Às vésperas do dia 29/08, geriatra da SBGG explica como abandonar o cigarro pode diminuir complicações, favorecer a capacidade funcional e preservar a autonomia mesmo após décadas de tabagismo
"Nunca é tarde para parar de
fumar. É claro que quanto mais cedo a pessoa abandona o cigarro, maiores são os
benefícios. Mas mesmo depois dos 60, 70 ou 80 anos, a interrupção do tabagismo
reduz o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), câncer e doenças
respiratórias. Diminui também sintomas como tosse e reduz as idas ao
pronto-socorro", explica Lucas Gomes de Andrade, médico geriatra e diretor
da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Na Geriatria, porém, os benefícios da
cessação do tabagismo vão além da prevenção de doenças. O foco também está em
preservar a capacidade funcional, ou seja, manter condições de realizar as
atividades do dia a dia com autonomia e independência pelo maior tempo
possível.
"Parar de fumar pode melhorar o
fôlego, facilitar a prática de atividade física, reduzir infecções
respiratórias, favorecer a recuperação após cirurgias e ajudar a pessoa idosa a
manter sua independência por mais tempo. Em outras palavras, não é apenas viver
mais. É viver melhor."
Mais do que
prevenir o câncer de pulmão
Embora o câncer de pulmão seja uma das
principais doenças associadas ao tabagismo, os prejuízos do cigarro vão muito
além desse diagnóstico. O hábito acelera o envelhecimento do organismo,
favorece a perda de massa muscular, aumenta a fragilidade e compromete a
capacidade funcional, fatores que interferem diretamente na autonomia e na
qualidade de vida.
"Além de aumentar o risco de
câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, o cigarro favorece perda de
massa muscular, fragilidade e redução da capacidade funcional. Na Geriatria,
nosso objetivo não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas preservar
autonomia e qualidade de vida. E parar de fumar é uma das medidas que mais
contribuem para um envelhecimento saudável", reforça Lucas.
Parar de fumar é a medida mais
importante, mas não a única. O cuidado também inclui atividade física regular,
alimentação adequada, vacinação, controle de doenças crônicas, como hipertensão,
diabetes e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e, em alguns casos, a
avaliação da indicação de rastreamento do câncer de pulmão por meio de
tomografia de baixa dose, conforme critérios clínicos.
O papel do
geriatra
O acompanhamento da pessoa idosa
fumante vai muito além da recomendação para abandonar o cigarro. O trabalho do
geriatra é compreender o momento de vida do paciente, identificar fatores que
dificultam a cessação do tabagismo e construir um plano individualizado para
aumentar as chances de sucesso.
"A principal estratégia é ajudar o
paciente a parar de fumar: acolher as demandas, conversar e entender se ele está
no momento de parar de fumar ou a presença de gatilhos como depressão e
ansiedade. Educação continuada e apoio à cessação do tabagismo devem fazer
parte do acompanhamento longitudinal. Esta medida continua sendo a que mais
reduz o risco de câncer de pulmão e de várias outras doenças relacionadas ao
tabagismo."
Recaídas podem acontecer e fazem parte
do processo de abandono do cigarro. "O primeiro passo é acolher, sem
julgamentos. Muitos idosos fumam há décadas e já tentaram parar diversas vezes
e essas tentativas não representam fracasso, fazem parte do processo. O
geriatra procura entender o grau de dependência, identificar as dificuldades e
construir um plano individualizado. Dependendo da situação, podemos utilizar
orientação comportamental, envolver a família e lançar mão de medicamentos que
aumentam as chances de sucesso. Também é importante acompanhar o paciente ao longo
do tempo. Recaídas podem acontecer, mas isso não significa que a pessoa não
conseguirá parar definitivamente," finaliza Lucas.
Sociedade
Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG
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