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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Dor pélvica crônica que muitas mulheres demoram a diagnosticar

Especialista alerta que as varizes pélvicas podem ser confundidas com problemas ginecológicos e causar dor, peso e desconforto persistente

 

Dor pélvica frequente, sensação de peso na região inferior do abdômen, piora do desconforto ao ficar muito tempo em pé e dor durante ou após relações sexuais podem ter diferentes causas. Uma delas, ainda pouco conhecida por muitas mulheres, são as varizes pélvicas, dilatações de veias localizadas na região da pelve. 

Embora o termo “varizes” seja geralmente associado às pernas, o problema também pode atingir veias internas. Quando isso acontece na pelve, a circulação local pode ficar prejudicada, favorecendo acúmulo de sangue, dilatação dos vasos e dor crônica. Em alguns casos, a mulher passa meses ou anos investigando causas ginecológicas, intestinais ou urinárias antes de chegar ao diagnóstico vascular. 

De acordo com Dr. Márcio Steinbruch, especialista em cirurgia vascular formado pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o principal desafio é considerar essa hipótese quando a dor se repete e não há uma explicação evidente. 

“A dor pélvica crônica pode ter várias origens, por isso precisa ser avaliada com cuidado. As varizes pélvicas entram nesse diagnóstico diferencial, especialmente quando a paciente relata sensação de peso, piora ao permanecer em pé por longos períodos ou desconforto relacionado ao ciclo menstrual e à atividade sexual”, explica. 

O quadro pode ser mais comum em mulheres que já tiveram gestações, pois as alterações hormonais, o aumento do volume sanguíneo e a pressão exercida sobre as veias durante a gravidez podem contribuir para a dilatação vascular. Também pode haver associação com varizes nas pernas, dor lombar, sensação de peso nas coxas e veias aparentes em regiões como vulva, glúteos ou parte interna das coxas. 

“Nem toda dor pélvica é causada por varizes, mas também não se deve ignorar essa possibilidade. Quando a paciente tem sintomas persistentes, a investigação adequada ajuda a evitar sofrimento prolongado e tratamentos que não resolvem a causa do problema”, afirma o especialista. 

O diagnóstico pode envolver avaliação clínica e exames de imagem, como ultrassom Doppler, angiotomografia, angiorressonância ou outros métodos indicados conforme o caso. O tratamento depende da intensidade dos sintomas, da extensão das veias dilatadas e do impacto na qualidade de vida da paciente. 

“A mulher não deve normalizar dor pélvica constante. Se o desconforto interfere na rotina, no trabalho, na vida sexual ou na prática de atividades físicas, é importante buscar avaliação médica. O tratamento correto começa com um diagnóstico bem feito”, conclui Dr. Márcio.

 

Dr. Márcio Steinbruch - Médico com especialização em cirurgia vascular pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, além disso, é membro titular e possui título de especialista pela SBAVC - Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pode participar de pautas sobre varizes, tromboses, problemas derivados destas doenças, cirurgias e problemas vasculares no geral.
Dr. Márcio Steinbruch | Cirurgião vascular (@livredevarizes) • Fotos e vídeos do Instagram


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