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sábado, 29 de agosto de 2026

Receitas caseiras podem substituir o desodorante? Especialistas explicam

 Entenda as diferenças entre desodorantes e antitranspirantes, o que dizem os estudos sobre seus ingredientes e como os benefícios informados nos rótulos são avaliados

 

Dos sais de alumínio às receitas caseiras para controle do odor, dúvidas sobre o funcionamento e a segurança dos desodorantes ainda são comuns entre consumidores. Segundo a dermatologista Jéssica Starek, da ALS Beauty & Personal Care, parte dessas dúvidas surge da forma como o suor e o odor corporal costumam ser percebidos.

“Muitas pessoas associam o suor ao mau cheiro, mas o suor, por si só, não costuma ser o responsável pelo odor. O cheiro surge quando bactérias presentes naturalmente na pele entram em contato com substâncias eliminadas pelo organismo e as transformam em compostos responsáveis pelo odor”, comenta.

Enquanto os desodorantes atuam no controle do odor, os antitranspirantes ajudam a reduzir temporariamente a quantidade de suor produzida nas axilas. Muitos produtos disponíveis atualmente combinam os dois benefícios em uma mesma fórmula. Entre os ingredientes mais conhecidos dos antitranspirantes estão os sais de alumínio, frequentemente associados a dúvidas sobre possíveis riscos à saúde.

“Apesar de ser um tema recorrente, não existem evidências científicas que comprovem relação entre o uso de antitranspirantes contendo sais de alumínio e o desenvolvimento de câncer de mama.  Hoje, as principais entidades médicas e científicas não reconhecem essa associação”, afirma Jéssica.

Outro tema que costuma despertar interesse é o uso de alternativas consideradas naturais para o controle do odor. Embora essas receitas sejam  compartilhadas como substitutas dos desodorantes tradicionais, elas não passam pelos mesmos processos de avaliação utilizados para comprovar segurança, tolerabilidade e eficácia dos produtos comercializados. Esses testes são importantes para identificar resultados que podem ser expandidos para toda a população e garantir que o observado não está ocorrendo ao acaso.

"Produtos desenvolvidos para essa finalidade são submetidos a diferentes avaliações antes de chegar ao mercado. Já as receitas caseiras não contam com esse mesmo nível de comprovação, o que exige cautela, principalmente em pessoas com pele sensível ou histórico de irritação", afirma.

A necessidade de comprovar segurança e eficácia não se aplica apenas à composição dos produtos, mas também aos benefícios comunicados pelas marcas nos rótulos. Expressões como "proteção por 24 horas", "proteção por 48 horas", "controle de odor", "ação antitranspirante" ou "não irrita as axilas" dependem de estudos específicos para avaliar seu desempenho.

Gabrielli Brianezi, gerente técnica de pesquisa clínica da ALS Beauty & Personal Care, explica que cada benefício exige metodologias próprias de avaliação. “Os estudos podem avaliar diferentes aspectos, como controle de odor, redução da transpiração e potencial de irritação da região das axilas. O objetivo é verificar se o desempenho observado durante as avaliações corresponde aos benefícios que serão comunicados ao consumidor”.

Essas avaliações seguem protocolos definidos por agências reguladoras e são conduzidas com métodos científicos que garantem resultados confiáveis e representativos para a população. Podem envolver tanto análises clínicas quanto metodologias capazes de mensurar o comportamento dos produtos em condições controladas de uso.

“Quando um produto comunica determinado benefício, existe um método científico específico  para verificar se aquela informação é compatível com os resultados obtidos durante os estudos. Esse processo é importante para oferecer mais segurança e confiabilidade na performance do produto, tanto para as marcas quanto para os consumidores”, afirma Gabrielli.

Para Jéssica, mais importante do que seguir tendências ou recomendações genéricas é entender as necessidades individuais da pele e observar sinais que possam indicar a necessidade de acompanhamento médico.

“Quando existe suor excessivo, desconforto persistente, irritação frequente ou alterações importantes no odor corporal, vale procurar orientação médica. Em alguns casos, esses sinais podem estar relacionados a condições que vão além da escolha do desodorante”, finaliza.

 

 ALS Beauty & Personal Care

 

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