Robson Kubis, especialista em letras do Grupo MoveEdu, explica as diferenças entre as formas e dá sugestões para ensinar a gramática de maneira simples aos pequenos
Mesmo
durante a vida adulta, a forma correta de empregar ortograficamente os
“porquês” ainda gera momentos de dúvida durante a escrita, especialmente na era
digital, em que abreviações são mais utilizadas. Já na fase de alfabetização, a
dúvida mais frequente é saber se a palavra é escrita junta ou separada, com ou
sem acento. Caso a explicação seja incorreta ou apresentada de uma maneira
complicada, a incerteza no uso da palavra pode prolongar o erro por toda a
vida. Pensando nisso, Robson Kubis, especialista em letras do Grupo MoveEdu,
detentor da Ensina Mais Turma da Mônica, marca referência no segmento de apoio
escolar, dá dicas gramaticais e sugestões de como descomplicar os usos dos
“porquês” para os pequenos.
“Dominar
as quatro formas do “porquê” na fase de alfabetização terá impacto no futuro
acadêmico da criança, principalmente em redações e provas de vestibular, onde
desvios de escrita reduzem a nota da competência de domínio da norma culta. É
também uma base que se conecta com outros pilares da língua, como o aprendizado
de vocabulário e até o contato com outros idiomas, já que entender a lógica por
trás das regras do português facilita a compreensão da gramática de qualquer
novo idioma. Quando as dificuldades gramaticais persistirem mesmo com a
prática, pode ser interessante buscar apoio escolar como forma de oferecer um
acompanhamento mais próximo e adequado ao ritmo de aprendizado dos estudantes”,
afirma Robson.
Como explicar as regras para os
pequenos?
Robson
destaca que estimular a criatividade e utilizar exemplos cotidianos das
crianças podem facilitar o processo e tornar o conteúdo significativo para a
realidade delas. Isso é fundamental para que a informação seja absorvida
facilmente e praticada no dia a dia.
Use
exemplos práticos para apresentar o uso dos porquês nessas situações, assim
fica mais fácil para assimilar naturalmente as regras e deixar o processo mais
leve. Frases como “Por que você não comeu toda a comida?”, “Você está bravo por
quê?”, “Porque eu queria brincar.” ou “Quero saber o porquê dessa confusão.”
podem aproximar a linguagem da realidade da criança e tornar o aprendizado mais
divertido.
Faça jogos e atividades
Faça
atividades lúdicas e interativas, que desenvolvam a curiosidade do pequeno e
deixem o conteúdo mais envolvente, como criar jogos de encaixe com as palavras
e conectar as frases com a versão correta, ou crie desenhos relacionados às
situações.
Usar a internet como um apoio
Essa
ajuda vai muito além da regra, pois os conteúdos educativos na internet podem
ser bons aliados dos pais durante a alfabetização. Quando são bem utilizados
com a devida supervisão, é possível que a criança revise a parte teórica já
estudada em sala de aula e pratique em jogos digitais com exercícios
interativos que deixarão o processo mais divertido, exercitando a atenção, a
leitura e a gramática de forma mais leve.
Trabalhe com exemplos visuais
Os
exemplos visuais fazem toda a diferença durante as atividades lúdicas, assim,
fica mais fácil para a criança entender e colocar na prática, fixando o
conteúdo de forma mais concreta. Para isso, podem ser usadas ilustrações,
cartões com cores diferentes, cartazes e histórias em quadrinhos para unir a
teoria e a imagem.
Incentivar a fase dos porquês
A
fase da alfabetização coincide com o momento em que as crianças fazem muitas
perguntas, a famosa fase dos “porquês”. Mesmo que os adultos não saibam de
todas as respostas, é bom aproveitar a curiosidade natural deles no dia a dia
para explicar na prática o uso das palavras e seus significados. Quanto mais a
criança questiona, mais oportunidades para explicar como cada palavra é
usada.
Ler ou criar histórias
O
público infantil adora histórias, principalmente durante a fase de
alfabetização, quando os pequenos estão empolgados para aprender a ler. Por
isso, é importante incentivar o hábito da leitura não apenas nesse período, mas
também para ensinar diferentes regras gramaticais. No caso dos “porquês”, por
exemplo, é possível criar histórias em que a palavra apareça em diferentes contextos.
Para ensinar a ortografia de forma mais leve, também é possível elaborar
narrativas utilizando as diferentes versões da palavra, tornando o aprendizado
mais significativo para as crianças.
Qual a diferença entre cada um
deles?
Especialmente
na era digital, em que as abreviações são frequentes, muitas vezes deixamos de
aplicar a escrita da palavra corretamente. Por isso, é preciso relembrar as
regras gramaticais para introduzir a ortografia de forma clara para as
crianças.
Por que: deve
ser usado em perguntas diretas ou indiretas e pode ser substituído por “por
qual motivo” ou “por qual razão” na escrita da frase. Além disso, a palavra
escrita separada e sem acento também é usada estabelecer uma relação com um
termo anterior da oração.
Por quê: a
palavra separada e com acento é aplicada sempre no fim da frase seguido de
ponto de interrogação ou de um ponto final, com o mesmo sentido de “por qual
razão? ou por qual motivo.”.
Porque: com o
mesmo sentido de “pois”, a palavra junta e sem acento só deve ser usada em
respostas e explicações.
Porquê: sempre
deve ser acompanhado de um determinante, como um artigo definido (o, os) ou
indefinido (um, uns), e é sinônimo de “motivo” ou “razão”. O porquê junto e com
acento também pode aparecer junto de um pronome ou numeral.
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