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sábado, 29 de agosto de 2026

Calvície hereditária: o que os pais transmitem aos filhos?

Médicos explicam como a genética influencia a alopecia androgenética, por que a predisposição pode vir dos dois lados da família e como o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento 

 

"Meu pai é careca. Vou ficar careca também?" A dúvida é comum entre homens de diferentes idades. Apesar da crença de que a calvície é herdada apenas da família materna, a genética da alopecia androgenética é bem mais complexa e envolve genes herdados tanto do pai quanto da mãe.

Segundo o dermatologista e tricologista Hudson Dutra Rezende, a predisposição genética é um dos principais fatores para o desenvolvimento da calvície, mas não determina, sozinha, que ela irá acontecer.

"Existe o mito de que a calvície vem apenas do lado da mãe porque um dos genes mais estudados relacionados à alopecia androgenética está localizado no cromossomo X. No entanto, hoje sabemos que a condição é poligênica, ou seja, envolve diversos genes herdados tanto da mãe quanto do pai. Ter um familiar careca aumenta o risco, mas não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a condição", explica.

Os primeiros sinais costumam surgir entre os 20 e 30 anos, embora possam aparecer antes ou depois. Afinamento dos fios, aumento da queda e o surgimento de entradas são sinais que merecem atenção.

Embora a predisposição genética seja o principal fator para a alopecia androgenética, outras doenças e condições também podem causar queda de cabelo e devem ser investigadas. Alterações hormonais, doenças do couro cabeludo, alopecia areata, alopecia por tração, tricotilomania, estresse intenso, uso de determinados medicamentos e suplementos, alterações relacionadas ao uso ou interrupção de pílulas anticoncepcionais, radioterapia e até quadros de desnutrição também podem estar associados à perda capilar. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.

"Quanto mais cedo o paciente procura por um médico, maiores são as chances de retardar a progressão da alopecia com tratamentos individualizados", destaca Hudson Dutra Rezende.

Quando a perda capilar já é definitiva, o transplante capilar pode ser indicado. O médico cirurgião Thiago Bianco Leal, referência na área, explica que o procedimento consiste na retirada de folículos capilares de regiões doadoras, normalmente da parte posterior e lateral da cabeça, para serem implantados nas áreas com falhas ou calvície. Os fios transplantados mantêm suas características genéticas e continuam crescendo normalmente. A técnica associada ao método Thiago Bianco® permite recuperação mais rápida, cicatrizes praticamente imperceptíveis e resultados progressivos e naturais.

"O transplante devolve cabelos às áreas onde houve perda permanente dos fios. E muitas vezes é associado ao tratamento clínico para preservar os cabelos existentes e garantir resultados mais duradouros e naturais. O planejamento individual é essencial para que o resultado respeite as características de cada paciente", afirma Bianco.

Os médicos reforçam que pessoas com histórico familiar ou que percebam queda persistente e afinamento dos fios devem procurar um médico. A avaliação precoce amplia as opções de tratamento e contribui para melhores resultados.

 

Thiago Bianco Leal - Médico cirurgião com mais de 17 anos de atuação, Thiago Bianco Leal é graduado em Medicina pela Universidade de Marília e atua exclusivamente na área de transplante capilar. Com experiência em técnicas modernas, já realizou mais de 10 mil procedimentos. Ao longo de sua carreira, foi responsável por diversos procedimentos realizados em figuras públicas como Tom Cavalcante, Roberto Carlos, Lucas Lucco, o empresário Kaká Diniz e Xuxa Meneghel.

Hudson Dutra Rezende - Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, Mestre em dermatologia pelo Hospital das Clínicas da USP de São Paulo. Colaborador do ambulatório de tricoses do Hospital das Clínicas da USP de São Paulo e coordenador do serviço de alopecias da Fundação Lusíada, Santos.


Laser de diodo surge como alternativa para tratamento da bromidrose com recuperação mais rápida


A bromidrose, condição caracterizada pelo odor desagradável provocado pela ação de bactérias sobre o suor, pode ser tratada por diferentes abordagens. Entre elas, o cirurgião plástico Alexandre Kataoka vem utilizando há aproximadamente cinco anos uma estratégia que emprega laser de diodo em alta potência para atuar na região afetada, com resultados considerados animadores pelo especialista. 

A técnica, segundo Kataoka, busca oferecer uma alternativa menos invasiva em comparação à exérese tradicional, procedimento que envolve a retirada de uma quantidade maior de tecido e pode deixar cicatrizes mais extensas. Com o uso do laser, a incisão é de aproximadamente um centímetro, e a recuperação tende a ser mais rápida. “É uma cirurgia que a gente faz na região da bromidrose e o paciente de 24 a 48 horas depois já pode até trabalhar”, explica o cirurgião. 

O procedimento também utiliza uma câmera térmica para acompanhar a temperatura da região durante a aplicação do laser, com o objetivo de evitar danos à pele. A combinação entre a potência empregada e o controle térmico faz parte do protocolo utilizado pelo especialista, que relata bons índices de satisfação e remissão entre os pacientes tratados. 

Os resultados da experiência estão reunidos em um trabalho que já foi aceito para publicação na revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e passa pelas últimas revisões antes da publicação. De acordo com Kataoka, os resultados obtidos apresentam taxas próximas às observadas com a exérese, contribuindo para a validação da abordagem. 

Além da região das axilas, onde a bromidrose é mais frequentemente percebida, o laser de diodo também pode ser utilizado em casos que acometem a região da virilha. “Com o laser não. é uma cicatriz de 1 centímetro e o bom é que para pacientes que tem bromidrose na região da virilha a gente também pode fazer”, afirma. 

Com a experiência acumulada ao longo de cerca de cinco anos, a proposta não é apresentada pelo médico como uma nova técnica, mas como uma adaptação de uma estratégia já utilizada no tratamento da bromidrose, incorporando o laser de diodo como recurso para reduzir o trauma cirúrgico e favorecer uma recuperação mais rápida.

 

Fonte: Alexandre Kataoka - cirurgião plástico, perito concursado da Secretaria da Justiça de São Paulo – Instituto de Medicina Social e Criminologia do Estado de São Paulo, membro efetivo da Câmara Técnica em Cirurgia Plástica do Conselho Federal de Medicina (CFM), conselheiro responsável da Câmara Técnica do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e coordenador da Comunicação do Cremesp.


20 minutos de esteira por dia emagrece? Veja o que faz diferença

Caminhar já ajuda? É preciso correr? Especialista explica como aproveitar melhor o tempo na esteira para quem quer perder gordura 


Vinte minutos de esteira por dia podem, sim, ajudar no emagrecimento, principalmente para quem está começando. Mas o relógio não é o único fator que determina o resultado. Intensidade, frequência, condicionamento, alimentação e musculação também entram nessa conta. 

“Para quem estava sedentário, começar com 20 minutos já representa um avanço. O mais importante nesse início é criar regularidade”, explica Cacá Ferreira, gerente técnico da Cia Athletica. 

E não é preciso correr. Caminhar em ritmo mais acelerado ou aumentar a inclinação pode elevar a intensidade e o gasto energético. Segundo Ferreira, a evolução deve ser gradual, aumentando tempo, velocidade ou inclinação, de preferência uma variável por vez. 

Outro ponto importante é combinar cardio e musculação. O treino de força ajuda a preservar a massa muscular durante o emagrecimento e contribui para melhorar a composição corporal.
 

Checklist: como fazer os 20 minutos renderem mais

  • Comece em uma intensidade adequada ao seu condicionamento.
  • Aumente o ritmo da caminhada aos poucos.
  • Use a inclinação para intensificar o exercício sem precisar correr.
  • Evite aumentar velocidade, tempo e inclinação ao mesmo tempo.
  • Combine a esteira com exercícios de musculação.
  • Não se prenda apenas à balança: observe medidas e composição corporal.
  • Quando o treino fica fácil demais, ajuste o estímulo.
  • Priorize a constância em vez de treinos muito intensos e esporádicos
  • Se sentir dor, incômodo ou mal-estar durante o exercício, interrompa a atividade e procure orientação especializada.

Para Cacá, não existe uma fórmula universal: 20 minutos podem ser um ótimo começo, desde que o treino evolua junto com o condicionamento de cada pessoa.
  

Companhia Athletica
Mais informações: Link


Quando a estética deixa de ser escolha e vira tendência

Médico especialista em Cirurgia, Dr. Georgen Hauagge defende que naturalidade e equilíbrio devem prevalecer sobre modismos e padrões de beleza passageiros 

 

Mais de 80% dos brasileiros afirmam ter interesse em realizar algum procedimento estético. Ao mesmo tempo, uma pesquisa recente revelou que 74% das pessoas que já passaram por algum tipo de intervenções rejeitam exageros e preferem resultados mais naturais. Os números mostram que, embora a procura por tratamentos continue em alta, cresce também a preocupação com a preservação da aparência individual e com resultados que respeitem as características de cada paciente.

Essa é a abordagem que acompanha a trajetória clínica do Dr. Georgen Hauagge há mais de 15 anos. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especializado em Cirurgia pelo HU-UFSC e com pós-graduações em Dermatologia, Medicina Estética e Visagismo, ele é um defensor de que a estética facial deve ser guiada por naturalidade e equilíbrio, ao invés da tentativa de reproduzir tendências passageiras ou padrões de beleza impostos pelas redes sociais. “Tendência passa, procedimento fica”, destaca.

É a partir dessa vivência profissional que o médico lança Seu rosto não é moda - Exageros, falsas promessas e a responsabilidade esquecida na estética moderna, livro em que traz para além do consultório discussões (muitas vezes polêmicas) que costumam surgir durante as consultas. Nas páginas o especialista, aborda temas como a influência dos filtros digitais, a busca pela simetria perfeita (e inexistente), a pressão por mudanças constantes e o papel da ética médica em um mercado cada vez mais competitivo. Ao questionar práticas, promessas e comportamentos que se tornaram comuns na estética contemporânea, o cirurgião propõe reflexões sobre temas que, embora pareçam óbvios, raramente são debatidos em profundidade.

Segundo Hauagge muitos arrependimentos na estética não acontecem por falhas técnicas, mas por expectativas incompatíveis com a realidade, promessas exageradas ou pela influência de tendências que mudam com o tempo. No livro, ele também questiona a ideia de que a beleza está ligada à perfeição matemática e argumenta que a verdadeira harmonia facial está na proporção e na preservação da identidade.

Porque existem decisões que, depois de tomadas, não retornam ao ponto zero.
E há resultados que, mesmo com todo o investimento do mundo,
já não podem ser alcançados da forma ideal.

(Seu rosto não é moda, p. 188)

Natural de Pato Branco, Dr. Georgen Hauagge é um exemplo de como é possível construir uma atuação de alcance nacional e internacional fora dos grandes centros. No sudoeste paranaense, ele recebe pacientes de diferentes regiões do Brasil e do exterior para procedimentos estéticos em face, pálpebras, pescoço e transplante capilar. Paralelamente à prática clínica, atua na formação de médicos e participa de eventos voltados à saúde, empreendedorismo e gestão de clínicas, dentro e fora do país.

Sem se posicionar contra os procedimentos estéticos, em Seu rosto não é moda o autor propõe uma discussão sobre os limites entre autocuidado, influência social e responsabilidade médica. Ao reunir reflexões construídas ao longo de mais de 15 anos de experiência clínica, ele defende que a melhor decisão estética não é necessariamente a mais popular, mas aquela capaz de preservar a identidade do paciente ao longo do tempo.

Divulgação | MOIA Editora

Ficha técnica

Título: Seu rosto não é moda
Subtítulo: Exageros, falsas promessas e a responsabilidade esquecida na estética moderna
Editora: MOIA
Autor: Dr. Georgen Hauagge
ISBN: 978-65-83963-33-8
Páginas: 225
Preço: R$ 250 (físico) | R$ 31,99 (eBook)
Onde encontrar: Amazon

 

Sobre o autor: Dr. Georgen Hauagge é formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especialista em Cirurgia pelo Hospital Universitário da UFSC (HU-UFSC) e possui pós-graduações em Dermatologia, Medicina Estética e Visagismo. Também é graduado em Comércio Exterior, formação que contribuiu para a atuação como médico, empreendedor e educador. Com mais de 15 anos de experiência, atua com cirurgias e procedimentos estéticos para face, pescoço e transplante capilar. Natural de Pato Branco (PR), construiu sua carreira no sudoeste paranaense, onde recebe pacientes não apenas de diferentes regiões do brasil, mas também do exterior, em busca de tratamentos e cirurgias faciais. Além da prática clínica, dedica-se à formação de médicos por meio de cursos, mentorias e palestras voltadas para procedimentos estéticos, gestão, marketing e crescimento de clínicas. Sua atuação o levou a palestrar de eventos nacionais e internacionais do setor, compartilhando conhecimentos sobre medicina estética, empreendedorismo e desenvolvimento profissional. No livro Seu rosto não é moda, defende uma estética baseada em naturalidade, equilíbrio e preservação da identidade, princípios que orientam sua atuação médica há mais de uma década.

georgenhauagge


Sal antes do treino: o que a ciência diz sobre a nova moda entre praticantes de exercícios


Misturar sal na água antes de correr, tomar cápsulas de sódio ou consumir bebidas ricas em eletrólitos virou tendência entre praticantes de atividade física e influenciadores fitness. A promessa é melhorar o desempenho, evitar cãibras, aumentar a resistência e favorecer a hidratação.

 

Essa ideia ganhou força porque o sódio, principal eletrólito perdido pelo suor, desempenha funções essenciais no organismo, participando da contração muscular, da transmissão dos impulsos nervosos e da manutenção do equilíbrio dos líquidos corporais.

 

“Durante exercícios longos, principalmente sob calor intenso, essa perda pode ser significativa. No entanto, para a maioria das pessoas, aumentar deliberadamente o consumo de sal dificilmente traz benefícios e ainda pode elevar os riscos à saúde”, alerta Ana Cristina Gutiérrez, nutricionista esportiva, mestre em Nutrição e membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife.

 

Segundo uma revisão de 145 estudos publicada na Performance Nutrition, não há evidência científica de que atletas precisem de uma ingestão de sódio maior no dia a dia, já que o corpo regula naturalmente as perdas de sódio pelos rins e pelas glândulas sudoríparas. Além disso, os autores destacam que o que influencia a hidratação e o desempenho não é a quantidade isolada de sódio, mas o equilíbrio entre sódio e água no organismo (consumir pouca ou muita água).

 

Nesse quesito, o American College of Sports Medicine (ACSM) orienta que a ingestão adicional de sódio não é necessária para a maioria das pessoas que pratica exercícios. A reposição desse eletrólito passa a ser considerada apenas em situações de grande perda de suor, como provas de endurance ou atividades prolongadas (acima de uma hora) realizadas sob calor intenso, preferencialmente por meio de bebidas esportivas formuladas para esse fim, favorecendo a retenção de líquidos e a hidratação. “Abaixo de uma hora de atividade, a água costuma ser suficiente para hidratar”, reforça Gutiérrez.

 

O risco do excesso de sal


No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, o consumo médio de sal já ultrapassa as recomendações de saúde pública. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomende um consumo máximo de 5 gramas de sal por dia, estima-se que cada brasileiro ingira o equivalente a cerca de 11,8 gramas diárias (aproximadamente 4,7 gramas de sódio) — mais que o dobro do limite recomendado.

 

“O excesso sal (ou sódio) na alimentação favorece a elevação da pressão arterial e, a longo prazo, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC) e doença renal”, afirma o médico nutrólogo e mestre em Nutrição e Alimentos, Dr. Nataniel Viuniski, membro do Conselho para Assuntos Nutricionais da Herbalife.

 

Por isso, utilizar cápsulas de sal ou adicionar grandes quantidades de sal à água pode fazer mais mal do que bem, principalmente, aos hipertensos ou pessoas com predisposição à pressão alta.  

 

Para atletas de endurance, a estratégia deve ser planejada individualmente, com acompanhamento de nutricionista esportivo ou médico do esporte. 

 

“Hoje dispomos de bebidas isotônica, que repõem os eletrólitos de forma muito segura, conveniente, prática e baseada nas melhores evidências científicas”, conclui o nutrólogo. 



Herbalife
www.Herbalife.com


Homens de 35 anos são maioria entre pacientes que buscam transplante capilar, aponta levantamento de clínica

Procedimento, antes associado principalmente a homens mais velhos, passa a ser procurado pelos mais novos


O transplante capilar tem entrado cada vez mais cedo na rotina dos homens. Um levantamento realizado pela clínica do especialista em transplante capilar Vlassios Marangos mostra que a faixa etária mais frequente entre os pacientes é de 35 anos. O público atendido tem entre 28 e 55 anos e 90% dos pacientes são homens.

De acordo com a clínica, também houve uma mudança no comportamento dos pacientes ao longo dos anos: eles estão procurando tratamento mais cedo. A procura aumentou após a pandemia e acompanha uma preocupação maior com aparência, autoestima e imagem, especialmente entre homens que estão mais expostos nas redes sociais.

“Hoje, o homem não espera necessariamente que a calvície avance para começar a buscar uma solução. Existe uma preocupação maior em preservar a imagem e a autoestima, e isso faz com que a procura aconteça mais cedo”, explica Vlassios Marangos, especialista em transplante capilar.

O perfil dos pacientes também revela uma relação entre cabelo e vida profissional. Empresários aparecem com frequência entre os atendidos, e a clínica percebe aumento na procura por parte de empresários, executivos, médicos e influenciadores.


Aparência também pesa nas decisões

A decisão pelo transplante nem sempre está relacionada apenas à evolução da calvície. Segundo o levantamento da clínica, entre os motivos que aparecem no comportamento dos pacientes estão a busca por parecer mais jovem, recuperar a autoestima e a confiança, além de momentos de mudança na vida pessoal ou profissional.

Casamento, início de um novo relacionamento, promoção profissional, maior exposição no trabalho e nas redes sociais e até recomeços após um divórcio estão entre as situações relatadas pela equipe.

“É comum que o paciente procure o procedimento em um momento de mudança. Às vezes, ele está começando uma nova fase profissional ou pessoal e quer se sentir melhor com a própria imagem”, afirma o especialista.

A calvície genética continua sendo uma das principais razões para a procura, mas a clínica também atende pacientes com queda relacionada a estresse, emagrecimento, pós-Covid, uso de medicamentos, alopecias e casos que precisam de correção de transplantes antigos.


Transplante não deve ser uma decisão apenas estética

Apesar do aumento da procura entre homens mais jovens, a idade, sozinha, não determina se o paciente é ou não um candidato ao transplante. Antes do procedimento, é necessário avaliar a causa da queda, a evolução da calvície, a área doadora e a expectativa do paciente.

“Não existe uma idade única que determine quando uma pessoa deve fazer o transplante. O mais importante é entender o motivo da queda e avaliar se o procedimento realmente é indicado para aquele paciente”, explica Marangos.

A avaliação individual também ajuda a evitar decisões precipitadas. “Em alguns casos, o paciente pode se beneficiar primeiro de tratamentos clínicos para controlar a queda e preservar os fios existentes”, finaliza. 



Dr. Vlassios Marangos Junior - médico especialista em transplante capilar, reconhecido por sua atuação na restauração capilar e no tratamento da calvície.É graduado em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e pós-graduado em Medicina de Urgência e Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Também possui formação em técnicas avançadas de transplante capilar, com destaque para a FUE (Follicular Unit Extraction) com Implanter, método que proporciona resultados naturais e de alta precisão, tendo como patente de marca o método Fullgrafting.
Site: https://institutodrvlassios.com.br/
Instagram:@dr.vlassiosmarangos

Emagrecimento também pode provocar mudanças na região íntima feminina

Perda significativa de peso pode alterar volume e sustentação dos tecidos; especialista explica quando essas mudanças deixam de ser apenas estéticas e passam a causar desconforto 

 

O emagrecimento provoca mudanças visíveis em diferentes partes do corpo, principalmente quando há uma perda significativa de peso. Rosto, abdômen, braços e mamas costumam concentrar as atenções, mas existe uma região pouco mencionada nesse processo: a íntima.

A redução do tecido adiposo também pode modificar o aspecto da vulva. Em algumas mulheres, a perda de volume dos grandes lábios pode deixar os pequenos lábios mais evidentes ou acentuar características anatômicas que já existiam antes do emagrecimento.

Segundo a médica ginecologista e especialista em Medicina Estética, Mirelle Ossipi Ruivo, fundadora da Rede Mulherez, é importante diferenciar alterações estéticas de situações que efetivamente provocam incômodo.

“Cada mulher possui uma anatomia diferente e não existe um padrão que determine como deve ser a região íntima. A indicação de qualquer procedimento precisa partir de uma avaliação individualizada, principalmente quando existem queixas funcionais associadas”, explica.

Em determinados casos, a maior exposição ou o excesso de tecido dos pequenos lábios pode provocar atrito durante atividades físicas, desconforto com roupas mais justas, irritações recorrentes ou incômodo durante as relações sexuais.

Quando essas queixas estão presentes, uma das possibilidades avaliadas é a ninfoplastia, cirurgia destinada à redução ou remodelação dos pequenos lábios.

“O objetivo não deve ser criar uma anatomia considerada ideal. Quando há indicação, buscamos preservar a função e respeitar as características de cada paciente, tratando aquilo que efetivamente está causando desconforto”, afirma Mirelle.

A especialista ressalta ainda que emagrecer não significa necessariamente desenvolver flacidez ou precisar de uma cirurgia íntima. Fatores como genética, idade, características individuais dos tecidos, oscilações de peso, gestação e alterações hormonais também influenciam a anatomia da região.

Para Mirelle, o aumento da procura por procedimentos íntimos também exige informação para que mulheres não transformem variações anatômicas naturais em problemas.

“É preciso ouvir primeiro o que incomoda essa mulher, entender se existe uma questão funcional e avaliar todas as possibilidades. Nem toda alteração precisa ser corrigida e nem toda paciente tem indicação cirúrgica”, reforça.

Na Rede Mulherez, especializada em saúde e cuidados femininos, a avaliação considera o histórico da paciente, suas queixas e os impactos das alterações na rotina antes da indicação de qualquer procedimento. 


Mirelle Ossipi Ruivo
@mirelleossipiruivo
@mulherez.oficial


Perdoar realmente faz bem para a saúde mental?

No Dia Nacional do Perdão (30/08), psicóloga e psiquiatra explicam como o cérebro lida com mágoas e experiências dolorosas


 

Uma experiência dolorosa pode terminar, mas seus efeitos emocionais nem sempre desaparecem com ela. Traições, rejeições, injustiças, humilhações e quebras de confiança podem permanecer na memória e continuar provocando emoções mesmo muito tempo depois. Para a psicologia, o perdão não significa simplesmente esquecer ou seguir em frente, mas elaborar o que aconteceu e, gradualmente, mudar a relação com a experiência e os sentimentos associados a ela, sem minimizar a dor ou retirar a responsabilidade de quem causou o dano.

Segundo a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, o perdão é um processo interno que pode ajudar a reduzir a ruminação e o estresse associados à mágoa. “Perdoar não significa esquecer o que aconteceu nem aceitar comportamentos abusivos. Na psicologia, entendemos o perdão como um processo interno de reorganização emocional. Quando a pessoa deixa de alimentar continuamente sentimentos de mágoa e desejo de vingança, pode haver redução da ruminação mental e do estresse. Esse movimento favorece um estado emocional mais equilibrado e pode repercutir positivamente nos sistemas cerebrais envolvidos na regulação das emoções, no bem-estar e na motivação”, explica.



Perdoar não é esquecer


De acordo com a psicóloga, uma das principais confusões sobre o perdão é associá-lo ao esquecimento. Memória e perdão são processos diferentes: é possível lembrar de uma situação dolorosa sem continuar reagindo a ela com a mesma intensidade emocional. “O objetivo da elaboração emocional não é necessariamente fazer a experiência desaparecer, mas permitir que ela ocupe outro lugar na história da pessoa. Algumas lembranças, inclusive, têm uma função adaptativa: ajudam a reconhecer limites, identificar situações de risco e fazer escolhas diferentes no futuro”, pontua a especialista.


Nesse processo, a aceitação também tem um papel importante. Ela não significa concordar com o que aconteceu ou considerar aceitável o comportamento de quem causou o dano, mas reconhecer a realidade da situação, seus impactos e aquilo que está ou não sob o próprio controle. “Posso me lembrar do que aconteceu sem precisar reviver emocionalmente aquilo como se estivesse acontecendo novamente”, afirma.


Essa compreensão também ajuda a diferenciar perdão de reconciliação. Enquanto o primeiro pode ser um processo interno, reconstruir uma relação depende de fatores como reconhecimento do dano, responsabilização, mudança de comportamento, segurança e reconstrução da confiança. Por isso, é possível elaborar o que aconteceu e seguir a própria vida sem retomar o vínculo com quem causou a dor. A diferença é especialmente importante em situações de violência e abuso. Perdoar não significa abandonar medidas de proteção, voltar a uma relação prejudicial ou devolver a alguém o acesso que essa pessoa perdeu por causa de seus próprios comportamentos.



O que acontece no cérebro?


O perdão não está relacionado a uma única região cerebral. A elaboração de situações dolorosas envolve diferentes sistemas ligados à regulação emocional, memória, cognição social, tomada de perspectiva e controle das respostas emocionais.


Quando uma pessoa passa por uma situação marcante, a experiência pode ser associada a emoções e a estímulos presentes naquele momento. Por isso, situações semelhantes podem posteriormente despertar medo, raiva, desconfiança ou necessidade de proteção. A dificuldade pode surgir quando a lembrança permanece acompanhada de pensamentos repetitivos, como “por que fizeram isso comigo?” ou “como alguém pôde fazer isso?”. A ruminação pode manter a pessoa emocionalmente conectada ao acontecimento e contribuir para a manutenção do sofrimento psicológico.


Do ponto de vista psiquiátrico, experiências emocionalmente marcantes também podem permanecer associadas a respostas de alerta mesmo depois que a situação terminou. Segundo o especialista, isso ocorre porque memória e emoção estão profundamente relacionadas. “A reação de alerta pode continuar depois de um evento intensamente estressante, seja ele qual for. Isso é mais comum de acontecer em situações onde a intensidade do estresse é mais significativa. A gente vê isso do ponto de vista patológico, de forma mais clara, em transtornos como o transtorno de estresse pós-traumático, onde a pessoa continua por um longo período revivendo e se mantendo alerta, tudo que aconteceu dentro do evento traumático estressante.”


A relação entre memória e emoção ajuda a explicar por que determinadas experiências permanecem tão vivas. Segundo o médico Dr. Rodrigo Schettino, professor da pós-graduação em Psiquiatria na Afya Educação Médica Itaperuna  “Memória e emoção estão relacionadas. Inclusive, uma das estratégias que recomendamos durante os estudos é que  duas formas de aprendizado sejam associadas: uma através da repetição e outra  por meio da emoção. Provavelmente, você se recorda do seu primeiro beijo, da primeira vez que você entrou na escola, e assim vai. Situações que promovem muita emoção tendem a fazer com que a memória seja consolidada mais facilmente”, explica o especialista.


Isso não significa, porém, que toda lembrança dolorosa representa um problema psiquiátrico. A reação de alerta faz parte dos mecanismos de proteção do organismo e pode ser mais intensa ou persistente dependendo da natureza e da gravidade da experiência.


A elaboração pode ajudar a modificar a relação com o passado, reorganizando seus significados e favorecendo formas mais adaptativas de lidar com as emoções. “O cérebro não possui um ‘centro do perdão’. O que ocorre é uma interação entre diferentes regiões responsáveis por memória, emoção, empatia e tomada de decisão. Quando o indivíduo consegue reinterpretar uma experiência negativa e diminuir a intensidade do ressentimento, esses circuitos podem funcionar de maneira mais equilibrada”, explica a psicóloga.



Qual é o papel da dopamina?


A relação entre perdão e dopamina precisa ser vista com cautela. O neurotransmissor participa de circuitos relacionados à recompensa, motivação, aprendizagem e tomada de decisão, mas não há evidência de que perdoar provoque simplesmente um “banho de dopamina”.


Hoje, a dopamina é compreendida para além da ideia de uma substância ligada ao prazer. Ela participa de processos pelos quais o cérebro aprende com experiências, atribui valor a estímulos e orienta comportamentos motivados por recompensas.


Segundo o psiquiatra,não é adequado estabelecer uma relação direta e simples entre perdoar e aumentar a dopamina. “A dopamina não deve ser entendida como um neurotransmissor responsável apenas pelo prazer ou pela felicidade. Ela participa de processos muito mais amplos, como motivação, aprendizagem, atribuição de valor às experiências e direcionamento do comportamento. Por isso, não é adequado dizer que o perdão simplesmente aumenta a dopamina e, por consequência, produz bem-estar. A experiência emocional é muito mais complexa e envolve a interação entre diferentes sistemas cerebrais e neurotransmissores.”


A experiência de perdoar também pode variar bastante de uma pessoa para outra. Em algumas situações, elaborar uma mágoa pode estar associado a uma sensação de alívio e redução da tensão. Em outras, a ideia de perdoar pode provocar desconforto ou até intensificar o estresse, especialmente quando envolve pressão para retomar uma relação, minimizar o dano ou abrir mão de limites importantes.


Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 na revista JAMA Psychiatry, que reuniu dados de 102 estudos, encontrou associação entre a dopamina e processos de aprendizagem por recompensa e sensibilidade à recompensa. No caso do perdão, portanto, o neurotransmissor pode participar de mecanismos relacionados à motivação e à aprendizagem, mas não deve ser apontado como responsável isolado pela sensação de alívio que algumas pessoas experimentam.


Para a psicóloga, a questão central está menos em “obrigar-se” a perdoar e mais em compreender o que a experiência provoca emocionalmente. “A saúde mental depende da forma como processamos nossas emoções. Quando conseguimos elaborar uma experiência dolorosa e reduzir a carga emocional associada a ela, diminuímos o estado de alerta constante do organismo. Esse processo pode contribuir para reduzir o sofrimento emocional e melhorar a qualidade de vida.”



Perdoar, ansiedade e estresse


A relação entre perdão e saúde mental também exige cautela. Guardar ressentimento não significa, necessariamente, desenvolver ansiedade ou depressão, assim como perdoar não deve ser apresentado como tratamento para esses transtornos. Ainda assim, a ruminação, a hostilidade, os pensamentos de vingança e a reativação frequente de situações dolorosas podem contribuir para a manutenção do sofrimento psicológico.  Nesse contexto, a terapia pode ser uma importante aliada, ajudando a reconhecer pensamentos automáticos, compreender emoções, identificar crenças construídas a partir da experiência e desenvolver formas mais adaptativas de lidar com o que aconteceu.


Depois de uma traição, por exemplo, alguém pode concluir que “não pode confiar em ninguém”. Embora esse pensamento possa surgir inicialmente como uma tentativa de proteção, quando generalizado para todos os relacionamentos, ele pode favorecer a esquiva, a hipervigilância e a dificuldade de estabelecer novos vínculos. Elaborar essa experiência não significa apagar a dor, justificar o que aconteceu ou voltar a confiar indiscriminadamente, mas encontrar uma forma mais equilibrada de seguir em frente. Isso envolve reconhecer o que foi vivido, aprender com a experiência, estabelecer limites e, gradualmente, compreender que uma decepção não precisa definir a maneira como a pessoa se relaciona com o mundo e consigo mesma.



Agosto Lilás: violência psicológica contra mulheres cresce 16,9% no Brasil e pode começar de forma sutil


O Brasil registrou mais de 60 mil casos de violência psicológica contra mulheres em 2025, um aumento de 16,9% em relação ao ano anterior, segundo dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Com 55,6 registros para cada 100 mil mulheres, o cenário chama atenção para uma forma de violência que muitas vezes começa de maneira sutil, com comportamentos de controle, humilhação, chantagem, ameaça e desvalorização que podem se agravar ao longo do relacionamento. 

A psicóloga da Hapvida, Patrícia Damasceno, explica que a violência no relacionamento vai muito além das marcas que estão visíveis na pele. “Conforme amparado pela legislação (como por exemplo, a Lei Maria da Penha no Brasil) e pela prática clínica psicológica, a violência manifesta-se de diversas maneiras, seja psicológica, moral, patrimonial e sexual. Podendo ocorrer no casamento ou em relacionamentos estáveis”, aponta. 

Patrícia relata que a violência psicológica ocorre quando atitudes provocam danos emocionais, diminuem a autoestima ou buscam controlar ações, comportamentos, crenças e decisões da mulher. Entre os comportamentos que podem indicar esse tipo de violência estão o gaslighting, quando o agressor distorce situações e faz a vítima duvidar da própria memória ou percepção; o isolamento de amigos e familiares; a humilhação e a desvalorização constantes; o ciúme excessivo; o controle sobre roupas, celular, horários e amizades; além de ameaças e chantagens emocionais. 

“Por ser sutil e gradativa, muitas vezes a violência psicológica é difícil de ser identificada de imediato”, explica a psicóloga, citando que frases como “você está louca”, “eu nunca disse isso” ou “você me faz agir dessa maneira” podem fazer parte de uma estratégia de manipulação que leva a mulher a questionar a própria percepção da realidade. Além disso, o controle também pode ser apresentado como uma demonstração de "zelo" ou "amor", quando, na realidade, restringe a autonomia da mulher. 

Ela explica que é comum que a mulher não reconheça inicialmente determinadas atitudes como violência. Isso ocorre, entre outros fatores, pela dependência emocional e pela forma gradual como os comportamentos abusivos são introduzidos na relação. Segundo a psicóloga, atitudes invasivas, inicialmente interpretadas como sinais de preocupação ou afeto, com o tempo, acabam sendo naturalizadas. Padrões sociais relacionados aos papéis de gênero também podem contribuir para a ideia de que o relacionamento exige sacrifícios ou de que o ciúme representa amor e cuidado. 

“A permanência na relação também pode estar relacionada à alternância entre momentos de afeto e episódios de violência. Essa dinâmica fortalece a dependência emocional e alimenta a esperança de que o relacionamento volte a ser como nos períodos positivos. A mulher pode ainda desenvolver a crença de que é incapaz de reconstruir a própria vida. Frases que repetidamente afirmam que ela ‘não serve para nada’ podem contribuir para a perda da autoestima e da confiança. A dependência financeira, a preocupação com os filhos e o medo da reação do agressor também são fatores que dificultam o rompimento”, afirma a psicóloga.

 

Quebrar o ciclo

Sair de uma relação abusiva não significa que os impactos da violência desaparecem imediatamente. “A mulher pode ter sintomas relacionados ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), como ansiedade, insônia, hipervigilância, ataques de pânico e lembranças invasivas associadas às situações vivenciadas. Também pode experimentar sentimento de culpa, saudade dos momentos positivos da relação e sensação de perda”, expõe. 

Para a psicóloga, a reconstrução da autoestima e da autonomia é um processo gradual de resgate da identidade. O acompanhamento psicológico pode ajudar a mulher a processar os impactos da violência, compreender o trauma e desconstruir crenças negativas que foram internalizadas durante o relacionamento abusivo. 

Outro passo importante é recuperar a autonomia por meio de pequenas decisões cotidianas, afirma a psicóloga. Escolher uma roupa, retomar um hobby, decidir onde ir ou estabelecer novos projetos são atitudes que podem contribuir para que a mulher volte a reconhecer os próprios desejos. A independência financeira também pode fortalecer esse processo. A busca por capacitação profissional, inserção ou recolocação no mercado de trabalho pode ampliar a sensação de capacidade e liberdade. 

Quem convive com uma mulher em situação de violência também precisa ter cuidado para não reproduzir comportamentos que retirem sua autonomia. Patrícia orienta que familiares e amigos não culpem ou julguem a vítima com perguntas como “por que você não foi embora antes?” ou “por que você aguenta isso?”. Ela também alerta para o risco de confrontar o agressor ou expor a situação sem a autorização da vítima, já que essa atitude pode aumentar o risco de violência. 

“Para as mulheres que reconhecem sinais de violência, mas ainda não se sentem preparadas para deixar o relacionamento, reconhecer que algo está errado já representa um importante passo. A mulher não precisa ter todas as respostas ou tomar uma decisão definitiva imediatamente. Sentir medo, confusão ou insegurança não significa fraqueza e o que você está vivendo não é sua culpa. Mesmo que hoje você sinta que não tem forças para recomeçar, saiba que essa força não desapareceu, ela apenas foi sufocada por um contexto abusivo”, afirma a psicóloga. 

Patrícia reforça ainda a importância de não enfrentar a situação sozinha. Conversar com alguém de confiança e buscar acompanhamento profissional podem ser os primeiros passos para fortalecer a mulher e ajudá-la a construir um caminho mais seguro. Em casos de violência contra a mulher, é possível buscar orientação e atendimento por meio do Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, serviço gratuito que funciona 24 horas.

 

Como identificar e agir diante das dificuldades de alfabetização?

 

A alfabetização constitui uma das etapas mais importantes da trajetória escolar da criança. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o trabalho pedagógico com foco na alfabetização concentra-se nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, período em que se espera que os estudantes desenvolvam as habilidades essenciais de leitura e escrita, processo que continua a ser consolidado ao longo da escolarização. 

Embora o Brasil tenha registrado avanços importantes nessa área nos últimos anos, os desafios ainda são significativos. Em 2025, o país chegou a 66% das crianças da rede pública alfabetizadas ao fim do 2º ano, segundo o Indicador Criança Alfabetizada divulgado pelo MEC e pelo Inep, resultado que superou a meta de 64% prevista para o período e ficou 10 pontos acima do registrado em 2023. 

Ainda assim, muitos estudantes enfrentam desafios ao longo desse processo. Um estudo realizado pelo Itaú Social, Fundação Lemann e BID, revelou que 40% estudantes enfrentaram desafios na aprendizagem e 11% possuem níveis de leitura e escrita abaixo do esperado para a fase de alfabetização. 

Quando as fragilidades de alfabetização não são identificadas e acompanhadas adequadamente, além de comprometer a aprendizagem, elas podem afetar a autoestima da criança, gerar insegurança diante dos desafios e reduzir sua motivação na participação das atividades. Com o tempo, as barreiras encontradas durante a alfabetização podem limitar, também, sua capacidade de comunicação e compreensão do mundo ao seu redor.

 

Sinais de dificuldades de alfabetização que merecem atenção 

Embora cada criança tenha seu próprio ritmo de aprendizagem, alguns sinais podem indicar a necessidade de um acompanhamento mais próximo, como a dificuldade persistente em associar letras e sons, compreender o funcionamento da escrita, avançar na produção de textos, ler palavras e interpretar pequenos textos adequados à faixa etária ou registar ideias com autonomia. 

Além dos aspectos relacionados à aprendizagem, também vale observar aspectos comportamentais, como insegurança diante das atividades, desmotivação, resistência às propostas de leitura e escrita ou pouca participação em situações que envolvam linguagem. Esses sinais não devem ser encarados como diagnósticos, mas como alertas de que a criança pode precisar de intervenções pedagógicas mais direcionadas. Quanto mais cedo essas necessidades são identificadas, maiores são as chances de promover avanços consistentes. 

No geral, as dificuldades de alfabetização têm origem multifatorial e podem estar associadas a fatores pedagógicos, emocionais, sociais, familiares ou neurobiológicos. Pouco contato com livros e práticas de leituras, faltas frequentes às aulas, desafios para manter a atenção, transtornos de aprendizagem, questões emocionais, mudanças importantes na rotina familiar ou situações de vulnerabilidade são alguns exemplos de elementos que podem interferir nesse processo. 

Neste sentido, compreender o estudante de forma integral tem se tornado cada vez mais fundamental, considerando contexto de desenvolvimento, experiências e necessidades específicas. Somente a partir desse olhar ampliado é possível construir intervenções realmente eficazes. 

Isto porque, o estado emocional da criança exerce influência direta sobre o seu desenvolvimento e sua disposição em aprender. Situações de ansiedade, insegurança, baixa autoestima, conflitos familiares ou dificuldades de socialização podem dificultar a concentração, a persistência diante dos desafios e a confiança em suas capacidades. 

Nesse contexto, ao oferecer um ambiente acolhedor, seguro e afetivo, que valorize os avanços individuais e fortaleça o vínculo da criança com o processo de aprendizagem, a escola desempenha um papel essencial para seu desenvolvimento, uma vez que, quando se sente respeitada e incentivada, a criança torna-se mais aberta a experimentar, errar, aprender e evoluir.

 

O papel da escola e da família para as estratégias pedagógicas 

Não existe metodologia única capaz de atender às necessidades de todos os estudantes de uma turma, e por isso o trabalho pedagógico exige observação constante, avaliação e registro sistemático do que cada criança já lê e escreve. 

Com base nesse processo, os professores podem planejar intervenções intencionais, diversificar estratégias de ensino, utilizar recursos lúdicos e multissensoriais, promover agrupamentos produtivos e desenvolver ações de recomposição das aprendizagens, com o objetivo de garantir que cada estudante avance a partir de seu ponto de partida, respeitando seu ritmo sem perder de vista as habilidades essenciais para a alfabetização. 

Isto é importante, pois reconhecer que as crianças aprendam de maneiras diferentes é um passo fundamental para construir experiências de aprendizagem mais significativas, capazes de ampliar o engajamento e favorecer o desenvolvimento de todos. 

A família acompanha esse processo por outro lado, e quando compreendem a relevância dessa etapa e participam ativa e positivamente, a criança tende a sentir mais segura, valorizada e disposta a tentar. Atitudes simples do cotidiano, como incentivar a leitura, conversar sobre histórias, ampliar o repertório cultural e acompanhar a rotina escolar, contribuem significativamente para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. 

Além disso, o diálogo constante entre escola e familiares permite alinhar expectativas, compartilhar estratégias e fortalecer a rede de apoio necessária para o desenvolvimento do estudante.

 

A leitura como porta de entrada para a linguagem escrita 

Entre as estratégias que favorecem a alfabetização, a leitura aparece desde a primeira infância, antes mesmo de a criança escrever a primeira palavra. O contato frequente com livros e com diferentes gêneros textuais amplia o vocabulário e a familiariza com a estrutura da língua escrita. Com isso, cultivar esse hábito, tanto na escola quanto em casa, é uma forma de fortalecer as bases da alfabetização e formar leitores autônomos, críticos e participativos. 

Diante desse contexto, falar sobre alfabetização é falar sobre autonomia, participação e desenvolvimento humano. Esse processo não só ensina a ler e escrever, mas permite que a criança compreenda o mundo, expresse pensamentos, sentimentos e ideias, além de construir sua própria trajetória de aprendizagem. 

Desta forma, superar os desafios de alfabetização exige sensibilidade, intencionalidade pedagógica e a convicção de que toda criança é capaz de aprender quando encontra oportunidades adequadas, acolhimento e mediações compatíveis com as suas necessidades. Ao olhar para cada estudante individualmente, respeitando seu tempo, a escola contribui para a formação de cidadãos mais críticos, confiantes e preparados para atuar de maneira significativa na sociedade.

 

Isabella Oliveira - coordenadora pedagógica da unidade de Muriaé da Rede de Colégios Santa Marcelina, Instituição que alia tradição à uma proposta educacional sociointeracionista e alinhada às principais tendências do mercado de educação.




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