“A verdadeira riqueza de uma nação
está na sua capacidade de produzir, inovar e gerar oportunidades para sua
população. É preciso ter claro que quem produz é quem sustenta a economia do
país”
TSE
reprodução
O Brasil cresceu pouco e
cresceu mal nas últimas décadas. Mesmo em períodos de relativa estabilidade
macroeconômica, o país foi incapaz de transformar crescimento em melhoria
consistente da qualidade de vida da população. Enquanto outras nações avançaram
ao articular produtividade, educação, investimento e inovação, o Brasil se
acomodou em um modelo que priorizou a estabilidade nominal como fim em si
mesmo, sem enfrentar seus entraves estruturais mais profundos.
O contraste internacional é
evidente. Coreia do Sul, Vietnã, China, Indonésia e Índia seguiram trajetórias
distintas entre si, respeitando suas realidades políticas, sociais e culturais,
mas com um ponto comum: todos trataram crescimento econômico, investimento produtivo
e transformação estrutural como objetivos explícitos de Estado. Esses países
entenderam que desenvolvimento não acontece por inércia nem como efeito
colateral da estabilidade, mas exige planejamento, coordenação e escolhas
claras em prol do desenvolvimento econômico, mas, principalmente, social.
Compreenderam que a verdadeira riqueza de uma nação está na sua capacidade de
produzir, inovar e gerar oportunidades para sua população. É preciso ter claro
que quem produz é quem sustenta a economia do país.
No Brasil, ao contrário, o
desenvolvimento passou a ser tratado como secundário, quase acidental. A
política econômica concentrou-se em controlar variáveis de curto prazo,
enquanto temas como produtividade, formação de capital humano, segurança e
modernização da estrutura produtiva ficaram em segundo plano. A ausência de um
projeto nacional consistente cobrou seu preço: crescimento baixo, renda
estagnada e desigualdades persistentes.
Esse desequilíbrio aparece com
clareza na área social. Houve avanços importantes no acesso à educação, especialmente
nas últimas décadas, mas o país fracassou de forma recorrente na qualidade do
ensino. A formação oferecida é insuficiente para preparar cidadãos para o mundo
do trabalho, elevar a produtividade e sustentar uma economia mais moderna e
competitiva. Sem educação de qualidade, não há inclusão social duradoura, nem
melhora consistente em saúde e segurança pública. O resultado é um ciclo
vicioso em que baixa escolaridade, baixa renda e vulnerabilidade social se
retroalimentam.
A falta de crescimento estruturado
também limita a capacidade do Estado de investir onde mais importa. Juros
persistentemente elevados drenam recursos públicos que poderiam ser
direcionados à educação, à segurança, à infraestrutura social e à geração de
emprego e renda. Estabilidade é necessária, mas não pode ser um fim em si mesma
quando convive com serviços públicos frágeis, desigualdades profundas e baixa
mobilidade social.
Com a taxa básica de juros
mantida em nível elevado ao longo de 2026, girando em torno de 12% até o fim do
ano, o ambiente de negócios segue pressionado. Na prática, os juros altos
reduzem consumo e investimentos, desaceleram a atividade econômica e tornam o
capital de giro mais caro. Esse cenário afeta de forma ainda mais intensa as
micro e pequenas empresas, que dependem mais de financiamento, têm menos
garantias e enfrentam custos financeiros proporcionalmente maiores,
comprometendo a geração de empregos e renda.
Além disso, tratar o controle
da inflação como objetivo isolado ignora problemas estruturais do país, como
baixa produtividade, desigualdade regional e carências históricas nas políticas
sociais. O resultado é um país formalmente estável, mas socialmente vulnerável,
em que milhões de brasileiros permanecem à margem das oportunidades econômicas.
O Brasil precisa repensar seu
modelo de desenvolvimento. A política econômica deve estar integrada a um
projeto que coloque as pessoas no centro das decisões, que transforme
estabilidade em bem-estar e crescimento em qualidade de vida.
Mais do que discutir nomes ou
governos, o país precisa de um plano. Um plano que articule crescimento
econômico com desenvolvimento social, educação de qualidade e segurança pública
eficiente — porque, no fim, a verdadeira riqueza de uma nação está na sua
capacidade de produzir.
**As opiniões expressas em
artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem,
necessariamente, com as do Diário do Comércio**
Alfredo Cotait Neto
presidente da CACB e Facesp
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/eleicoes-mais-que-nomes-o-brasil-precisa-de-um-plano
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