A doença costuma ser silenciosa e está cada vez
mais ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2. Endocrinologista da Dasa explica
o que fazer quando suspeitar, como confirmar o diagnóstico e formas de reverter
o quadro
Um
em cada três adultos brasileiros tem gordura no fígado, doença silenciosa que
pode ser identificada com exames simples, como exame de sangue e ultrassom
abdominal, e, se tratada a tempo, revertida apenas com mudança de hábitos.
A
condição, chamada oficialmente de doença hepática esteatótica associada à
disfunção metabólica (MASLD), está ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2
muito mais do que ao consumo de bebidas alcoólicas. No Brasil, o estudo
ELSA-Brasil, com 10.651 participantes, identificou a condição em 33,4% dos
adultos avaliados. Entre jovens com diabetes tipo 2, a prevalência chega a 37%,
segundo revisão de 2026 publicada na European Journal of Pediatrics. No
mundo, a doença afeta 38% dos adultos e pode superar 55% até 2040, segundo
revisão publicada na Clinical and Molecular Hepatology.
Quais são as causas da gordura no fígado
- Obesidade
- Diabetes
tipo 2 e resistência à insulina
- Consumo
de bebidas alcoólicas: pesa menos do que se imagina — a MASLD está muito
mais ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2.
Confira os principais sintomas da gordura no fígado
“Na
maioria dos casos, a gordura no fígado não dá sintomas, o que atrasa o
diagnóstico. Quando aparecem, os sinais costumam indicar um estágio mais
avançado da doença”, explica Cristina Khawali, endocrinologista do Delboni e
Lavoisier, marcas da Dasa. Dentre os sintomas, podemos destacar:
- Cansaço
constante
- Desconforto
ou dor no lado superior direito do abdômen
- Inchaço
abdominal, perda de apetite ou perda de peso sem explicação
- Pele
e olhos amarelados (icterícia), sinal de estágio avançado que também
costuma vir com aumento do fígado, identificado pelo médico no exame
físico
"Por
décadas, o paciente com gordura no fígado era, no imaginário popular, o
paciente que bebia. Mas, hoje, o perfil mais comum é o de alguém com sobrepeso,
resistência à insulina ou diabetes tipo 2, muitas vezes sem sintoma nenhum, incluindo
jovens. É por isso que chamamos de epidemia silenciosa: a pessoa só descobre a condição
quando faz um exame de rotina ou quando a doença já avançou", explica a
endocrinologista.
Como é feito o diagnóstico
- Exame
de sangue: avalia as enzimas do fígado e permite calcular o escore FIB-4,
indicador de risco recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
para quem tem pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
- Ultrassom
abdominal ou elastografia hepática: confirmam o diagnóstico quando o FIB-4
aponta risco — a elastografia é exame não invasivo que mede em poucos
minutos o grau de gordura e de fibrose do fígado.
- ELF
(Enhanced Liver Fibrosis) – combina a análise de 3 marcadores biológicos
diretos presentes no sangue e que refletem o grau de fibrose no fígado,
sendo uma alternativa ou complemento à biópsia hepática ou exames de
imagem.
- Ressonância
magnética ou biópsia hepática: reservadas para casos específicos, quando
ainda há dúvida sobre o estágio da doença
Como tratar a gordura no fígado
A
perda de peso é a base do tratamento e age de forma escalonada: reduções de 5%
ou mais já ajudam a reduzir a inflamação e estabilizar a fibrose; perdas
sustentadas de 7% ou mais podem resolver a doença em 65% a 90% dos casos; e
reduções acima de 10% chegam a resolver a doença em até 90% dos pacientes, com
regressão da fibrose em quase metade deles, segundo a diretriz da SBD. Veja os
pilares:
- Dieta
que priorize alimentos frescos e naturais, com forte presença de vegetais,
grãos integrais e peixes
- Atividade
física aeróbica: 150 a 300 minutos por semana
- Treino
de força: duas vezes por semana
- Comumente
são prescritos medicamentos nos casos mais avançados, como pioglitazona e
agonistas de GLP-1, como liraglutida e semaglutida — mas a indicação varia
caso a caso
- Cirurgia
bariátrica: indicada em obesidade grave sem resposta a outras medidas
"A
boa notícia é que dá para rastrear a doença sem procedimento invasivo. A
elastografia hepática por ultrassom, disponível no Delboni e Lavoisier, mede o
grau de gordura e de fibrose do fígado em poucos minutos. As diretrizes
recomendam esse rastreamento a todo paciente com obesidade, pré-diabetes ou
diabetes tipo 2, mesmo sem sintomas. Nesse estágio, ainda é possível revertê-la
só com mudança de estilo de vida", diz Khawali.
Referências
Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo da doença
hepática esteatótica metabólica (DHEM) no diabetes tipo 2 e pré-diabetes,
Diretriz SBD, ed. 2025. Link
Younossi ZM, Kalligeros M, Henry L. Epidemiology of
metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease. Clinical and
Molecular Hepatology, 2025. Link
Campos LR, Khalil SM, Souza M. The epidemiology of
metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease among pediatric patients
with type 2 diabetes: systematic review and meta-analysis. European Journal of
Pediatrics, 2026. Link
Estudo ELSA-Brasil: Link
Sociedade Brasileira de Diabetes. Esteatose hepática
avança e já afeta crianças e adolescentes, 2026. Link
Tratamento de MASLD: destaques do novo guideline da ALEH
(Associação Latino-Americana para o Estudo do Fígado). Link
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