Com porções menores, consumidores mais seletivos e foco em valor nutricional, o foodservice passa por uma adaptação impulsionada pelo uso das canetas emagrecedoras
O
que muda quando o consumidor passa a sentir menos fome, escolhe com mais
cuidado o que come e já não se identifica com pratos grandes? O uso das
chamadas canetas emagrecedoras vem transformando esse comportamento no Brasil.
Segundo o Conselho Federal de Farmácia, o uso dessas canetas saltou em 2025 88%
em relação a 2024, número que segue em crescimento e começa a impactar diretamente
a forma como as pessoas consomem alimentos fora de casa.
Para
os restaurantes, essa mudança exige mais do que ajustes pontuais. “Estamos
diante de um novo jeito de se relacionar com a comida. O cliente não quer
apenas comer menos, ele quer comer melhor. Isso leva o foodservice a repensar
cardápios, tamanhos de porção, composição dos pratos e até a forma como o valor
da refeição é percebido”, explica Rafael Fraga, chef de gastronomia da Prática.
O
uso das canetas emagrecedoras faz com que muitas pessoas se sintam satisfeitas
mais rapidamente, comendo menos quantidade por refeição. Além disso, alimentos
muito gordurosos, açucarados ou pesados tendem a perder espaço no dia a dia
desses consumidores, que passam a preferir opções mais simples, naturais e
equilibradas. Comer deixa de ser apenas um momento de exagero ou recompensa e
passa a estar mais ligado ao cuidado com o corpo e ao bem-estar.
Dentro
do foodservice, esse comportamento muda a dinâmica da cozinha. Cresce a procura
por porções reduzidas, pratos fracionados, cardápios mais leves e opções que
permitam personalização. Restaurantes passam a revisar seus menus não apenas
para diminuir calorias, mas para oferecer refeições com melhor qualidade
nutricional, mesmo em menor quantidade. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade
de produzir sob demanda, controlar melhor estoques e reduzir desperdícios.
A
precificação também entra no centro da discussão. Muitos consumidores passam a
questionar o preço de pratos tradicionais quando não conseguem consumir tudo o
que é servido. Restaurantes que conseguem ajustar porções e valores, criando
menus mais flexíveis, opções compartilháveis ou formatos adaptados, tendem a
manter esse público ativo. O foco deixa de ser o volume servido e passa a ser a
adequação do prato ao novo padrão de consumo.
“Esse
movimento exige que os restaurantes comecem a se preparar desde agora para um
cenário de consumo mais consciente, impulsionado tanto pelo uso das canetas
emagrecedoras quanto pela busca crescente por qualidade de vida e bem-estar”,
explica o chef. “A adaptação passa por planejamento, eficiência operacional e
decisões mais técnicas sobre porções, processos e equipamentos, para atender um
cliente que come menos, mas é cada vez mais exigente”, finaliza.
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