Especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana alerta para sinais de esgotamento emocional e destaca a importância do descanso e da reorganização da rotina familiar
O
esgotamento físico e emocional vivido por mães e pais, conhecido como burnout
parental, tem se tornado cada vez mais comum diante das múltiplas demandas da
vida moderna. A sobrecarga de responsabilidades, a falta de tempo para descanso
e a pressão por desempenho constante na criação dos filhos impactam diretamente
a saúde mental das famílias. Nesse contexto, o período de férias pode
representar não apenas uma pausa na rotina, mas uma oportunidade importante de
cuidado emocional.
O
burnout parental se caracteriza por sintomas como exaustão intensa,
irritabilidade frequente, sensação de incompetência, distanciamento emocional
dos filhos e culpa constante. Diferentemente do cansaço pontual, o esgotamento
se instala de forma progressiva e pode comprometer o bem-estar dos pais, a
qualidade das relações familiares e até o desenvolvimento emocional das
crianças.
“O
burnout parental acontece quando o cuidado deixa de ser equilibrado e passa a
ser sustentado apenas pelo esforço. Muitos pais vivem em estado de alerta
permanente, sem pausas reais, o que leva a um desgaste profundo”, explica
Eduardo A. Amaro, psicólogo e coordenador do Núcleo de Saúde Mental do Grupo
Santa Joana.
Férias não são obrigação de produtividade
Embora
o período de férias seja socialmente associado a lazer e felicidade, ele também
pode gerar expectativas irreais. Programações excessivas, cobrança por
‘aproveitar ao máximo’ e a dificuldade de se desconectar do trabalho podem
transformar o descanso em mais uma fonte de estresse.
Segundo
o especialista, o primeiro passo para que as férias sejam benéficas é reduzir a
exigência de perfeição. “Férias não precisam ser produtivas. Elas precisam ser
reparadoras. Dormir melhor, desacelerar, estar mais presente emocionalmente e
reorganizar a rotina já são formas muito potentes de cuidado com a saúde
mental”, destaca Eduardo.
Para
pais e mães, o descanso não está necessariamente ligado a viagens longas ou
grandes investimentos, mas à possibilidade de compartilhar responsabilidades,
flexibilizar horários e criar momentos de conexão genuína com os filhos e sem
culpa.
O
burnout parental, quando não reconhecido, pode evoluir para quadros de
ansiedade, depressão e conflitos familiares. Por isso, identificar os sinais
precocemente e buscar ajuda profissional é fundamental.
“Se
sentir constantemente exausto, irritado ou emocionalmente distante dos filhos
não é sinal de fraqueza, é um alerta. Procurar apoio psicológico é um ato de responsabilidade
consigo mesmo e com a família”, reforça o especialista
O
cuidado com a saúde mental parental faz parte da atenção integral à família, reconhecendo
que o bem-estar emocional dos pais é parte essencial do desenvolvimento
saudável das crianças.
Mais
do que um intervalo na agenda, as férias podem ser uma oportunidade para
escuta, autocuidado e à construção de relações familiares mais equilibradas
lembrando que cuidar de si também é uma forma de cuidar dos filhos.
Grupo Santa Joana
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