,
controle emocional, capacidade de autoavaliação e planejamento.
Como aplicar a teoria das inteligências
múltiplas na educação?
Para colocar a teoria em prática, José Júnior
dá dicas de como trabalhar essa questão em casa e na escola. “Comece observando
quais atividades a criança demonstra mais empenho ou aptidão. Ofereça propostas
variadas e projetos interdisciplinares que combinem diferentes inteligências”,
explica.
Depois da fase de identificação, organize
rotinas de estudo que intercalem atividades mais lógicas, criativas e práticas.
Na sala de aula é possível incorporar essa flexibilidade permitindo que o aluno
escolha a forma de apresentar um trabalho, seja por meio de um texto, uma
apresentação oral, um desenho ou uma atividade prática. Também é importante
oferecer um feedback personalizado, valorizando o que foi bem-feito de acordo
com a inteligência predominante da criança.
Como a tecnologia pode auxiliar nesse
processo?
A tecnologia, com supervisão, pode ser uma
ótima aliada para estimular as diferentes inteligências. Plataformas que se
adaptam ao tipo de aprendizagem, como quizzes visuais, jogos lógicos e
educativos, além de ferramentas de criação digital, permitem que os pequenos
expressem suas habilidades de forma dinâmica e personalizada. “Além disso, a
inteligência artificial pode auxiliar na elaboração de rotinas de estudo mais
específicas, apoiando os pais que desejam reforçar, em casa, as competências e os
pontos fortes dos filhos”, finaliza José Junior.
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