Especialista do Ceunsp explica o que acontece no
organismo, quais são os sinais de alerta e quando é preciso procurar
atendimento médico
Um
episódio recente no Big Brother Brasil, em que um participante passou mal após
se cortar, chamou atenção para um fenômeno comum: algumas pessoas podem
apresentar queda de pressão e até perda temporária de consciência ao ver
sangue.
De
acordo com a professora Daiana Zupirolli, do curso de medicina do Centro
Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), o quadro é conhecido como
síncope vasovagal — o tipo mais comum de desmaio. Ele ocorre por meio de uma
resposta exagerada do sistema nervoso autônomo diante de um estímulo
específico, como medo, dor, emoção intensa ou a própria visão de sangue.
“Quando o cérebro interpreta a situação como ameaçadora, mesmo que não haja
perigo real, o organismo reage de forma automática. O nervo vago é ativado
intensamente, diminuindo os batimentos do coração e dilatando os vasos
sanguíneos. Com isso, a pressão arterial cai rapidamente e menos sangue chega
ao cérebro por alguns segundos, o que pode levar à perda temporária da
consciência”, explica.
O
desmaio funciona como um mecanismo transitório do próprio organismo. Quando a
pessoa cai ou se deita, o fluxo de sangue para o cérebro é restabelecido, o que
permite a recuperação rápida da consciência, geralmente sem confusão mental
prolongada. Nesse tipo de desmaio, o paciente pode apresentar sintomas prévios,
conhecidos como pródromos. Entre eles estão tontura, visão escurecida ou
embaçada, zumbido no ouvido, suor frio, palidez, náusea, fraqueza súbita e
sensação de calor. Esses sinais surgem porque a pressão arterial começa a cair,
reduzindo temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro.
“Reconhecer
esses sintomas é fundamental. Ao percebê-los, a pessoa deve se sentar ou deitar
imediatamente, preferencialmente elevando as pernas. Isso facilita o retorno do
sangue ao cérebro e pode evitar o desmaio”, orienta a médica.
Apesar
de fatores emocionais poderem atuar como gatilho, a perda de consciência não é
provocada pela emoção em si, mas por uma resposta fisiológica automática do
corpo. Trata-se de uma reação involuntária do sistema nervoso, e não de falta
de controle ou exagero diante da situação. Episódios frequentes, ocorrências
sem um gatilho claro ou acompanhadas de dor no peito, palpitações e histórico
de problemas cardíacos, no entanto, exigem avaliação médica. Nessas situações,
é importante investigar possíveis alterações cardiovasculares, como arritmias,
e descartar outras causas para a perda de consciência.
Adolescentes
e adultos jovens são os mais afetados, já que o sistema nervoso nessa faixa
etária costuma ser mais reativo. Mulheres também apresentam maior incidência,
possivelmente por fatores hormonais e maior prevalência de quadros de
ansiedade. Pessoas desidratadas, que permanecem muito tempo em pé ou que já
tiveram episódios anteriores também podem ter maior predisposição.
Manter-se
hidratado, evitar longos períodos em jejum e reconhecer os sinais iniciais —
como tontura, visão turva, suor frio e náusea — são medidas que podem ajudar a
prevenir o desmaio.
Na maioria das vezes, a síncope vasovagal é considerada benigna, especialmente quando há gatilho claro, sintomas prévios e recuperação rápida. Entretanto, alguns sinais exigem atenção médica imediata. “Desmaios que acontecem sem aviso prévio, durante esforço físico ou acompanhados de dor no peito e palpitações intensas devem ser investigados, pois podem indicar causas cardíacas, como arritmias”, alerta.
Ceunsp
www.ceunsp.edu.br
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