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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Exposição a conteúdos inadequados revela falha na segurança de adolescentes na internet

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Especialistas em cibersegurança apontam que proteção efetiva precisa de controles técnicos, educação digital e maior responsabilidade das plataformas

  

A entrada de crianças e adolescentes no ambiente digital acontece cada vez mais cedo, mas a proteção não acompanha esse ritmo. Uma pesquisa realizada pela Unico em parceria com a Ipsos revelou que mais da metade dos adolescentes brasileiros já tiveram contato com conteúdos inadequados na internet, um indicativo claro de que o ecossistema digital atual falha ao lidar com públicos em formação.
 

No mês em que disseminamos o uso consciente da internet, especialmente nesta faixa etária, especialistas alertam que o problema vai muito além de episódios isolados ou do tipo de conteúdo acessado.

“Trata-se de um ambiente desenhado para engajamento contínuo, onde verificação de idade frágil, algoritmos de recomendação e ausência de governança digital ampliam a exposição de jovens a riscos que eles ainda não estão preparados para enfrentar”, afirma Jardel Torres, sócio e diretor comercial (CCO) da OSTEC, empresa referência nacional em cibersegurança.
 

“O ambiente digital foi construído para adultos, mas passou a ser ocupado massivamente por crianças e adolescentes. Sem ajustes estruturais de segurança, isso cria uma assimetria perigosa entre tecnologia sofisticada e usuários vulneráveis”, complementa Torres.
 

Conteúdo inadequado é só a parte visível do problema

A exposição a materiais impróprios costuma ser o primeiro alerta, mas está longe de ser o único risco. Atualmente, crianças e adolescentes também se tornam alvos frequentes de engenharia social, assédio digital, golpes disfarçados de jogos ou desafios virais e coleta indevida de dados pessoais. Com menos repertório crítico e maior propensão ao compartilhamento, esse público acaba ampliando sua própria superfície de ataque, muitas vezes sem perceber.
 

“O jovem confia mais rápido, compartilha mais informações e questiona menos o que aparece na tela. Isso o transforma em um alvo estratégico para práticas maliciosas que passam despercebidas pelos mecanismos tradicionais de segurança”, explica Jardel Torres.
 

Nos últimos meses, episódios que ganharam grande repercussão nas redes sociais como o caso exposto pelo influenciador Felca, envolvendo a adultização e exposição indevida de menores, ajudaram a trazer o tema para o debate público. No entanto, o especialista afirma que esses casos apenas iluminam um problema que já existia de forma silenciosa no ambiente digital.
 

“Quando um episódio viraliza, ele chama atenção para algo que vinha acontecendo sem visibilidade. A maioria dos riscos não vira manchete, mas impacta diretamente o desenvolvimento emocional, psicológico e digital de crianças e adolescentes”, avalia o executivo.
 

Outro ponto crítico é a facilidade com que menores burlam restrições de idade em plataformas digitais. A autodeclaração, ainda amplamente adotada, se mostra insuficiente para impedir o acesso a ambientes inadequados e transfere a responsabilidade quase integralmente para famílias e escolas.
 

Segurança digital precisa mudar de lógica

De acordo com Jardel, enfrentar esse cenário exige uma mudança clara de abordagem: sair da reação a incidentes e adotar segurança digital desde a concepção das plataformas, especialmente quando o público inclui menores de idade. Isso envolve:

  • Tecnologias de cibersegurança mais inteligentes, capazes de identificar padrões de risco e comportamentos suspeitos;
  • Mecanismos mais robustos de verificação etária e governança digital;
  • Educação digital contínua, que prepara jovens para navegar com mais consciência e senso crítico.

“Não se trata de limitar o acesso à tecnologia, mas de torná-la responsável. Se o ambiente digital continuar falhando na proteção dos mais jovens, estaremos formando uma geração altamente conectada e estruturalmente vulnerável”, conclui Jardel Torres.

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