A revolução silenciosa dos novos modelos de negócio
A narrativa pode ser entendida como um soco no estômago da ortodoxia corporativa e acadêmica. Ela aponta para um divórcio doloroso, mas inevitável, entre as estruturas de poder tradicionais e a efervescência de uma nova geração de empreendedores. O cerne da questão não reside na preguiça ou na falta de disciplina dos jovens; reside na cegueira voluntária de quem insiste em aplicar métricas obsoletas a uma realidade em profunda e rápida transformação.
A crítica aos "engravatados presos em relatórios e PPTs ridículos" não é um ataque à formalidade, mas sim à burocracia improdutiva e à autossatisfação estrutural. As grandes organizações (e, por extensão, as instituições de ensino) ainda medem o sucesso pelo tempo de permanência no escritório, pela hierarquia formal ou pela complexidade dos documentos gerados, o que nos permite falar sobre a tirania dos modelos engessados.
Enquanto isso, as novas gerações estão operando em um novo paradigma de valor. Eles aprendem, testam e faturam em modelos que valorizam a velocidade da execução e a capacidade de adaptação acima de tudo. Elas não estão fora do mercado; elas estão operando em micro-economias digitais, seja no dropshipping, na criação de conteúdo de nicho monetizado ou no desenvolvimento de negócios digitais.
Primeiro considerar que o valor é físico: A régua do passado mede ativos tangíveis (imóveis, estoque, capital de giro). O futuro é medido em ativos intangíveis: atenção, dados, comunidade e código. Um jovem que fatura milhares com 10 minutos de vídeo semanal vale mais, em termos de flow de receita e influência, do que muitos gerentes presos a reuniões intermináveis.
Assim, detectamos o ato de confundir Forma com Essência: O sucesso é medido pelo diploma e pelo dress code, e não pela competência de gerar receita e solucionar problemas reais. O novo sistema não exige CNPJ complexo nem escritório na Faria Lima para começar. Exige apenas conexão e criatividade, devendo ser considerado que essa não é uma geração de rebeldes sem causa, é uma geração de arquitetos digitais. Eles estão criando um sistema paralelo de geração de riqueza e conhecimento, onde o capital é o know-how e a reputação pessoal, e não o capital financeiro da empresa.
Nessa nova economia, a aprendizagem é sob demanda, sendo que a habilidade pode ser adquirida em bootcamps e vídeos tutoriais e não em longos cursos que não conseguem acompanhar a velocidade da tecnologia, sendo o trabalho distribuído e assíncrono: Onde a eficácia é o entregável, e não o cumprimento de horário. Talvez o maior erro seja achar que eles estão fora do sistema, quando na prática, eles estão construindo um novo sistema!
O futuro não será validado pelos relatórios PowerPoint do presente, mas sim pelas métricas de crescimento e faturamento desses novos modelos. Se as empresas e as instituições quiserem sobreviver e prosperar, precisam urgentemente aposentar a régua do passado. Devem parar de tentar encaixar a nova realidade em velhos templates e começar a aprender a investir nos sistemas que esta nova geração já está construindo. O futuro não espera por quem se recusa a olhar para frente.
Ederson Dé Manoel - CEO do
Grupo Atalhos. É executivo com sólida experiência em inteligência artificial,
inovação, transformação digital, desenvolvimento de produtos digitais,
tecnologias ‘no-code e vibe coding AI'.
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