Vape preocupa entre jovens: 10,1% dos adultos de 18 a 24 anos nas capitais e no Distrito Federal relatam uso de dispositivos eletrônicos para fumar
O tabagismo provoca cerca de 174 mil mortes por ano no Brasil, o equivalente a 477 por dia, e gera um impacto econômico estimado em R$ 153,5 bilhões anuais1. Desse total, R$ 67,2 bilhões correspondem a despesas médicas diretas e R$ 86,3 bilhões a custos indiretos relacionados à perda de produtividade, mortes prematuras, incapacidade e cuidado informal2.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, em 29 de agosto, especialistas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz chamam a atenção para um problema que vai além do câncer de pulmão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é fator de risco para mais de 20 tipos ou subtipos de câncer, além de doenças cardiovasculares e respiratórias3. O alerta ganha ainda mais relevância diante da projeção da OMS de que o mundo poderá chegar a quase 35 milhões de novos casos de câncer por ano em 20504.
“O
cigarro não está relacionado apenas ao câncer de pulmão. O tabagismo aumenta o
risco de tumores em diferentes órgãos e parar de fumar é uma medida de
prevenção em qualquer idade. Quanto antes ocorre a cessação, maiores são os
benefícios para a saúde ao longo do tempo.” – destaca o Dr. Carlos Henrique
Teixeira, coordenador do Núcleo de Tumores Torácicos do Centro Especializado em
Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
O risco também chega a quem não fuma
Uma revisão publicada em 2026 no JCO Global Oncology chama atenção para a exposição de não fumantes. Em 2019, cerca de 12,7 milhões de adultos que não fumavam estavam expostos à fumaça do tabaco no Brasil, sendo a maioria mulheres. O estudo também destaca que 63,2% das mulheres com câncer de pulmão analisadas naquele ano nunca haviam fumado, reforçando a importância de outros fatores de risco, entre eles o tabagismo passivo e exposições ambientais e ocupacionais5.
“O
cigarro não prejudica apenas quem fuma. A exposição frequente à fumaça do
tabaco também representa risco e precisa fazer parte das estratégias de prevenção,
inclusive dentro de casa.” – afirma o oncologista.
Vape: um em cada dez jovens adultos relata uso
Os dispositivos eletrônicos também preocupam. Dados do Vigitel 2024 mostram que 10,1% dos adultos entre 18 e 24 anos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal relatam uso diário ou ocasional de dispositivos eletrônicos para fumar6. A fabricação, importação, comercialização, distribuição e propaganda desses produtos permanecem proibidas no Brasil pela Anvisa7.
“O
vape não é uma alternativa sem risco ao cigarro. A ausência de combustão não
significa ausência de danos: esses dispositivos podem conter nicotina e expor o
usuário a substâncias tóxicas. Entre os jovens, preocupa especialmente o
potencial de dependência e a percepção equivocada de que se trata de um produto
seguro.” – explica a Dra. Fernanda Baccelli, pneumologista do Hospital Alemão
Oswaldo Cruz.
Dependência pode ser medida
O
tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência de
nicotina8. Uma das ferramentas utilizadas para avaliar essa
dependência é o Teste de Fagerström, questionário que considera fatores como o
número de cigarros consumidos e quanto tempo a pessoa demora para fumar depois
de acordar9.
A avaliação do grau de dependência pode ajudar a definir a estratégia mais adequada para a cessação, que pode envolver acompanhamento profissional, mudanças comportamentais e, em alguns casos, tratamento medicamentoso.
“A
dificuldade para parar de fumar não deve ser vista apenas como falta de força
de vontade. A nicotina provoca dependência e, quanto maior esse grau, mais
importante é contar com uma estratégia adequada e acompanhamento profissional
para aumentar as chances de sucesso.” – completa a pneumologista.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Dr. Carlos Henrique Teixeira - CRM: 108859 / RQE: 30484Dra. Fernanda Baccelli – CRM: 124825 / RQE: 35009
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