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Em sala de aula, no trânsito ou até na escolha de uma
roupa, as cores cumprem um papel fundamental no dia a dia. Mas, para quem tem
daltonismo, essa percepção pode ser diferente — e, muitas vezes, desafiadora. A
condição, também chamada de discromatopsia, altera a forma como o cérebro
interpreta determinadas tonalidades e pode interferir, inclusive, no desempenho
escolar quando não é identificada precocemente.
“O daltonismo é uma alteração na percepção das cores causada por
um funcionamento inadequado dos cones da retina, que são as células
responsáveis por captar as diferentes faixas de luz. Quando esses cones não
respondem corretamente, o cérebro recebe a informação de forma limitada e a
distinção entre algumas cores fica prejudicada”, explica o Dr. Galton Carvalho
Vasconcelos, oftalmologista do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.
Na prática, isso significa que o mundo pode ser visto com nuances
diferentes daquelas percebidas pela maioria das pessoas. “Muitos pacientes
confundem vermelho com verde ou enxergam essas cores de forma mais apagada,
próximas do marrom ou do cinza. Há também casos mais raros em que a dificuldade
envolve azul e amarelo. E existe a forma mais extrema, chamada acromatopsia, em
que a pessoa enxerga apenas em tons de cinza”, detalha.
Segundo o especialista, a forma mais comum é a dificuldade na
distinção entre vermelho e verde, condição que atinge principalmente os homens.
“Na grande maioria dos casos, o daltonismo é hereditário e ligado ao cromossomo
X, por isso é mais frequente no sexo masculino. Muitas vezes, o paciente só
descobre na infância, quando começam as atividades escolares que exigem
diferenciação de cores”, afirma.
E é justamente nesse contexto que a condição pode impactar o
aprendizado. “Grande parte dos materiais didáticos utiliza cores para organizar
informações: mapas, gráficos, tabelas, legendas. Quando a criança não consegue
distinguir essas tonalidades, pode ter dificuldade de interpretação e até ser
vista como desatenta ou com baixo rendimento, quando, na verdade, há uma
limitação visual não diagnosticada”, alerta o médico.
O daltonismo também pode trazer desafios cotidianos. Reconhecer
sinais luminosos, interpretar avisos coloridos ou realizar tarefas que dependem
de códigos cromáticos pode exigir estratégias adicionais. “Por isso, o
diagnóstico precoce é tão importante. Ele permite orientar a família e a
escola, adaptar materiais e evitar prejuízos acadêmicos e emocionais”, reforça.
Embora não tenha cura, existem recursos que ajudam a melhorar a
percepção das cores ou, ao menos, a diferenciá-las com mais precisão. “Hoje
contamos com aplicativos que identificam cores, ajustes digitais de contraste e
adaptações visuais que reduzem o impacto da condição. Além disso, há óculos
específicos com lentes filtrantes que diminuem a sobreposição entre
determinadas faixas de luz, especialmente entre verde e vermelho, aumentando o
contraste”, explica.
O oftalmologista destaca, no entanto, que os resultados variam.
“Esses óculos não devolvem uma visão ‘normal’ das cores, mas podem proporcionar
uma experiência visual ampliada e mais confortável para alguns pacientes. Nem
todos se adaptam da mesma forma, por isso a avaliação individualizada é
fundamental.”
“Com diagnóstico adequado, acompanhamento oftalmológico e estratégias
personalizadas, é possível minimizar limitações e garantir que a pessoa com
daltonismo tenha pleno desenvolvimento escolar e qualidade de vida. O mais
importante é não ignorar os sinais e buscar orientação especializada”, finaliza
o Dr. Galton Carvalho Vasconcelos, oftalmologista do IOBH – Instituto de Olhos
de Belo Horizonte.

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