Dos sais de alumínio às receitas caseiras para
controle do odor, dúvidas sobre o funcionamento e a segurança dos desodorantes
ainda são comuns entre consumidores. Segundo a dermatologista Jéssica Starek,
da ALS Beauty & Personal Care, parte dessas dúvidas surge da forma como o
suor e o odor corporal costumam ser percebidos.
“Muitas pessoas associam o suor ao mau cheiro, mas
o suor, por si só, não costuma ser o responsável pelo odor. O cheiro surge
quando bactérias presentes naturalmente na pele entram em contato com
substâncias eliminadas pelo organismo e as transformam em compostos responsáveis
pelo odor”, comenta.
Enquanto os desodorantes atuam no controle do odor,
os antitranspirantes ajudam a reduzir temporariamente a quantidade de suor
produzida nas axilas. Muitos produtos disponíveis atualmente combinam os dois
benefícios em uma mesma fórmula. Entre os ingredientes mais conhecidos dos
antitranspirantes estão os sais de alumínio, frequentemente associados a
dúvidas sobre possíveis riscos à saúde.
“Apesar de ser um tema recorrente, não existem
evidências científicas que comprovem relação entre o uso de antitranspirantes
contendo sais de alumínio e o desenvolvimento de câncer de mama. Hoje, as
principais entidades médicas e científicas não reconhecem essa associação”,
afirma Jéssica.
Outro tema que costuma despertar interesse é o uso
de alternativas consideradas naturais para o controle do odor. Embora essas
receitas sejam compartilhadas como substitutas dos desodorantes
tradicionais, elas não passam pelos mesmos processos de avaliação utilizados
para comprovar segurança, tolerabilidade e eficácia dos produtos
comercializados. Esses testes são importantes para identificar resultados que
podem ser expandidos para toda a população e garantir que o observado não está
ocorrendo ao acaso.
"Produtos desenvolvidos para essa finalidade
são submetidos a diferentes avaliações antes de chegar ao mercado. Já as
receitas caseiras não contam com esse mesmo nível de comprovação, o que exige
cautela, principalmente em pessoas com pele sensível ou histórico de
irritação", afirma.
A necessidade de comprovar segurança e eficácia não
se aplica apenas à composição dos produtos, mas também aos benefícios
comunicados pelas marcas nos rótulos. Expressões como "proteção por 24
horas", "proteção por 48 horas", "controle de odor", "ação
antitranspirante" ou "não irrita as axilas" dependem de estudos
específicos para avaliar seu desempenho.
Gabrielli Brianezi, gerente técnica de pesquisa
clínica da ALS Beauty & Personal Care, explica que cada benefício exige
metodologias próprias de avaliação. “Os estudos podem avaliar diferentes
aspectos, como controle de odor, redução da transpiração e potencial de
irritação da região das axilas. O objetivo é verificar se o desempenho
observado durante as avaliações corresponde aos benefícios que serão
comunicados ao consumidor”.
Essas avaliações seguem protocolos definidos por
agências reguladoras e são conduzidas com métodos científicos que garantem
resultados confiáveis e representativos para a população. Podem envolver tanto
análises clínicas quanto metodologias capazes de mensurar o comportamento dos
produtos em condições controladas de uso.
“Quando um produto comunica determinado benefício,
existe um método científico específico para verificar se aquela
informação é compatível com os resultados obtidos durante os estudos. Esse processo
é importante para oferecer mais segurança e confiabilidade na performance do
produto, tanto para as marcas quanto para os consumidores”, afirma Gabrielli.
Para Jéssica, mais importante do que seguir
tendências ou recomendações genéricas é entender as necessidades individuais da
pele e observar sinais que possam indicar a necessidade de acompanhamento
médico.
“Quando existe suor excessivo, desconforto
persistente, irritação frequente ou alterações importantes no odor corporal,
vale procurar orientação médica. Em alguns casos, esses sinais podem estar
relacionados a condições que vão além da escolha do desodorante”, finaliza.

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