A Dra. Denise Steiner explica a diferença entre
cicatriz e queloide
A primeira fase é a inflamação que ocorre imediatamente até quatro dias consecutivos. Essa fase da cicatrização está relacionada ao processo imediato de coagulação, com a chegada das plaquetas, que trazem os fatores de crescimento e também as células de defesa. Neste momento, há uma tentativa de limpar a ferida e intensificar a formação de tecido novo.
A
segunda fase da cicatrização é a fase proliferativa, com tecido de granulação,
que ajuda na angiogênese, reepitelização e reconstrução inicial do local
agredido. Essa fase começa por volta do terceiro dia e vai até décimo segundo
dia. A partir, aproximadamente, do décimo dia, inicia-se a fase de remodelação,
que é caracterizada pela formação de colágeno novo. Este processo de
cicatrização é complexo e sincronizado como uma orquestra em que não há notas
desafinadas. Porém, quando ocorre desequilíbrio e descontrole, seja por fatores
internos ou externos, pode ocorrer a cicatriz hipertrófica ou queloide.
Cicatriz
hipertrófica é aquela cicatriz que fica alta e espessa, avermelhada, sem
ultrapassar os limites do trauma que ocorre na pele. Ela pode ser ligeiramente
dolorida. Já o queloide tem influência genética, ocorrendo mais na pele negra e
caracteriza-se por um processo intenso de produção de colágeno que ultrapassa
muito os limites do trauma na pele. Sendo mais incômodo e atingindo tamanhos
anormais, por exemplo, quando um furo na orelha causa uma lesão do tamanho de
um tomate. Esses processos estão marcados por uma intensa produção de colágeno,
produzindo processos fibróticos endurecidos e descontrolados. Vários fatores
influenciam na formação da cicatriz hipertrófica e queloide: tipo de pele,
local do corpo, tipo de cirurgia, infecção no local do corte, tensão, estado
nutricional, hormônios, formação de hematomas, entre outros.
Conhecendo
melhor a causa das cicatrizes é possível ter armas para tratamentos mais
eficientes. Uma opção sempre presente é o uso de géis ou placas de silicone. O
seu mecanismo de ação não está totalmente claro, porém é interessante que o
local seja protegido e mantenha-se hidratado. O laser pulsado de corante
“Pulsed Dye Laser” pode ser usado em cicatrizes vermelhas, pois destrói os
vasos, diminui a inflamação, evitando a formação de excesso de colágeno
O
5-fluoracil e também a bleomicina são usados em cicatriz hipertrófica e
queloide, promovendo destruição das células por apoptose e também interferem no
processo inflamatório diminuindo a fibrose.
A
microinfusão de medicamento na pele, utilizando um aparelho similar aquele de
realizar tatuagens, reúne dois mecanismos de ação que são a picadura na
superfície cutânea e também a ação da droga propriamente dita. Sendo assim,
podemos utilizar com essa técnica, drogas como corticoide, 5-fluoracil e
bleomicina, os quais interrompem o processo de formação excessiva de
colágeno.
A
mensagem principal deste texto pode ser resumida em 3 pontos
fundamentais:
1-É
importante conhecer o mecanismo de ação da cicatrização para agir nos alvos
mais interessantes e relevantes.
2-É
crucial avaliar cada paciente e cada situação, pois podemos prevenir o
aparecimento de cicatriz, evitando: realizar cirurgias em fumante inveterados,
locais críticos, infecção por assepsia inadequada, formação de exagerada de
hematomas, entre outros.
3-
Agir rapidamente para que possamos evitar as cicatrizes.
a.
curativos oclusivos
b.
laser para vasos a partir do 15º dia
c.
infiltração de drogas, dependendo da intensidade do processo o mais breve
possível.
d.
Uso de Microinfusão de Medicamentos na Pele que é interessante por ter
poucos efeitos colaterais e ação específica.
Dra. Denise Steiner - coordenadora do Departamento Científico da SBD
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