Atualização com dados da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher permite comparar o cenário de violência doméstica entre as unidades da Federação. Ao menos 87% das vítimas estão fora dos registros oficiais
A
nova atualização do Mapa
Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da
Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, aponta o retrato das
unidades da Federação: 29 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica
ou familiar em 12 meses, no país. Desse total, 24,97 milhões, cerca de 87%,
relataram situações concretas de violência sem declará-las ou nomeá-las
espontaneamente como violência; 93,6% das vítimas, 26,84 milhões, estão na lacuna
entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial. Outras 1,87
milhão de mulheres, embora tenham declarado ter sofrido violência, informaram
que optaram por não acionar uma delegacia, o Ligue 180 ou o 190.
Os
dados são da 11ª edição da Pesquisa Nacional e Violência contra a Mulher
realizada pelo Data Senado e aponta o quanto essas mulheres ainda permanecem
invisíveis para o Estado.
A
análise inédita evidencia o abismo entre as agressões sofridas no cotidiano e
os registros oficiais. Também permite uma visão fragmentada do cenário
nacional, trazendo dados específicos de cada uma das 27 unidades da Federação.
Apenas
4% das brasileiras declaram abertamente ter sofrido violência doméstica ou
familiar a cada 12 meses. No entanto, quando as entrevistadas são questionadas
sobre situações específicas de violência, sem que o termo em si seja citado na
pergunta, o percentual salta para 33% das brasileiras que relatam experiências
compatíveis com a violência doméstica. O dado comprova que 29% da população
feminina do país vivenciou agressões sem identificá-las ou nomeá-las
espontaneamente como violência.
Em
nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destaca que a divulgação dos
dados reforça um princípio essencial de enfrentamento a violência e exige conhecê-la
em profundidade e observa a importância da publicação dos dados no mês em que a
Lei Maria da Penha celebra 20 anos e o Senado promove as ações do Agosto
Lilás.
“Os
resultados revelam uma dimensão ainda pouco visível da violência e mostra o
quanto a violência vivida permanece invisível para muitas vítimas. O recorte
estadual amplia a capacidade de análise desses dados. Para o Senado, a Casa da
Federação, esse detalhamento é especialmente importante. Ele permite
identificar diferenças regionais, compreender desafios locais e orientar
políticas públicas mais eficazes em todo o país”, enfatiza.
Davi
Alcolumbre ressalta que o Senado, ao disponibilizar as informações, reafirma
seu compromisso com a proteção das mulheres brasileiras, com dados confiáveis que
ajudam a aperfeiçoar leis, direcionar ações governamentais e fortalecer
iniciativas de prevenção e acolhimento. “Conhecer a realidade é condição
indispensável para transformá-la, declara”.
Para
José Henrique Varanda, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado, “mais
que um agregador de dados sobre o tema, o Mapa Nacional da Violência é, talvez,
o principal instrumento público capaz de expor, comparar, confrontar e mudar a
realidade vivida, a cada 12 meses, pelas mulheres no Brasil”.
O
recorte estadual da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a
Mulher está disponível no site do Mapa Nacional da Violência de Gênero, na
página “Pesquisa
Nacional”

Nenhum comentário:
Postar um comentário