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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Mapa Nacional da Violência de Gênero revela que quase 25 milhões de mulheres optam por não declarar situações de violência sofridas

Atualização com dados da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher permite comparar o cenário de violência doméstica entre as unidades da Federação. Ao menos 87% das vítimas estão fora dos registros oficiais 

 

A nova atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, aponta o retrato das unidades da Federação: 29 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em 12 meses, no país. Desse total, 24,97 milhões, cerca de 87%, relataram situações concretas de violência sem declará-las ou nomeá-las espontaneamente como violência; 93,6% das vítimas, 26,84 milhões, estão na lacuna entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial. Outras 1,87 milhão de mulheres, embora tenham declarado ter sofrido violência, informaram que optaram por não acionar uma delegacia, o Ligue 180 ou o 190.

Os dados são da 11ª edição da Pesquisa Nacional e Violência contra a Mulher realizada pelo Data Senado e aponta o quanto essas mulheres ainda permanecem invisíveis para o Estado.

A análise inédita evidencia o abismo entre as agressões sofridas no cotidiano e os registros oficiais. Também permite uma visão fragmentada do cenário nacional, trazendo dados específicos de cada uma das 27 unidades da Federação.

Apenas 4% das brasileiras declaram abertamente ter sofrido violência doméstica ou familiar a cada 12 meses. No entanto, quando as entrevistadas são questionadas sobre situações específicas de violência, sem que o termo em si seja citado na pergunta, o percentual salta para 33% das brasileiras que relatam experiências compatíveis com a violência doméstica. O dado comprova que 29% da população feminina do país vivenciou agressões sem identificá-las ou nomeá-las espontaneamente como violência.

Em nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destaca que a divulgação dos dados reforça um princípio essencial de enfrentamento a violência e exige conhecê-la em profundidade e observa a importância da publicação dos dados no mês em que a Lei Maria da Penha celebra 20 anos e o Senado promove as ações do Agosto Lilás.

“Os resultados revelam uma dimensão ainda pouco visível da violência e mostra o quanto a violência vivida permanece invisível para muitas vítimas. O recorte estadual amplia a capacidade de análise desses dados. Para o Senado, a Casa da Federação, esse detalhamento é especialmente importante. Ele permite identificar diferenças regionais, compreender desafios locais e orientar políticas públicas mais eficazes em todo o país”, enfatiza.

Davi Alcolumbre ressalta que o Senado, ao disponibilizar as informações, reafirma seu compromisso com a proteção das mulheres brasileiras, com dados confiáveis que ajudam a aperfeiçoar leis, direcionar ações governamentais e fortalecer iniciativas de prevenção e acolhimento. “Conhecer a realidade é condição indispensável para transformá-la, declara”.

Para José Henrique Varanda, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado, “mais que um agregador de dados sobre o tema, o Mapa Nacional da Violência é, talvez, o principal instrumento público capaz de expor, comparar, confrontar e mudar a realidade vivida, a cada 12 meses, pelas mulheres no Brasil”.

O recorte estadual da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher está disponível no site do Mapa Nacional da Violência de Gênero, na página “Pesquisa Nacional


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