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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Por que algumas pessoas desmaiam ao ver sangue? Entenda a síncope vasovagal

Especialista do Ceunsp explica o que acontece no organismo, quais são os sinais de alerta e quando é preciso procurar atendimento médico 
 

Um episódio recente no Big Brother Brasil, em que um participante passou mal após se cortar, chamou atenção para um fenômeno comum: algumas pessoas podem apresentar queda de pressão e até perda temporária de consciência ao ver sangue. 

De acordo com a professora Daiana Zupirolli, do curso de medicina do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), o quadro é conhecido como síncope vasovagal — o tipo mais comum de desmaio. Ele ocorre por meio de uma resposta exagerada do sistema nervoso autônomo diante de um estímulo específico, como medo, dor, emoção intensa ou a própria visão de sangue. “Quando o cérebro interpreta a situação como ameaçadora, mesmo que não haja perigo real, o organismo reage de forma automática. O nervo vago é ativado intensamente, diminuindo os batimentos do coração e dilatando os vasos sanguíneos. Com isso, a pressão arterial cai rapidamente e menos sangue chega ao cérebro por alguns segundos, o que pode levar à perda temporária da consciência”, explica. 

O desmaio funciona como um mecanismo transitório do próprio organismo. Quando a pessoa cai ou se deita, o fluxo de sangue para o cérebro é restabelecido, o que permite a recuperação rápida da consciência, geralmente sem confusão mental prolongada. Nesse tipo de desmaio, o paciente pode apresentar sintomas prévios, conhecidos como pródromos. Entre eles estão tontura, visão escurecida ou embaçada, zumbido no ouvido, suor frio, palidez, náusea, fraqueza súbita e sensação de calor. Esses sinais surgem porque a pressão arterial começa a cair, reduzindo temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro. 

“Reconhecer esses sintomas é fundamental. Ao percebê-los, a pessoa deve se sentar ou deitar imediatamente, preferencialmente elevando as pernas. Isso facilita o retorno do sangue ao cérebro e pode evitar o desmaio”, orienta a médica. 

Apesar de fatores emocionais poderem atuar como gatilho, a perda de consciência não é provocada pela emoção em si, mas por uma resposta fisiológica automática do corpo. Trata-se de uma reação involuntária do sistema nervoso, e não de falta de controle ou exagero diante da situação. Episódios frequentes, ocorrências sem um gatilho claro ou acompanhadas de dor no peito, palpitações e histórico de problemas cardíacos, no entanto, exigem avaliação médica. Nessas situações, é importante investigar possíveis alterações cardiovasculares, como arritmias, e descartar outras causas para a perda de consciência. 

Adolescentes e adultos jovens são os mais afetados, já que o sistema nervoso nessa faixa etária costuma ser mais reativo. Mulheres também apresentam maior incidência, possivelmente por fatores hormonais e maior prevalência de quadros de ansiedade. Pessoas desidratadas, que permanecem muito tempo em pé ou que já tiveram episódios anteriores também podem ter maior predisposição. 

Manter-se hidratado, evitar longos períodos em jejum e reconhecer os sinais iniciais — como tontura, visão turva, suor frio e náusea — são medidas que podem ajudar a prevenir o desmaio. 

Na maioria das vezes, a síncope vasovagal é considerada benigna, especialmente quando há gatilho claro, sintomas prévios e recuperação rápida. Entretanto, alguns sinais exigem atenção médica imediata. “Desmaios que acontecem sem aviso prévio, durante esforço físico ou acompanhados de dor no peito e palpitações intensas devem ser investigados, pois podem indicar causas cardíacas, como arritmias”, alerta. 



Ceunsp
www.ceunsp.edu.br


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