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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Gordura no fígado afeta 1 em cada 3 brasileiros: entenda sintomas, diagnóstico e tratamento

A doença costuma ser silenciosa e está cada vez mais ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2. Endocrinologista da Dasa explica o que fazer quando suspeitar, como confirmar o diagnóstico e formas de reverter o quadro
 

Um em cada três adultos brasileiros tem gordura no fígado, doença silenciosa que pode ser identificada com exames simples, como exame de sangue e ultrassom abdominal, e, se tratada a tempo, revertida apenas com mudança de hábitos. 

A condição, chamada oficialmente de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), está ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2 muito mais do que ao consumo de bebidas alcoólicas. No Brasil, o estudo ELSA-Brasil, com 10.651 participantes, identificou a condição em 33,4% dos adultos avaliados. Entre jovens com diabetes tipo 2, a prevalência chega a 37%, segundo revisão de 2026 publicada na European Journal of Pediatrics. No mundo, a doença afeta 38% dos adultos e pode superar 55% até 2040, segundo revisão publicada na Clinical and Molecular Hepatology.
 

Quais são as causas da gordura no fígado

  • Obesidade
  • Diabetes tipo 2 e resistência à insulina
  • Consumo de bebidas alcoólicas: pesa menos do que se imagina — a MASLD está muito mais ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2.


Confira os principais sintomas da gordura no fígado 

“Na maioria dos casos, a gordura no fígado não dá sintomas, o que atrasa o diagnóstico. Quando aparecem, os sinais costumam indicar um estágio mais avançado da doença”, explica Cristina Khawali, endocrinologista do Delboni e Lavoisier, marcas da Dasa. Dentre os sintomas, podemos destacar:

  • Cansaço constante
  • Desconforto ou dor no lado superior direito do abdômen
  • Inchaço abdominal, perda de apetite ou perda de peso sem explicação
  • Pele e olhos amarelados (icterícia), sinal de estágio avançado que também costuma vir com aumento do fígado, identificado pelo médico no exame físico

"Por décadas, o paciente com gordura no fígado era, no imaginário popular, o paciente que bebia. Mas, hoje, o perfil mais comum é o de alguém com sobrepeso, resistência à insulina ou diabetes tipo 2, muitas vezes sem sintoma nenhum, incluindo jovens. É por isso que chamamos de epidemia silenciosa: a pessoa só descobre a condição quando faz um exame de rotina ou quando a doença já avançou", explica a endocrinologista.
 

Como é feito o diagnóstico

  • Exame de sangue: avalia as enzimas do fígado e permite calcular o escore FIB-4, indicador de risco recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) para quem tem pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
  • Ultrassom abdominal ou elastografia hepática: confirmam o diagnóstico quando o FIB-4 aponta risco — a elastografia é exame não invasivo que mede em poucos minutos o grau de gordura e de fibrose do fígado.
  • ELF (Enhanced Liver Fibrosis) – combina a análise de 3 marcadores biológicos diretos presentes no sangue e que refletem o grau de fibrose no fígado, sendo uma alternativa ou complemento à biópsia hepática ou exames de imagem.
  • Ressonância magnética ou biópsia hepática: reservadas para casos específicos, quando ainda há dúvida sobre o estágio da doença


Como tratar a gordura no fígado 

A perda de peso é a base do tratamento e age de forma escalonada: reduções de 5% ou mais já ajudam a reduzir a inflamação e estabilizar a fibrose; perdas sustentadas de 7% ou mais podem resolver a doença em 65% a 90% dos casos; e reduções acima de 10% chegam a resolver a doença em até 90% dos pacientes, com regressão da fibrose em quase metade deles, segundo a diretriz da SBD. Veja os pilares:

  • Dieta que priorize alimentos frescos e naturais, com forte presença de vegetais, grãos integrais e peixes
  • Atividade física aeróbica: 150 a 300 minutos por semana
  • Treino de força: duas vezes por semana
  • Comumente são prescritos medicamentos nos casos mais avançados, como pioglitazona e agonistas de GLP-1, como liraglutida e semaglutida — mas a indicação varia caso a caso
  • Cirurgia bariátrica: indicada em obesidade grave sem resposta a outras medidas

"A boa notícia é que dá para rastrear a doença sem procedimento invasivo. A elastografia hepática por ultrassom, disponível no Delboni e Lavoisier, mede o grau de gordura e de fibrose do fígado em poucos minutos. As diretrizes recomendam esse rastreamento a todo paciente com obesidade, pré-diabetes ou diabetes tipo 2, mesmo sem sintomas. Nesse estágio, ainda é possível revertê-la só com mudança de estilo de vida", diz Khawali.
 


Referências

Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo da doença hepática esteatótica metabólica (DHEM) no diabetes tipo 2 e pré-diabetes, Diretriz SBD, ed. 2025. Link

Younossi ZM, Kalligeros M, Henry L. Epidemiology of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease. Clinical and Molecular Hepatology, 2025. Link

Campos LR, Khalil SM, Souza M. The epidemiology of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease among pediatric patients with type 2 diabetes: systematic review and meta-analysis. European Journal of Pediatrics, 2026. Link

Estudo ELSA-Brasil: Link

Sociedade Brasileira de Diabetes. Esteatose hepática avança e já afeta crianças e adolescentes, 2026. Link

Tratamento de MASLD: destaques do novo guideline da ALEH (Associação Latino-Americana para o Estudo do Fígado). Link

 

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