Período da quarentena é importante para conscientização da
necessidade de prevenir enfermidades provocadas por arboviroses
Apesar de todas as atenções
estarem voltadas ao novo coronavírus neste momento, a população não deve se
descuidar da ameaça das arboviroses – doenças cuja incidência de casos vem
crescendo anualmente, principalmente nesta época, segundo o Ministério da
Saúde. Apenas nas 12 primeiras semanas deste ano, o Ministério da Saúde
registrou 441.224 casos (taxa de incidência de 209,9 casos por 100 mil
habitantes) de dengue no país. A região Centro-Oeste apresentou 499,6 casos/100
mil habitantes, em seguida as regiões Sul (476,1 casos/100 mil habitantes),
Sudeste (199,4 casos/100 mil habitantes), Norte (68,3 casos/100 mil habitantes)
e Nordeste (49,5 casos/100 mil habitantes). Neste cenário, destacam-se os
estados do Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e
Paraná.
O mosquito Aedes aegypti,
transmissor da doença, é extremamente urbano e 90% de seus criadouros se
encontram no ambiente domiciliar. Neste período de isolamento social, é
importante combater a proliferação para evitar novos casos. “Além disso, como
medida preventiva, tem a vacinação, que é recomendada para as pessoas que já
tiveram qualquer infecção por um dos 4 tipos de vírus da dengue”, explica o
epidemiologista e assessor de vacinas do Grupo Pardini, José Geraldo Ribeiro.
Para saber se está nesse grupo, é necessária a realização de exame de sangue,
já que algumas pessoas podem apresentar dengue assintomática.
“A imunização completa é
feita em 3 doses e é oferecida somente no sistema privado. A eficácia
comprovada é de 66% para a dengue clássica e de 93% para a hemorrágica - forma
mais grave”, explica José Geraldo. Outro benefício da vacina é a redução da
hospitalização com casos da doença, liberando leitos para os quadros
diagnosticados com Covid-19. Os sintomas da dengue são febre, fraqueza, dor no
corpo e ao redor dos olhos, na cabeça e nas articulações, náuseas e vômitos, e
manchas avermelhadas na pele.
Mas, apesar de ser a mais
comum, a dengue não é a única arbovirose em circulação no Brasil. Outras
enfermidades desse grupo, transmitidas também pelo mosquito Aedes aegypti,
são frequentes. É o caso da Febre Amarela Urbana (incomum no Brasil), Febre
Chikungunya e Zika Vírus, cujos sintomas semelhantes aos da dengue dificultam o
diagnóstico. Para essas, ainda não há vacinas, mas existem dois tipos de testes
que auxiliam na identificação das doenças.
Os testes moleculares
detectam o material genético do vírus e são considerados padrão ouro para
diagnóstico das arboviroses. Entretanto, para cada doença, existe uma limitação
do período em que o vírus circula no sangue. Já os testes sorológicos avaliam a
produção de anticorpos do paciente contra a agressão. Mas não são tão
específicos, o que gera mais chances de resultado falso-positivo e negativo.
Duas novas arboviroses
Dados epidemiológicos
mostram o aparecimento de outras duas arboviroses com sintomas igualmente
parecidos, com casos já identificados na América Central, Bolívia, Peru, na
Floresta Amazônica e no Nordeste do Brasil. Os pesquisadores alertam para um
possível alastramento para as áreas mais populosas do país.
Estima-se que o vírus Oropouche,
transmitido pelo mosquito Culicoides paraenses, tenha afetado
mais de meio milhão de pessoas causando a Febre Oropouche.
Entretanto, o número exato de casos ainda é difícil de determinar devido à
similaridade dos sintomas com as outras arboviroses. Essa doença pode provocar,
ainda, meningite e inflamação do encéfalo e das meninges
(meningoencefalite).
Já o vírus Mayaro pode ser
transmitido pelos mosquitos Aedes albopictus e Aedes aegypti e
causar a Febre do Mayaro, uma doença autolimitante aguda febril
(com duração de 3 a 5 dias), caracterizada por dor de cabeça frontal, dor
retro-orbital, artrite, “rash”, que pode progredir para uma severa e prolongada
artralgia.
Segundo a Coordenadora do
Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Pardini, Danielle Zauli, pela
semelhança dos sintomas, é difícil diferenciar um vírus do outro e pode haver
subnotificação dos casos. Para diagnosticar corretamente essas doenças, a área
de P&D do Pardini desenvolveu in house exames moleculares. Validados
no ano passado, os testes rápidos possuem alta sensibilidade para
detecção desses vírus em amostras de soro/plasma de pacientes com suspeita
clínica da infecção.
De acordo com Danielle
Zauli, no Brasil, não há surto de nenhuma das duas doenças. No entanto, como há
a preocupação de especialistas de que ambos os vírus (Oropouche e Mayaro)
possam atingir áreas populosas, é fundamental que o laboratório esteja pronto
para dar uma rápida resposta. “Pode ser que o surto não venha. Mas, se vier,
estamos preparados. Se a validação do teste só fosse feita após o surgimento da
epidemia, perderíamos muito tempo até desenvolvê-lo”, enfatiza.
Serviço
A vacina contra dengue e os
testes moleculares e sorológicos para diagnóstico de sete arboviroses (Dengue,
Dengue Hemorrágica, Febre Amarela, Febre Chikungunya, Febre do Mayaro, Febre
Oropouche e Zika Vírus) estão disponíveis em todo o Brasil. Os serviços podem
ser realizados, conforme disponibilidade, pelas unidades próprias do Grupo
Pardini que estão em funcionamento, pelo atendimento domiciliar ou pelo serviço
de Apoio Laboratorial para mais de 6 mil laboratórios no país. É recomendado
checar a disponibilidade em cada praça pelos telefones abaixo.
Grupo Pardini
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